Narrado por Rebeca A luz fria da enfermaria cortava minha alma em fatias. Sentada naquela cadeira dura, encostada na parede mofada do hospital, eu não tinha mais nem corpo — só o cansaço. Cansaço no osso. No pensamento. Na esperança. Minha mãe tava lá dentro. Intubada. Cheia de fio. Cheia de silêncio. E eu aqui. Com tudo dentro de mim gritando. ** A bolsa escorregava no meu colo, a alça arrebentada, igual minha fé. As costas doíam de tantas horas parada, mas levantar… Levantar pra quê? Levantar pra enfrentar o quê? ** Fechei os olhos. A imagem dela veio clara. Minha mãe. Do jeito que sempre foi: dura, áspera, cheia de crítica atravessada. “Fecha a boca, Rebeca, tá comendo demais.” “Essas roupas tão apertadas.” “Ninguém vai te respeitar com esse tamanho todo.” Eu cres

