NARRADO POR REBECA A quadra já tava vazia. Só restava a gente. As cadeiras empilhadas num canto, os panos molhados largados perto do palco, o chão ainda com marca de chinelo e suor de dança. O sol descia devagar, deixando a favela dourada de cansaço. Sentei no chão, esticando as pernas. Suspirei fundo. Foi quando a Josi sentou do meu lado. Ela ainda usava o cropped justo, a calça estampada e aquele batom vermelho que parecia gritar “ninguém manda em mim”. — “Cansada, patroa?” — ela soltou, rindo. — “Exausta.” — respondi, afundando a cabeça entre os joelhos. Ela tirou o elástico do cabelo, passou a mão e disse: — “Cê mandou bem demais, viu. Até minha sogra, que vive dizendo que funk é do d***o, ficou calada.” — “Deus tá trabalhando,” — brinquei, rindo de canto. — “Mas juro que a

