Narrado por Kevão O garfo raspava no prato. A carne dura entre os dentes. O silêncio cortando a cozinha no meio. Dona Alzira mexia a panela, calada. A TV chiava baixo, falando qualquer coisa que nem me interessava. Eu só mastigava. A cabeça latejando. A raiva pendurada no peito. ** Ela pigarreou de leve. Não olhei. Continuei comendo. — “Fui na cidade hoje…” — ela soltou, mexendo no feijão. A voz dela veio meio ensaiada, meio medrosa. Continuei quieto. Só ouvindo o barulho da colher batendo na panela. — “Encontrei uma conhecida minha… a Tereza, sabe? Aquela que mora perto da irmã do Fábio… da Rebeca.” Minha mão parou no garfo, mas não falei nada. Ela continuou, tateando coragem: — “Tava me contando… que a mãe da menina tá m*l mesmo. Bem m*l. Hospital direto. Dizem que el

