Narrado por Kevão O dia foi passando arrastado, igual alma penada rondando o morro. O rádio chiando, os vapores rodando, e eu? Sentado ali no trono da boca, com o corpo presente, mas a cabeça… só nela. Na Rebeca. Na mãe dela. ** Final de tarde, voltei pra casa. Subi devagar, cada passo mais pesado. Abri a porta e, logo de cara, senti o cheiro de café forte e comida frita se espalhando. Dona Alzira tava lá, toda ajeitada, mexendo panela como se mandasse no pedaço. Fechei a porta forte. — “Ô, dona Alzira… que faz aqui essa hora?” — soltei, sem paciência. Ela nem olhou. Só mexia a colher na panela com calma. — “Fiz café. E botei um feijão pra esquentar.” — “Não perguntei isso.” — fui seco, largando a Glock na cadeira. — “Perguntei o que tá fazendo aqui.” Ela respirou fundo, limp

