CAPÍTULO VINTE E NOVE.
Selene Moreau
— Eu já sabia que a sua família era peculiar, mas isso conseguiu superar — o Damian diz, quando contamos do que a minha bendita prima fez.
— Selene, o que se passa? — o Laurent pergunta, me observando.
Minha perna não está parando quieta.
— O que vai acontecer agora? — pergunto. — Eles virão para cá a qualquer momento, e... — ele corta.
— E eles não farão nada com você, e tão pouco levarão você daqui — reafirma, olhando nos meus olhos.
— Você não conhece o meu pai — falo, e vejo o maxilar dele cerrando.
— Ele não me conhece — ele me retifica, e o meu coração acelera.
— E qual é o seu plano? — pergunto, genuinamente curiosa.
— Você disse que não assinou aquela certidão, não? — ele pergunta novamente, e eu assinto.
— Eu não assinei — afirmo.
— Ótimo, essa viagem teria sido em vão — o Harper diz, enquanto eu observo o Laurent se levantar, ir até uma cômoda, e retirar um documento.
— O que é isso? — pergunto, curiosa, e ele me entrega.
O nome dele... o meu...
Uma certidão de casamento?!
O meu corpo entra em choque e os meus olhos arregalam-se encarando cada um deles, que me observam.
— Uma certidão de casamento? — pergunto sentindo o meu rosto queimar. — Com os nossos nomes... O que é isso? — pergunto, confusa, porque já tem a assinatura dele aqui.
— Uma certidão de casamento — o ser vivo na minha frente responde, como se nada fosse.
— Vocês estão bem? — pergunto, os encarando.
— Eu e o Laurent estamos separados. SE-PA-RA-DOS! — exclamo. — Entenderam? — pergunto, me levantando.
— Foi você que fez isso? — pergunto, para o Harper.
— Eu estive agindo como assistente do Ren por vinte e quatro horas agora — ele responde, e eu encaro o Laurent.
— O que está tentando fazer, Laurent? — pergunto.
— Impedir que tirem o que é meu de mim, mais uma vez — o frio na minha barriga é enlouquecedor.
— Eles não virão por eles mesmos, eles chamarão a polícia para cá alegando que eu sequestrei você — ele diz, casualmente.
— Mas se nós estivermos oficialmente casados, eles não terão como tirar você daqui — ele diz, com uma tranquilidade que me deixa embasbacada.
— Não terá de ficar escondida — o Damian diz.
— Vocês têm noção do que assinar isso significa? — pergunto, atônita. — Você tem noção do que isso significa, Laurent? — pergunto, e o cara só me encara com o seu belo rosto.
— Parece que eu não sei o que estou fazendo? — questiona, e eu suspiro.
— Casar, com você... Você estava noivo de outra pessoa um dia atrás se é que terminou com ela, e quer que eu me case com você, sendo que nem juntos estamos? — pergunto.
— Na verdade fazem três dias que eu já não estou noivo, e se formos seguir a sua lógica, Selene... Eu acabei de tirar você de um maldito casamento — ele diz, e eu suspiro.
A minha mente está que nem um motor de carro que não pega, eu estou genuinamente tentando meter as coisas na minha cabeça, entender o que aconteceu direito e agir conforme, mas estou simplesmente confusa.
E com os meus hormônios todos pulando.
— Eu não quero ser chato — Damian diz, e eu já sei que vem a coisa. — Mas você não tem muita escolha, Selene — ele diz, e é a mais pura verdade.
— Nós precisamos mandar esse documento de volta, porque podem tentar revogar, é por isso que eu tive que tratar dessa documentação lá e não aqui — o Harper diz.
Não é como se isso fosse a coisa mais difícil de entender, mas nada é como eu imaginei.
Casada... agora?
Com ele?
Assim?
Desse jeito, nesse estado, com minhocas ainda na minha cabeça?
A minha mente parece estar colidindo com o que éramos sete meses atrás, durante e agora.
Ele está me safando, e salvando, mas era desse jeito que eu queria?
Não...
Não era, mas eles têm razão.
