Capítulo 9

846 Words
Samanta: Dois dias. Só dois dia e aquele ricaço de nariz empinado metido a b***a já tá querendo me botá pra fora! Tá pensando o quê?! Num se mete comigo, não, seu pavão de terno caro! Fiquei ali, segurando a vassoura com força, encarando aquele brutamontes que gritava igual g**o no terreiro. E eu? Eu num ia abaixá a cabeça, não! — Eu num vô, tá ouvino?! Cruzei os braço e encarei ele com tudo. — Tio Dolfo diz que eu ficu, então eu ficu! Ele arregalou os zóio, parecendo que ia explodí de raiva. Se tivesse um trovão agora, aposto que caía direto na cabeça dele. — Eu não me importo com o que ele disse! Ele berrou. — Então vai brigá com ele! Cacilda — CHEGA! Ela bateu palma, brava, quase me fez levá um susto. — Os dois, calem a boca! Vocês estão parecendo crianças brigando por um brinquedo! Eu fitei ela, depois olhei pro ricaço metido, que bufou e virou as costa, saindo dali. Cacilda — Vamos subir, Samanta. Ela pegou meu braço, me puxando. — A menina da limpeza vai organizar tudo. Mas, pelo amor de Deus, fica longe do Maike, entendeu? Não se mete com ele. Bufei, mas segui ela, pisando forte no chão. — Que cara mais grosso, metido a b***a… Vem que dou uma vasourada bem dada pra vê se toma jeito! Subi as escada resmungano, ainda bufano de raiva. O que esse ricaço pensa? Que pode me tratá como um nada? Eu hein! Entrei no banheiro, fechei a porta e comecei a me despí. A água tava quente, coisa boa, nunca tive isso na vida. Entrei debaixo do chuveiro e suspirei, sentindo aquele calor gostoso na pele. — Esse ricaço num manda em mim… esse ricaço num manda em mim… Comecei a cantá do nada, batendo a mão na parede como se fosse tambor. A raiva? Foi indo embora, misturando com a água. E quer saber? Amanhã era um novo dia. E eu ainda tava aqui. [...] Horas depois... As horas se arrastaram até o almoço. Minha cabeça latejava por causa da bebida, mas eu não me importava. Qualquer coisa era melhor do que lembrar que aquela garota ainda estava aqui. Papai chegou e se sentou à mesa. Isso sim era novidade. Ele olhou para Cacilda e ordenou: Rodolfo — Chame a Samanta, por favor e diga que está na hora do almoço. Endireitei na cadeira e encarei ele, incrédulo. — Você só pode estar brincando. Eu não quero aquela garota na mesa. Isso já está: indo longe demais! Papai bateu a mão na mesa, o som ecoando pelo salão. Rodolfo — E desde quando você decide alguma coisa aqui, Maike?! Você acha que manda nessa casa? Em plena meio-dia, já está bêbado! Cresça, em vez de continuar sendo esse filho mimado do papai! Cerrei os punhos, sentindo o sangue ferver. — Engraçado, parece que está bem interessado em uma garota que tem idade para ser sua filha. Antes que eu pudesse reagir, um tapa ardido acertou meu rosto. Pisquei algumas vezes, atordoado. Nunca, em toda minha vida, meu pai tinha encostado a mão em mim. Antes que eu dissesse qualquer coisa, Cacilda voltou com Samanta. Papai olhou para ela, avaliando-a com um olhar que eu não gostava nem um pouco. Rodolfo — Amanhã mesmo, providenciarei roupas para você. Isabella e Cacilda vão acompanhá-la. Samanta deu de ombros, tentando se fazer de sonsa. — Num precisa, não. Ela apertou apontando do vestido velho, gasto e se sentou. Papai sorriu para ela, um daqueles sorrisos que não aceitavam resposta. Rodolfo — Precisa, sim. Fiquei ali, observando, enquanto o almoço era servido. Como se a situação não pudesse piorar, meu irmão, Eduardo, entrou na sala de jantar. Assim que viu Samanta, analisou-a por um instante. Soltei uma piada, sem perder a chance de provocar. — Veja só, Eduardo. Nossa nova irmã… ou madrasta. Ele sequer me olhou, ignorando completamente a provocação e se dirigindo diretamente à garota. Eduardo — Oi, eu sou Eduardo. Bem que papai disse, você é linda. Samanta ficou sem graça, suas bochechas ganhando um tom avermelhado. — Genrtileza sua. Sou nada. Para com isso, cara. Eduardo riu e se sentou, completamente à vontade. Revirei os olhos. Mais um i****a. — Até você, irmãozinho… Eduardo — Oi pra você também, Maike. Bufei. Mas claro. Ao lado da invasora, ele se derretia como um t**o. O almoço foi servido e, então, a aberração aconteceu: Samanta simplesmente enfiou a mão no prato, pegou uma coxa de frango e levou direto à boca. — m*l-educada! Tenha modos, não é assim que se come. Existem talheres. Ela me olhou envergonhada e soltou a coxa de frango no prato. Foi quando Eduardo largou os talheres dele, pegou outra coxa de frango com a mão e deu uma mordida, rindo. Eduardo — Assim é mais delicioso, não é mesmo, Sam? Ela sorriu e pegou a coxa de frango de volta. Rodolfo — Verdade. Papai acrescentou, fazendo o mesmo. Levantei-me da mesa na hora. Eu não ficaria ali para ver aquela cena patética.
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