24

1221 Words
A luz da manhã invadiu o quarto de forma lenta e quase tímida. Os primeiros raios de sol atravessavam as cortinas claras, espalhando um brilho dourado pelo ambiente. O quarto, que durante a noite fora testemunha de emoções intensas, agora parecia calmo… quase inocente. Mas não era. O ar ainda carregava resquícios do que havia acontecido. Emily foi a primeira a despertar. No início, seu corpo ainda estava pesado, envolvido por um cansaço estranho, mas não desagradável. Era um cansaço diferente… profundo… como se cada músculo ainda lembrasse da noite anterior. Ela respirou lentamente. E então percebeu. Calor. Um calor firme, constante, envolvente. Seu corpo estava encostado em algo sólido. Seguro. Vivo. Seu coração falhou uma batida. Não. Ela abriu os olhos de repente. Alexander. O braço dele estava firmemente ao redor da sua cintura, puxando-a contra si, como se mesmo dormindo não quisesse deixá-la escapar. E ela… Estava completamente encaixada nele. A cabeça próxima ao peito dele. A perna levemente entrelaçada à dele. Como se aquilo fosse natural. Como se sempre tivesse sido. O coração de Emily disparou violentamente. Meu Deus… Ela ficou completamente imóvel. Sem saber o que fazer. Sem saber sequer como respirar direito. As lembranças da noite anterior vieram de uma vez. A cozinha. O olhar dele. A forma como ele a encurralou. O beijo. Aquele beijo que parecia carregar anos de espera. E depois… O quarto. O sexo. A entrega. A forma como tudo aconteceu de maneira intensa, inevitável, quase como se o destino tivesse finalmente decidido agir. Emily sentiu o rosto esquentar. E então… outra lembrança. A marca. Na sua coxa. O toque dele ali. O jeito como ele havia reagido. O jeito como ele… soube. Ela fechou os olhos por um segundo. Droga. Ele sabe. Aquela constatação fez seu estômago revirar. Antes que pudesse se afastar, Alexander se mexeu levemente. E abriu os olhos. Devagar. Sem pressa. Como alguém que já estava acordado há alguns segundos… apenas observando. Os olhos dele encontraram os dela imediatamente. E havia algo diferente ali. Não era apenas provocação. Não era apenas humor. Era… certeza. Emily congelou. O silêncio entre eles durou alguns segundos longos demais. Até que Alexander falou. A voz baixa. Rouca. Carregada de algo mais profundo. — Bom dia… Emily. Ela engoliu seco. — Bom dia. A resposta saiu mais fraca do que ela gostaria. Ela tentou se afastar, mas o braço dele ainda estava firme ao redor da sua cintura. Alexander não a soltou imediatamente. Pelo contrário. Aproximou-a ainda mais um pouco. Sutilmente. Como se quisesse sentir mais uma vez que ela estava ali. De verdade. Emily prendeu a respiração. — Alexander… — murmurou, nervosa. — Hm? — Me solta. Ele inclinou levemente a cabeça. — Por quê? Ela arregalou os olhos. — Porque… isso não devia estar acontecendo. Ele sorriu. Um sorriso lento. Perigoso. — Mas está acontecendo. Emily finalmente conseguiu se afastar, sentando-se rapidamente na cama, puxando o lençol para si mais por reflexo do que por necessidade. — Isso foi um erro — disse ela, apressada. Alexander permaneceu deitado, apoiado em um dos braços, observando-a como se estivesse assistindo a algo interessante. — Foi? Ela passou a mão pelos cabelos, claramente desconcertada. — Sim. Ele se levantou devagar. Sem pressa. Sem desviar os olhos dela. — Curioso, não foi o que disseste ontem entre os gemidos… — murmurou. — O quê? — Você sempre chama de erro algo que claramente quis. Emily levantou-se rapidamente. — Não comece. — Eu nem comecei ainda. O tom dele era calmo. Mas havia algo afiado por trás das palavras. Emily