NARRADO POR REBECA Acordei com o corpo moído, os olhos grudados e a alma latejando como se tivesse levado uma surra. A claridade da janela era fraca, o ventilador girando lento, e minha mãe ainda dormia do outro lado do quarto. Sentei na cama com dificuldade. O peito apertado, como se algo estivesse pra acontecer. Arrastei os chinelos, fui até a sala e liguei a TV só pra fazer barulho — mas o que eu ouvi me fez congelar no meio da sala. “Três estabelecimentos comerciais foram invadidos e depredados na madrugada de hoje...” A imagem apareceu: a academia. A academia. A p***a da academia onde me humilharam. Vidro quebrado, equipamento destruído, parede pichada com tinta preta: “FAVELA NÃO ESQUECE.” Meu coração disparou. A repórter falava: — “A polícia ainda investiga o motivo das a