Um casamento conveniente.
— Ninguém está obrigando você a nada, isso é só para proteger você — o Laurent diz, e suspiro pegando a caneta.
Assino de uma vez, e empurro pela mesa para o lado do Harper.
— Aí — falo, pegando novamente na xícara de chá, tentando fingir que eu simplesmente não assinei um documento que muda automaticamente o meu status de solteira para casada, com o homem que eu não tive contacto algum até uma semana atrás.
Como se até lá, eu não tivesse estado simplesmente afogada por causa dele, não diretamente, mas continua sendo.
— Hey, tudo bem? — o Laurent pergunta, e a voz dele, rebenta com os meus hormônios.
— Huhum... — afirmo, retirando os saltos dos meus pés.
— Eu estou extremamente feliz, mas a sua cara não me permite expressar isso — o Apollo diz.
— Não tem nada para ficar feliz, isso é um casamento de conveniência, Apollo e não um de verdade — falo, levantando-me sob o olhar deles.
— Muito obrigada pelo que fizeram — falo, não querendo soar m*l agradecida, e tirando o meu celular do bolso.
— Pode colocá-lo a carregar para mim? — pergunto para o Apollo que assente.
— Onde fica a cozinha? — pergunto.
— Para aquele lado — o Laurent diz, e eu assinto saindo.
Mal entro no corredor e eu sinto o meu coração despencar num misto de adrenalina, felicidade, e confusão.
Quero rir, quero chorar.
Talvez eu seja mesmo uma maluca...
Eu estou casada com o canalha do filho do Poseidon, literalmente...
Ele é filho do Anakin Duvall.
Eu me casei com o inimigo do meu pai, depois de fugir do casamento arranjado que ele fez para mim.
— Como as coisas vão ser? — questiono-me internamente.
— Falou comigo, senhorita? — a senhora que veio nos atender quando chegamos pergunta, e eu coro.
Eu estou falando sozinha na frente das pessoas.
— Eu disse que a cozinha é bonita — não falei isso, mas não é uma mentira. — E pode me chamar apenas de Selene — falo, apresentando-me.
— Ela realmente é, senho... Selene — ela diz. — Eu sei quem a senhorita é, prazer em conhecê-la — ela diz, e bem se ela for daqui me conhece sim.
— Sempre trabalhou aqui? — pergunto, indo até ao lavatório lavar a xícara.
— Sempre — ela afirma. — Desde que o seu pai ocupou as terras do Norte — ela comenta, fazendo-me virar o meu olhar para ela.
— Ocupar? — pergunto, um pouco confusa. — A senhora trabalhava nelas? Desculpa, não entendi — falo, por conta do tom com o qual ela falou.
— Eu não só trabalhava, como morava lá e tinha as minhas produções lá com o meu marido — ela fala, e eu consigo ver dor no olhar dela.
Que não seja o que eu estou pensando.
— Mas o seu pai as tomou para ela, e nós não tivemos como recorrer por elas — a sua fala soou como vidros estilhaçando contra o chão.
Uma coisa tão c***l, e que eu nem posso defender o meu pai, porque isso é simplesmente o que todos eles fazem.
Que vergonha.
— Eu sinto muito — falo, sentindo.
Ela com certeza deve achar que eu sou tão i****a como ele.
— Está tudo bem, querida, isso faz um tempo — ela diz. — E não é culpa sua — ela fala, e que droga, hein...
— Quanto tempo passou não importa, as terras são suas e ele não devia ter tirado o que tinham de vocês — eu falo, indignada, e ela sorri.
— O seu coração é bom — ela diz, e humn... eu não teria tanta certeza disso. — O que o seu pai faz, não é culpa sua — ela diz, e eu estou ainda mais frustrada.
Eu sei que não tenho culpa, mas não é como se eu pudesse agir normalmente na frente das pessoas de quem ele faz ou fez m*l.
E não é como se todas se importassem em saber se eu concordo ou não com o que o meu pai faz.
— Me desculpe — peço, genuinamente sentida, e ela assente.
