— Narrado por Rebeca O sol nem tinha dado as caras ainda. Mas eu já tava de pé. Roupa simples, cabelo preso, o coração num aperto que só quem tá desempregada entende. Eu sabia que ia ser um dia longo. Mas pior do que não ter onde cair morta… era não tentar. Minha mãe ainda dormia. A respiração mais leve, mais estável. Aquilo me dava força. Me lembrava que, mesmo com tudo, ela tava viva. E que agora era por ela também. Peguei a mochila. Dentro: currículo impresso, garrafinha d’água, coragem dobrada e um batom velho que sempre me fazia sentir mais forte. ** Primeira parada: uma escola de dança no Centro. Moderna. Vidros espelhados. Portão com senha. Entrei e fui direto pra recepção. A recepcionista me olhou de cima a baixo. O sorriso? Seco. Forçado. — “Pois não?” — “Vim deixar um

