Capítulo 19

1219 Words
Alessandro: Eu estava apavorado, como se tivesse voltado no tempo, revivendo o momento em que levaram minha irmãzinha de mim. Fui ao banheiro e deixei Samanta sentada, esperando. Não tive intenção de deixá-la sozinha, mas Alessa me prendeu por mais tempo do que eu queria. Procurei por Samanta feito um maluco, o pânico começando a me tomar. Um pouco mais à frente, avistei Eduardo. Me aproximei dele, desesperado, e perguntei: — Você viu a Samanta? Ele franziu a testa e agarrou a gola da minha camisa. Eduardo — A deixou sozinha no meio desses lobos? p***a, Alessandro! Papai confiou em você. Soltei as mãos dele da minha camisa. — Eu fui ao banheiro, sei que não deveria tê-la deixado sozinha. Mas pedi que ela não saísse e me esperasse. Minha respiração começou a falhar. Eduardo — Calma, cara. Respira, respira. — E se levaram ela, Eduardo? E se levaram a Alicia? Ele franziu a testa diante da minha confusão. Eduardo — Ela não é a Alicia, cara. Se acalma, vamos achá-la. Balancei a cabeça. Precisava ficar calmo. Já estava revivendo o pesadelo do dia em que a minha irmã foi levada. — Você tem razão, é que estou perturbado. Parece até um karma. Eu não devia ter deixado ela sozinha. Ele deu um tapa amigável nas minhas costas e disse: Eduardo — Nós vamos encontrá-la. Já perguntou a todos por ela? — Sim, mas ninguém a viu. Vou pedir à Alessa para acessar as câmeras. Eduardo — Isso, vamos ver as câmeras. Fomos até Alessa e conversamos com ela, mas, quando estávamos indo ver o que aconteceu através das câmeras, Talita, irmã de Alessa, disse: Talita — Você brigou com a sua nova amiguinha, Alessandro? Guto e eu acabamos de passar por ela. Parece que o Maike a levou embora. Olha, não sei o que você fez, mas a garota estava bem assustada. Franzi a testa. Agora mais do que nunca eu queria ver as câmeras. Se alguém a tratou m*l, eu queria nomes. — Ela não é minha "amiguinha." Tem idade suficiente para ser minha irmã. Ela revirou os olhos. Alessa — Chega disso! Não precisa mais olhar as câmeras, a sua protegida já foi levada pelo Maike. Olhei para ela e disse: — Não, vamos ver as filmagens. Quero nomes. Alguém fez alguma coisa para ela. Eduardo — Vou tentar ligar para o meu irmão. Balancei a cabeça e subi com a Alessa resmungando. [...] Maike: Estacionei o carro em frente de casa, e Samanta ainda estava agarrada a mim. Em momento algum olhou para o meu rosto, o que me deixava intrigado. Desci do carro, e alguns dos meus seguranças me encararam como se eu tivesse criado chifres na cabeça. Eu sabia que era estranho. Como eu podia odiar Samanta em um dia e, no outro, chegar com ela em meus braços? Mas eu não me importava. Passei por eles e subi direto para o quarto dela. Com delicadeza, a coloquei na cama. — Você quer falar sobre o que aconteceu? Ela desviou o olhar e negou com a cabeça. — Tudo bem, então. Vou deixá-la sozinha. Ela se jogou em mim outra vez. Isso não era normal. Algo grave aconteceu. Muito grave. Samanta não era assim. Geralmente, enfrentava tudo de cabeça erguida. — Vou sair para você tomar banho e tirar essas roupas molhadas. Também preciso trocar as minhas, tudo bem? — Num… não quero ficar sozinha, num… Um raio cortou o céu, seguido de um trovão. Ela se encolheu, assustada. — Vou fazer um chá para você e já volto. A Cacilda não está aqui. — Num… não me deixá sozinha, num… Ela soluçava, o choro entrecortando suas palavras. — Vou trocar de roupa enquanto você troca as suas. Assim que terminar, volto com o seu chá. Ela balançou a cabeça, hesitante. Saí do quarto para lhe dar privacidade. Algo muito sério tinha acontecido. Desci direto para a cozinha, tentando entender o que poderia ter ocorrido. Será que alguém tentou agarrá-la à força? Travei o maxilar e cerrei os punhos. Não queria acreditar que Alessandro pudesse ter feito algo assim. Ele não era esse tipo de homem. Peguei a chaleira e derramei a água quente na xícara, mas, antes que pudesse terminar, ouvi vozes alteradas e uma comoção do lado de fora. Caminhei a passos largos até a porta. Ao abrir, vi os seguranças tentando conter Alessandro. Ele veio até mim, furioso, e, antes que dissesse qualquer coisa, acertei um soco no seu rosto. Ele me olhou sem entender, mas eu estava furioso. Meu peito subia e descia com a respiração acelerada. Limpando o sangue do canto da boca, ele disse: Alessandro — Ficou louco, Maike? Quero ver a Samanta. Onde ela está? Você a trouxe, eu sei. Com a voz baixa e carregada de ódio, retruquei: — Você não vai se aproximar dela, Alessandro. Saia da minha casa antes que eu perca a paciência e mande os seguranças atirarem em você. Essa foi a última vez que chegou perto da Samanta. Você a deixou sozinha, desgraçado. Ele me olhou como se não acreditasse no que estava ouvindo. — Eu não a deixei sozinha, p***a! Fui ao banheiro, e, quando voltei, ela não estava mais lá. Olhei nas câmaras saber o que houve, se alguém havia feito alguma coisa para ela, mas não achei nada. Só mostrou ela saindo correndo. — Não quero ouvir suas desculpas. Você insistiu em levá-la para aquele lugar. Eu vou descobrir o que aconteceu. Antes que ele pudesse responder, entrei e bati a porta na cara dele. Peguei o chá de Samanta e subi. Antes, passei no meu quarto para trocar de roupa. Quando entrei no dela, encontrei-a encolhida na poltrona. Para ser sincero, estava odiando vê-la assim. Quando seus olhos pousaram em mim, ela correu em minha direção e se agarrou a mim com tanta força que quase derrubei o chá. — Num quero ficá sozinha, por favor… Ele veio me pegá… Meus olhos se arregalaram, e eu paralisei. Depois de alguns segundos processando suas palavras, perguntei: — Quem quer te pegar, Samanta? Fizeram alguma coisa com você naquela festa? — Num… não quero ficá sozinha… Ela respondeu quase mecanicamente. Naquele instante, lembrei do dia em que entrei no quarto dela e a encontrei sonhando, murmurando coisas desconexas. — Tudo bem, não precisa falar se não quiser. Ela balançou a cabeça, e eu coloquei a xícara em suas mãos. — Você vai ficá aqui comigo? Franzi a testa, mas me vi balançando a cabeça positivamente. — Mas não vou dormir no seu quarto. Posso ficar até que você durma. Você precisa trocar os lençóis da cama, estão molhados. Outro trovão cortou o céu, e ela deu um sobressalto, derrubando a xícara no chão. O barulho da porcelana se estilhaçando ecoou pelo quarto. — Num quero… não me deixá sozinha… Ela começou a chorar. Sem pensar, a segurei nos braços e a levei para o meu quarto. Ela se agarrou a mim como se eu fosse sua única salvação. Deitei-me e a envolvi pela cintura, colando seu corpo ao meu. Cobri-nos e murmurei: — Durma. Não precisa chorar. Você está segura aqui. Ela balançou a cabeça e escondeu o rosto no meu peito. Eu precisava descobrir tudo sobre o passado de Samanta e o que realmente aconteceu naquela festa.
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