22

1928 Words
CAPÍTULO VINTE E DOIS. Selene Moreau Chegamos mais rápido do que eu gostaria. Até o ar é diferente nessa mansão. — Bem-vinda, senhorita Selene! — o Kran diz, e eu sorrio o abraçando. Pouco dos que eu realmente gosto nessa casa, só podia ser esposo da Kaiane. — Obrigada, Kran! — agradeço, e me afasto deixando-o ficar com a esposa dele. — O que está acontecendo aqui? Por que mandaram que nós viéssemos tão rápido? — a Kaiane pergunta por mim, e eu o encaro curiosa. — Fale logo, Kran! — falo, perante a sua hesitação. — Ele soube que o filho do Duvall estava lá — ele fala, e eu reviro os olhos. Caminhando com eles para longe do heliponto aqui, que fica há uns metros da mansão. — O nome dele é Laurent e você sabe, Kran — a Kaiane diz. — Eu não quero ser evasivo. Mas, por acaso, a senhorita voltou com ele? — ele pergunta, e eu ruborizo. — Por favor, Kran... — simplesmente falo, querendo escapar e acelerando os meus passos para longe deles. — Isso foi um sim ou um não? — ouço-o perguntar "discretamente" para a Kaiane. Valha-me! Caminho com a minha bolsa que contém o pendrive que retirei da mala antes de sairmos do resort. Depois disso, eles com certeza terão de terminar com essa besteira. Ele não vai aceitar que a filha se case com um homem assim. Ele não deve. Que pai iria querer? Mesmo o meu pai sendo ele. — Selene! — a Vesper grita correndo até mim. — Vesper! — grito, fazendo o mesmo. Nossos corpos colidem, e os nossos braços apertam uma a outra fortemente. — Eu estava com saudades! — ela diz, e eu sorrio. — Eu também! — falo. — Minha filha... — a minha mãe diz, vindo me abraçar, e sabe bem. — Mamãe — digo. — O que aconteceu com o seu cabelo? — ela pergunta, me observando. — Ela estava na praia, senhora Lorena — a Kaiane responde, por mim. — Oh, Kaiane! Como está, querida? — ela pergunta, dando dois beijinhos nela. — Bem, obrigada! E a senhora? — ela pergunta. — Bem, querida. A sua mãe está com saudades suas — ela diz, e me observa. — Podia ter dito a Selene para pentear o cabelo — ela fala, e eu reviro os olhos. — Se o seu marido não tivesse nos feito vir às pressas, ele estaria finalizado — falo, entrando. — Quem está aqui? — pergunto, entrando. — As mesmas pessoas de sempre! Esperando por você — a minha mãe responde, saindo na minha frente, e eu olho para a Vesper que me oferece o olhar complacente. Tem a ver com o que ela me contou ontem. — Oh, olha quem chegou! — a Medina, minha madrasta diz, e eu me seguro para não revirar os olhos com o seu tom debochado. Todos estão aqui, realmente e infelizmente. O meu pai, ela, os meus primos, uns que eu gosto e outros que eu não suporto, os meus tios... todos! Era só o que me faltava. Mas adivinhem quem também está aqui? Exatamente, a Márcia, filha do tio Dawson, a elegantíssima, e rindo do deboche da minha madrasta. Oh, veremos quem ganha essa batalha. — Bom dia! — eu digo, descendo até a sala. — Fez uma boa viagem, Selene? — o meu primo pergunta, e eu dou de ombros. — Depende do seu conceito de boa viagem — respondo, vendo a minha mãe sentar-se na poltrona ao lado da do meu pai, oposta a da Medina. Nada muda. A Kaiane e o Kran foram parar no início das escadas. — Por que me mandou voltar tão cedo, papai? — pergunto. — Sente-se, Selene — ele diz, e eu suspiro, sentando-me do lado da Vesper. — Foi decidido que o seu casamento será em três dias — ele simplesmente afirma, e o aviso da Vesper ajudou para que eu não tivesse nenhum ataque cardíaco, mas foi quase. — Devia retornar para ajustar o vestido, e todas essas coisas com a sua mãe — ele fala, não dando a mínima para variar. E a minha reação é rir, atraindo os olhares deles, que me encaram como se eu fosse louca. — Ai, papai... — eu falo sorrindo, desgostosa. — Adoro como diz, foi decidido o meu casamento, sem o meu consentimento — falo. — E desde quando alguém aqui precisa do seu consentimento, Selene? — a Medina fala, com o seu tipo humor debochado. — Desde quando a vida é minha e você devia se manter fora disso — respondo, alterada. — Selene! — meu pai me repreende. — Está decidido, suba e vá se arrumar — ele manda, e eu olho para todos aqui com raiva. Estão todos me tratando como uma mercadoria, e a minha mãe não fala nada. — Eu não irei me casar com o Zade, eu já falei — deixo claro. — Demos tempo o bastante para se acostumar com a ideia, sem birra, Selene — o pai da Márcia, irmão do pai, tio Dawson fala. — Eu não tenho que me acostumar com o que eu não quero — respondo. — E por que não, Selene? — a mesma. A minha bela prima, que para a minha sorte está de vestido, com a primeira tatuagem minimamente aparente, ousa me provocar. — Por que se recusa? Ainda pensando em como e com quem manchar a nossa honra? — oh, ela disse honra... — Bem... — falo, abrindo a minha bolsa e pegando na pendrive, e levanto-me. — O que está fazendo? — a mãe da Márcia pergunta, curiosa e eu sorrio. — Eu vou não só responder a pergunta da minha prima — falo, pegando o remote