capítulo 48

892 Words

NARRADO POR KEVÃO A noite já tinha comido a favela quase inteira quando Canela entrou na boca, ofegante, o radinho preso na cintura e a cara séria. Eu tava na cadeira de sempre, cigarro queimando lento no canto da boca, mas por dentro… o peito roncando. — “Patrão…” — ele começou, ajeitando a postura. — “O moleque voltou.” Levei o cigarro à boca. — “Qual moleque?” — “O Pitoco. Aquele que cê mandou ficar de olho nela.” Me endireitei na cadeira. — “Manda entrar.” Canela assentiu e saiu. Segundos depois, o moleque apareceu. Pequeno, magrelo, suado. Tinha o olhar de quem viu mais do que devia. — “Fala.” Ele engoliu seco, tirou o boné da cabeça e apertou contra o peito. — “A professora…” — “Rebeca.” — cortei. — “Fala o nome dela.” Ele abaixou os olhos, respeitoso. — “A Rebeca… tá

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