— Se está aqui é porque não concorda com o seu pai, e isso basta — fala, e eu assinto.
Termino com a xícara, e sem realmente saber o que falar volto para a sala.
— Hamn, eu vou mandar isso ser registrado agora — o Harper diz, se levantando assim que me vê.
— Eu acompanho você — o Apollo diz, e humn...
Eu já percebi o que eles estão tentando fazer.
— Eu vou turistar, nos vemos mais tarde — o Damian diz.
— Se querem saber a minha opinião, não é seguro que nenhum de vocês saia por enquanto — falo.
— Não iremos demorar, não se preocupe, Sel — dizem, já saindo.
A porta fecha, e no segundo seguinte, estou apenas eu e ele sozinhos nesse cômodo.
— Venha — ele diz depois de um tempo, quebrando o silêncio e saindo na minha frente.
Meu coração bate a mil por milésimo, o meu corpo está ebulindo, os meus membros estão enfraquecidos pela presença dele que eu m*l consigo subir as escadas.
Quando foi que eu parei de saber andar, agir, ou falar, ou até me entender?
Ele abre uma porta no final do corredor aqui em cima.
Um quarto, enorme...
Uma cama, e não parece dele ou meu, tem porta retratos milimetricamente espalhados com fotos de ambos nele.
— O que é isso? — pergunto, entrando com ele.
— Porta retratos — ele diz, fazendo-me revirar os olhos e o encarar.
— Eu sei! Eu estou perguntando por que, o que você está fazendo? — pergunto, e ele suspira.
— Tentando, foi isso que você me mandou fazer, não? — ele diz, num misto de seriedade e sarcasmo.
— Eu sei que você está apavorada pela bagunça causada por uma armadilha, que eu infelizmente caí — seus olhos estão nos meus e o meu sistema respiratório não está funcionando direito.
— Mas eu não pretendo deixar você ser de mais ninguém, além de minha. Eu não posso seguir sem você — ele diz, e olha para o teto, frustrado, e eu vermelha. — Eu tenho medo com até onde eu iria por você. Você está me fazendo perder o controle — extremamente quente, e molhada.
— Isso é bom... — falo, sentindo as minhas bochechas corando, e ele sorri. — Continue — falo.
— Até quando pretende me torturar? — pergunta, e eu suspiro dando de ombros.
— Eu não estou te torturando — respondo. — E, então? Esse será o meu quarto? — pergunto querendo mudar de assunto.
— Nosso — retifica, na maior casualidade.
— Têm mais quartos nessa casa que eu sei, Laurent — falo, o encarando.
— Eu me mudei a pouco tempo, alguns quartos precisam de reformas e os outros estão ocupados — ele responde, e eu afino o meu olhar para ele.
— Você está fazendo isso de propósito — falo, e ele sorri, me encarando e que sorriso.
— Também — ele diz, e olha o descaramento desse ser vivo.
— Mas, a Zafina mora aqui, o Apollo também, o Damian e o Harper ficarão aqui por mais um tempo — ele diz, e eu assinto.
Eles ficarão aqui por mais tempo... Tem muita coisa que eu não sei, e está incomodando os meus ouvidos e a minha cabeça.
O que mais ele está me escondendo?
— ... — assinto, com um gelado intenso na minha barriga.
— O seu closet fica ali — ele diz. — Tem tudo o que precisa, mas me deixe saber se precisará de mais alguma coisa — ele fala, e eu volto o meu olhar para ele em choque.
Como assim tem tudo que você precisa, de ontem para hoje?
— Eu estarei lá embaixo — diz, e eu assinto.
Ele sai e eu caminho até ao closet.
E ele recheou ele, roupas completamente o meu estilo, verifico os tamanhos e ele acertou.
Tem algumas peças aqui que lembro que tinha deixando no meu apartamento quando me trouxeram de volta a força.
Tudo!
Acessórios, maquiagem, skincare, absolutamente tudo.
Eu sabia que ele presta atenção em muitas coisas, mas não sabia que a esse ponto, ao ponto de ser tão detalhistas sobre as minhas coisas.
Impressionada.