controle da TV, e colocando o pendrive. — O que é isso, Selene? — o meu pai pergunta, antes de eu ligar. — Bela tatuagem, Márcia — elogio, fazendo-os olharem para ela, que está confusa. — Para de besteira, Selene, e se sente — o meu tio ordena, e eu dou de ombros. — Não era a mim para quem o senhor devia ordenar isso — falo, ligando a TV. — Devia dizer isso para a sua filha — falo. — Oh! — as senhoras aqui exclamam vendo, e fingindo não querer ver, e eu vejo o rosto dela em específico corar. — O... O que é isso? — o tio Dawson questiona, com a veia pulsando na sua testa. — Valha-me, tio... Não reconhece a sua própria filha, mesmo maquiada? — pergunto, debochada. — Que ultraje! — a minha mãe fala. — O que pensa que está fazendo? — ela grita, se levantando, nervosa, e pretendendo sair daqui, mas eu não vou deixar. — Kran... — falo, e ele a impede de sair. — Opa, você é tão honrada, não é mesmo, Márcia? — pergunto. — Desligue isso, Selene — o meu pai ordena, e eu o encaro. Eles já não estão olhando para a TV, estão vermelhos, inchados, envergonhados, com raiva. — Por que eu tenho que desligar, papai? — pergunto, sarcástica. — Ela forjou a minha identidade, mas como podem ver, ela esqueceu que ao contrário dela, eu não possuo nenhuma tatuagem — falo, e ela já começa a chorar. Ah, eu estão mostrando mesmo. — Minha filha... — a mãe diz, e eu estou nem aí. Ela me provocou, eu não queria ter que chegar a esse extremo, mas ela me obrigou. — Esse vídeo foi gravado após aquele maldito noivado do qual vocês me forçaram, e eu não pretendo me casar com esse nojento — falo. — Deviam o casar com a sua filha, tio Dawson — falo, e ele me encara com raiva. — Ela não tem querer depois disso — falo, a encarando e depois olho para o meu pai. — Nem o meu pai vai permitir que eu me case com alguém que fez isso só para me desonrar, manchar a minha imagem e ainda me traiu com a minha prima, nos desrespeitando — falo, olhando para ele, e o seu olhar é impassível. — DESLIGA ISSO! — a minha tia grita, e eu assim o faço. Foi o suficiente. — ... — elas murmuram de alívio. — Espero que me deixem em paz depois disso — falo, metendo o pendrive na minha bolsa, e pegando no contrato. — E, parabéns papai... — falo, deixando o documento na mesa. — O senhor conseguiu o resort — falo, e antes que o sorriso dele pudesse se formar, eu lanço a bomba. — Junto com o senhor Anakin — falo, e oh, eu estou vendo fogo nos seus olhos. — Agora eu vou subir para o meu quarto — falo, simplesmente pegando na minha bolsa e saindo daqui, lá para cima. A Kaiane está boquiaberta, e eu simplesmente subo. Elas vem logo atrás. Entro no quarto, e lanço a minha tote na cama, indo de costas junto com ela. — O QUE FOI AQUILO? — a Vesper pergunta, pausadamente, incrédula, chocada, enquanto a Kaiane fecha a porta. — Ela fez aquilo mesmo? — ela pergunta. — Fez, visível e audivelmente — a Kaiane diz, sentando-se, e a Vesper ainda está corada. — Eu sabia que ela não era nenhuma santa, mas aquilo foi um espetáculo — ela fala, passada. — E como ela conseguiu fazer aquilo com a cara dela? Que tipo de maquiagem é aquela? — ela pergunta. — Como vocês tiveram acesso a esse vídeo? — ela pergunta. — Primeiro, a maquiagem é cosplay, segundo, ela ou é apaixonada pelo Zade, ou foi obrigada por alguém nessa casa, a fazer aquilo, que era para armar uma armadilha para a Selene, e fazer parecer para o Laurent que ela o traiu — a Kaiane fala. — Oh! — a Vesper exclama, exasperada. — Agora faz sentido! Que víbora... ele achou que tivesse sido traído — ela diz, e eu suspiro, passando as minhas mãos pelo meu rosto. — Aquela maquiagem ficou realista demais, para um homem notar a diferença — ela justifica. — Fui eu que descobri já agora, a sua irmã estava ignorando aquele pedaço de céu, como se não chorasse dia e noite por ele — a Kaiane se gaba, e eu nem ligo. Ela tem razão, mas era suposto eu não o ignorar? Claro que não... — Isso quer dizer que se reconciliou com ele? Ele está morando aqui, todo mundo está falando do filho misterioso do Anakin Duvall — a Vesper pergunta, e eu coro. — As coisas não são simples assim — eu falo, querendo parar de pensar nele. — Eu tenho de me preocupar comigo agora, se ele... — céus. — Eu preciso me ver livre do Zade e viver a minha vida, se ele me quiser de verdade, ele que me prove — falo, e elas se encaram. — O quê? — pergunto, levantando-me. — O meu rim deve estar falhando de tanto whiskey que tomei, o meu corpo sofrendo de desidratação de tanta água que perdi, e o meu coração à beira de ir a falência antes do do papai, por causa dele — falo, tirando a minha medalha. — Eu agora sou medalhista de ouro e tenho um troféu de ouro, não deito mais uma lágrima por quem não tentou lutar por mim, nem uma vez — falo, e a Vesper sorri. — Isso mesmo, irmãzinha! — ela diz, e eu sorrio. — Então, qual é o plano? — ela pergunta, e eu suspiro, encarando-as. Qual é o plano?
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD