Maike:
Depois da festa, mantive distância de Samanta. Tenho me trancado no escritório ou no meu quarto, evitando qualquer contato desnecessário.
Não sei o que diabos deu em mim para agir daquele jeito. Mas também não podia simplesmente ficar parado enquanto a Brenda a acusava injustamente. Conheço bem aquela mulher e sei que fez isso por ciúmes.
Quero ver até quando vai continuar me perseguindo. Já fez a escolha dela, e não há mais espaço para arrependimentos.
Levei a xícara de café até os lábios, observando pela janela a intrusa no meu pomar, colhendo frutas como se fosse dona do lugar. Pelo que percebi, gostou mais das amoras.
Amanhã é a tal festa que o Alessandro mencionou. Ele a convidou, e, como era de se esperar, meu pai permitiu que ela fosse.
Revirei os olhos e me afastei da janela. Isso não é problema meu. Não tenho nada a ver com a vida dessa garota. Só quero que ela vá embora da minha casa o quanto antes.
Preciso encontrar um jeito de me livrar dela.
Cacilda — Senhor Maike, o Alessandro está aqui. Anunciou, me tirando dos meus pensamentos.
Apertei a xícara com força, travando a mandíbula.
— O que ele quer na minha casa?
Cacilda — Veio ver a Samanta. Posso mandá-lo entrar?
Minha paciência já estava no limite.
— Eu não gosto de visitas. Desde que essa garota invadiu meu território, minha casa virou uma bagunça, e eu não estou gostando nada disso.
Ela revirou os olhos.
Cacilda — Então posso deixar ele entrar?
Perdi a paciência.
— NÃO! Mande que ela o receba pela janelinha do portão. Ele não vai pisar na minha casa. Já estou farto desse entra e sai.
Cacilda, como sempre, ignorou minhas ordens e saiu.
Voltei à janela e vi Samanta correndo até o portão, animada. Pulava como se tivesse acabado de ganhar um prêmio.
São todas iguais. Nenhuma é diferente.
Ela recebeu Alessandro com um sorriso largo e engataram uma conversa animada. Fico ali, observando da janela, sem paciência para essa cena ridícula.
Não demorou muito para se despedirem, e Samanta voltar saltitando, segurando um pequeno embrulho nas mãos.
"O que será que ele deu para ela?"
Aperto a mandíbula, desviando o olhar. Ingênuo. Somos todos uns idiotas!
Todas são iguais. Se fazem de santas para nos enganar.
Murmurei e me afastei da janela, incapaz de olhar por mais um segundo aquela expressão de felicidade.