virou-se de costas, tentando se recompor. — Isso não muda nada. — Ai , não? Ela cruzou os braços. — Não. — Então você não sente nada? A pergunta veio direta. Sem rodeios. Emily hesitou. Por um segundo. E foi o suficiente. Alexander percebeu. Ele sempre percebia. Um leve sorriso surgiu nos lábios dele. Mas não era um sorriso de deboche. Era de quem acabara de confirmar algo importante. Ele deu alguns passos em direção a ela. — Emily… Ela não se virou. — O quê? A voz dela saiu mais baixa agora. Menos firme. — Você vai mesmo fingir que não sabe? O coração dela acelerou. — Não sei do que você está falando. Ele se aproximou ainda mais. Parando bem atrás dela. Perto demais. — Sabe sim. Emily fechou os olhos por um instante. — Alexander, eu… — Aquela noite. Ela congelou. — No baile de máscaras. O silêncio tomou conta do quarto. Denso. Pesado. Inegável. Emily virou-se lentamente. Os olhos dele estavam fixos nela. Intensos. Seguros. Sem qualquer dúvida. — Você já sabe — disse ela, quase em um sussurro. Não era mais uma pergunta. Era uma constatação. Alexander deu um leve sorriso. — Sei. A palavra caiu entre eles como uma sentença. Emily sentiu o chão sumir sob seus pés por um segundo. — Desde quando? Ele cruzou os braços. — Desde ontem à noite. Ela desviou o olhar. — Por causa da marca… Alexander assentiu lentamente. — Eu nunca esqueci. O coração dela apertou. Ele deu mais um passo. — Nem o beijo, nem o quanto você é uma deusa na cama. Emily respirou fundo. Tentando manter o controle. — Aquilo foi há anos. — Eu sei. — Não significa nada agora. Alexander soltou uma leve risada. Mas não havia humor nela. — Não significa? Ele se aproximou ainda mais. Agora estavam a poucos centímetros. — Então por que você reagiu daquele jeito quando eu toquei na marca? Emily não respondeu. — Por que o beijo foi exatamente igual? _ Por que você se rendeu aos meus toques e carícias? Silêncio. — Por que você está tremendo agora? Ela fechou os olhos. Droga. Ele estava certo. Ela estava tremendo. Alexander ergueu a mão lentamente. E tocou levemente o braço dela. O toque foi suave. Mas fez o corpo inteiro dela reagir. — Você também não esqueceu — disse ele, mais baixo agora. Emily abriu os olhos. E dessa vez não fugiu. — Não… — admitiu, finalmente. A confissão saiu baixa. Mas carregada de verdade. Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos. A atmosfera entre eles mudou. Já não era apenas tensão. Era algo mais profundo. Mais perigoso. — Isso só complica tudo — murmurou ela. Alexander inclinou levemente a cabeça. — Ou talvez esclareça tudo. Emily soltou uma pequena risada sem humor. — Não. Complica. Ela se afastou um pouco. — Nós temos um contrato, Alexander. — Eu sei. — Um ano. — Eu sei. Ela o encarou. — E depois disso… acabou. O olhar dele escureceu levemente. Mas ele não respondeu. Emily respirou fundo. — Eu não posso me permitir sentir coisas que vão desaparecer depois. As palavras dela eram firmes. Mas havia medo nelas. Muito medo. Alexander a observou em silêncio. E pela primeira vez desde que acordaram… Ele não provocou. Não sorriu. Não ironizou. Apenas a olhou. Como se estivesse tentando entender algo mais profundo. — Então você prefere fugir? — perguntou ele, finalmente. Emily sustentou o olhar. — Prefiro não me destruir. O silêncio caiu entre eles novamente. Mas dessa vez… Era um silêncio carregado de algo inevitável. Porque agora ambos sabiam. Sabiam do passado. Sabiam do presente. E, principalmente… Sabiam que estavam começando a sentir algo que nenhum dos dois conseguiria controlar por muito tempo.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD