Rebeca — Mãe, tem uma coisa que a senhora precisa saber…” Ela afastou um pouco o rosto, me encarando. — “O quê?” Respirei fundo. O nó na garganta engasgado há dias. — “Não foi o SUS. Não foi milagre.” Ela franziu a testa. — “Como assim?” — “A sala… os exames… o tratamento caro… foi ele.” Ela ficou me olhando, confusa. — “Ele quem, Rebeca?” Engoli seco. — “Kevão.” A boca dela se abriu num susto mudo. Os olhos arregalados. A respiração suspensa. — “O menino do morro… o… o que era da boca?” Assenti, devagar. — “Ele mesmo.” Ela levou a mão à boca, tremendo levemente. — “Mas por quê? O que ele tem a ver comigo?” — “Fábio.” Ela travou. — “O quê?” — “Mãe… foi o pai do Kevão que matou o Fábio. E ele… ele sempre soube disso. Carregou essa culpa desde pequeno.” Ela levou a mã

