Kaleb estava no seu escritório, com uma fotografia na mão. A mulher que carrega o seu bem mais precioso. Havia sete fotografias no envelope. Nenhuma era do ultrassom. Kaleb reparou nisso e não gostou. A sensação ele conhecia: era a mesma dos primeiros meses depois de Isadora. A coisa tinha nome, ele sabia o nome em três idiomas, e mesmo assim se recusou a pronunciá-lo — porque saudade é o que se sente de quem se perdeu. E não se perde uma mulher que nunca se teve. Kaleb olhou a fotografia na mão. No quarto azul, deitou a foto na primeira gaveta da cômoda, ao lado da imagem do ultrassom. Uma criança e uma mulher. A mão demorou meio segundo a mais para fechar a gaveta — o meio segundo em que ele registrou que já não sabia dizer qual das duas o tinha feito subir a escada. ANA Numero

