CAPÍTULO VINTE E SETE.
Selene Moreau
Como se a minha cabeça estivesse submersa no oceano, os meus ouvidos não conseguem escutar nada.
Os meus olhos estão em todos eu de frente para mim, olham na minha direção.
Eu estou sentada à mesa, numa espécie de altar ao lado do canalha do Zade, que já assinou esse maldito documento de casamento, e agora me encara como os outros, esperando que eu faça o mesmo.
O meu coração está ameaçando sair pela minha boca, e a esperança que eu tinha que o Laurent apareceria vai diminuindo a cada milésimo que a pressão me toma.
— Selene — ouço o Zade falar entredentes, e eu olho na sua direção irritada.
O meu olhar desce para a sua mão porque ele tira a arma e aponta na direção do Lion e da Vesper que está do meu lado oposto como meus padrinhos.
O meu corpo enrijece, e por medo, eu forço a minha mão a ir até ao papel.
A minha mão está tremendo.
Eu não vou assinar, eu não posso... Não consigo.
O som de tiro soa, com ele se levantando do meu lado.
Tremo.
Sua arma vai na direção da cabeça do Lion.
— Assine antes que uma bala atinja alguém, Selene — ele diz, me ameaçando na frente de todo o mundo.
Ninguém faz nada. Aqui ninguém nunca faz nada!
Nem o meu pai, nem a minha mãe.
— Assine! — ele ordena, sentando-se.
Os meus olhos se enchem de lágrimas de raiva.
S...
No momento em que a primeira letra do meu nome estava no papel, dois carros enormes entram acompanhados de som de tiros.
— Ah... — grito de algumas pessoas soa, enquanto umas se baixam e outras correm.
— Para baixo, Selene — Lion diz, me puxando, e eu que estava meio paralisada.
Espreito por detrás da mesa, curiosa, e o meu coração que segundos atrás estava agitado, se acalma, ao ver ele.
Ele e mais!
Ele veio!
— Pousem as armas! — Apollo manda, ele está na parte de trás do carro, com algo que parece ser aquele as armas de canhão de guerra, mas menor e mais sofisticada.
O Harper e o Damian estão aqui também.
Loucura!
— Eu sou o Laurent Duvall — a presença dele, a voz dele, me cria um frio na barriga.
Ele está com uma arma na mão, descendo do carro e falando com todos como se os tivesse comprado.
Como se fosse o dono deles.
O meu olhar vai para o meu pai por um instante, e ele está num misto de furioso, surpreso, e pálido.
Eu só tenho medo que o choque passe e eles resolvam simplesmente atirar nele.
— Quanto a esse casamento — ele fala, andando por eles. — Enquanto eu existir, ninguém se casará forçadamente — fala, vindo até mim, e eu estou paralisada, com as pernas trêmulas.
— Vamos — ele diz, e o meu coração ameaça sair pela boca.
Sem conseguir me mexer, ele me joga por cima do seu ombro, com uma mão, pois na outra ele segura uma arma.
— Selene — escuto a voz da minha mãe, e no mesmo instante mais tiros soam, mas vem deles e não da minha família.
Neste momento, não estou me importando de estar estendida cabeça a baixo no ombro dele.
Eu estou mesmerizada.
Ele me vira como se nada fosse e me coloca sentada no banco de passageiro, e a minha reação é sorrir, quando o ser vivo na minha frente simplesmente pisca o olho para mim, antes de fechar a minha porta e dar a volta.
Mal ele entra, ele já acelera para fora daqui e o outro carro com os outros bem logo atrás.
— Você veio — falo, depois de uns minutos.
Seu olhar azul vem para o meu, e o meu rosto esquenta.
— Eu espero que não tenha assinado a merda daquele papel — bem delicado, graças a Deus.
— Não assinei — falo, o observando.
— Eu não sabia que sabia manusear armas — comento, com o meu coração pulando.
Por um lado achando extremamente atraente, por outro lado, um pouco assustada e do outro, preocupada.
Ele se mantém em silêncio, e eu olho para frente.
— Mas eu também não sabia que você era filho do Anakin Duvall — falo mais para mim do que para outra coisa.
É óbvio que ele sabe manusear armas. E também explica a facilidade dele quebrar a cara do Zade com apenas um soco.
— Você está bem? — pergunta, e eu assinto.
— Estou — afirmo.
Melhor do que nunca.
— Você os chamou? Quando eles vieram para cá? — pergunto, feliz, olhando pelo retrovisor.
— Essa madrugada — responde, e eu suspiro, voltando a olhar para frente.
— Para onde vamos? — pergunto, curiosa.
— Para a minha casa — ele diz, e eu assinto.
— O meu pai pode encontrar você, pode matar você se continuar aqui — deixo avisado, e ele me encara.
— Se tem alguém que deve ficar preocupado é o seu pai — o seu tom é de raiva disfarçada.
Com razão! Ele atirou no pai dele…
— Obrigada — simplesmente falo, me virando para frente, e mesmo eu sentindo o olhar dele em mim, ele não responde.
O meu coração está pulando de adrenalina, felicidade, medo...
