A quadra ainda fervia. As palmas ecoando nas paredes de concreto, as vozes misturadas num barulho bom. Um barulho de mudança. De virada. Mas eu desci do palco com o coração na mão. A mão trêmula. O peito pesado. O suor escorrendo não era só de nervoso, era de alívio também. E foi quando eu vi ela. Márcia. Andando devagar. Sem pose. Sem arrogância. Só com o rosto cansado e os olhos úmidos. Parou na minha frente. Não disse nada de cara. Só me olhou. — “Você tem razão.” A voz dela era baixa. Rasgada. — “Eu fui dura demais com a Aline. E com você.” Fiquei quieta. Ela continuou. — “E a verdade é que… eu falei muita merda porque deixei outra falar por mim.” — “Outra?” — perguntei, já sabendo a resposta. — “A Vanessinha. Aquela língua venenosa. Disse que você tava querendo cor

