NARRADO POR REBECA Voltei pra casa sem lembrar do caminho. Os olhos ainda úmidos, o gosto dele ainda grudado na minha boca. Mas o peito? O peito era território em guerra. Entrei sem falar nada. Minha mãe tava sentada na cadeira de plástico, com a televisão ligada num volume baixo e a Bíblia aberta no colo, mas o olho… já sabia que eu vinha diferente. — “Rebeca?” Eu joguei a mochila no canto. Sentei no sofá. Olhei pro chão. Ela insistiu: — “Aconteceu alguma coisa?” Fiquei quieta por um tempo. E quando falei… nem era pra ela. Era pra mim. — “Descobri uma coisa hoje.” Ela fechou o livro devagar. O corpo virado todo pra mim agora. — “Sobre o Fábio.” Minha voz saiu baixa, arranhada por dentro. Ela trancou o maxilar. — “Fala.” — “Kevão apanhou. Apanhou tentando proteger el