Eu não sei exatamente o que estou sentindo. Eu estou com a minha cabeça espiralando.
Chegamos a área das montanhas, eu conhecia essa mansão.
Nós também temos uma aqui, mas fica mais para baixo, e essa sempre me chamou atenção, por conta da arquitetura, e do design robusto.
O enorme portão preto, abre e ele acelera, enquanto os meus olhos observam esse lugar que eu estava demasiado curiosa em ver além dos murros altos.
Bonito, muito bonito.
Tem vários carros aqui, e só mais dois seguranças.
Muito perigoso.
O meu pai e o pai dele estão cheios de seguranças, e ele, está andando à toa.
— Você só tem dois seguranças? — pergunto, retirando o cinto assim que ele estaciona.
— Eles são do meu pai, eu não tenho seguranças — diz, e eu não tenho certeza se ele sabe como as coisas funcionam aqui.
Desço do carro, e vejo eles descendo também.
O sorriso que toma o meu rosto é incontrolável, eu estava com tanta saudades deles.
— Damian, Harper! — falo, indo até eles. E recebo um abraço de ambos.
— Eu não acredito que eles receberam um abraço, e mesmo depois do meu trabalho árduo, eu recebi nada — o Apollo diz, fazendo-me sorrir.
— Só você para vir nos fazer vir até esse fim do mundo — o Harper diz, e o observo.
— Vocês vieram só para isso? — pergunto, me sentindo realmente importante.
— Só? — o Damian pergunta, inquisitivo.
— Você estava quase chorando ali, e acha pouco? — ele pergunta, e eu suspiro.
— Por que você não falou connosco? Você estava zangada com o Ren, e não com a gente — o Harper diz, e as minhas bochechas coram.
— Sejam bem-vindos! — uma senhora dos seus quarenta anos diz, e eu assinto, levantando o meu olhar para o Laurent.
— Obrigada, Zafina! — ele diz.
— Por favor, diga para os seguranças guardarem isso — ele pede, e ela assente.
— Vamos entrar — o Laurent diz, e eu estou queimando de vergonha, eu não sei exatamente o que fazer, e nem como agir.
— Vamos, Selene! — o Apollo diz, pousando a mão dele no meu ombro, e me encaminhando para dentro da casa.
— Fique a vontade, daqui em diante essa é a sua casa — o Laurent diz.
Isso soou tão surreal, que eu estou literalmente perdendo a cabeça.
— Sente-se — ele diz, assim que entramos na sala e, oh, muito bonita...
Eu me sento, com as minhas pernas já pedindo por isso desde que desci do carro.
— O que você quer? Whisky, Djin, vinho, água, sumo? — o Apollo pergunta, enquanto eu me sento.
— Chá — respondo, e ele assente.
O frio na minha barriga precisa sumir.
— Eu vou fazer — ele diz, saindo, e eu observo o Damian e o Laurent servindo whiskey, e eu estou um pouco atrapalhada com muitas coisas.
— Desde quando vocês sabem manusear em armas daquele calibre? — estou genuinamente curiosa.
Eu conheci o Damian uma vez aqui, mas só voltei a vê-lo e com todos os outros lá, em Nova Iorque, que era onde eu estava estudando.
Eles são todos amigos, amigos muito próximos, e por mais intimidantes que tendem a parecer por conta da aparência muito surreal para ser real, eles são uns fofos.
E, eu nunca havia visto nenhum deles lutar, ou ser agressivos.
Eles eram completamente diferentes — pelo menos, aos meus olhos — do que o que eu cresci habituada.
E isso é um pouco confuso e surreal para mim, principalmente depois de saber que o Laurent é simplesmente filho, e único filho do Anakin Duvall.
— Longa história, Sel... — o Damian responde, de forma raspada, sentando-se.
— Mas você não respondeu — Harper diz. — Por que você não nos ligou? — ele pergunta.
— Eu não queria ter de trazer nenhum de vocês para esse fim do mundo — repito a fala dele, de forma sarcástica, e suspiro.
— Eu não podia chamar vocês, o que eu diria? Que o meu pai quer me obrigar a casar com alguém? Depois do amigo de vocês simplesmente ter sumido da minha vida sem justificativa alguma? — questiono.
— Sim — eles respondem, e eu reviro os olhos.
— Nós também somos seus amigos, não? Nós não deixaríamos você na mão — o Harper diz, e eu suspiro.
— Não foi isso que passou pela minha cabeça, e outra... — falo. — Eu não sabia que o Laurent era filho do inimigo do meu pai, e se ainda não perceberam, aqui a inimizade acaba em morte — falo, e eles se entreolham, mas não surpresos.
— Depois disso... Eu não sei o que o meu pai pode fazer, eu não queria que nenhum de vocês se tornasse um alvo dele — falo.
— Eu não sabia que vocês tinham outra identidade — comento, olhando para o Laurent.
— Aqui — o Apollo diz, me entregando o xícara de chá.
— Obrigada! — agradeço, sentindo o olhar do Laurent em mim.
Eu estou realmente nervosa, mas não num sentido r**m.