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1552 Words
CAPÍTULO VINTE E UM. Selene Moreau Despertei antes do alarme tocar, de tanto que dormi foi fácil. Acordei com uma energia diferente. Definitivamente, eu estou me sentindo mais eu mesma. O que é bom, muito bom... Arrumei a minha mala, antes de tomar um banho e me preparar, hoje sem tanta pressa, porque ja tenho tudo, da roupa, a prancha que eu trouxe para o quarto. Rotina foi a mesma, e quando estava quase na hora, nós já estávamos aqui, na praia. Ainda bem que essas competições são cedo, porque a presença do Zade aqui, seria desagradável. — Tem algo de estranho... — a Kaiane comenta, sentada na areia, cansada, por ter se alongado comigo. — O quê? — pergunto, olhando para ela que olha na direção onde o Laurent estava. — A Leila não está com eles — ela diz, e o meu rosto ruboriza, e talvez, só talvez o meu coração ficou felizinho. — E por que isso seria estranho? — pergunto, e ela me olha com os olhos ligeiramente afinados. — O que aconteceu ontem, Sel? — ela pergunta, e para a minha sorte o narrador chama os quatro finalistas, ou seja, o Laurent, eu, e mais dois surfistas. Temos quarenta minutos, e eu estou oh, com sangue nos olhos. — Boa sorte! — o Laurent diz, entrando no mar comigo, e eu o encaro. — É melhor mantê-la com você, irá precisar — respondo, e ele sorri. E que sorriso... — Espero que saiba que eu não vou deixar você ganhar — ele diz, e eu o encaro, sentada na minha prancha, aguardando a minha deixa. — Nem eu a você — falo, e ele sorri. O sinal soa, e eu presto atenção nas ondas. E por mais estranho que soe, é como se apenas ele e eu estivéssemos aqui, mais ninguém. Insano. Eu estou ficando doida. Tão doida, que eu não me dei conta do início de uma onda perfeita, e a perdi justamente para ele, que teve uma performance excelente e uma nota quase perfeita. O que você está fazendo, Selene? Ele regressa, e eu finjo estar prestando atenção ao mar, eu devia realmente estar prestando atenção nele, mas ele está me atrapalhando. Se concentre, garota... Sete minutos depois, os meus olhos avistam uma, com a qual remei na velocidade da luz até chegar nela, e eu rasguei o verbo surfar. Eu fiz tudo que eu sei, e olha... consegui. — ... — suspiro, aliviada, regressando. Mais uma, e eu estou dentro. Os outros estão apanhando ondas quase que consecutivamente, o que seria bom, mas... eu não funciono assim. Eu aguardo a melhor onda, e isso consiste em perder tempo. Mal eu regressei, o Laurent apanhou outra. Ele é monstruoso. Obviamente, ele teve nota perfeita. E isso está me deixando nervosa. — Se concentre, Selene... — falo comigo mesma. E como uma ajuda do mar, m*l ele chegou, eu avistei uma chance e eu fui para ela com tudo, deixando um que veio logo em seguida para trás. Perfeito, perfeito, perfeito... A onda atingiu um pico enorme, e a maior chance que eu vi de me manter na onda foi fazer o túnel, o que podia sim me dar uma onda perfeita, ou uma muito negativa se eu for engolida por ela. Deslizando no meio da onda, em alta velocidade, experienciando a coisa mais legal do mundo, estar no meio da onda, eu simplesmente relaxei, e fiz o que sei sentindo a adrenalina tomar com intensidade cada parte do meu corpo. Quando fui ver... — Ah! — exclamo feliz, quando saí dela, que terminou de forma perfeita, não me engoliu e eu também não me desequilibrei. — Sem dúvida a melhor onda da Selene Moreau! Ela combinou manobras de alta dificuldade, com uma execução impecável e muito estilo. Totalmente no controle da prancha o tempo todo. O risco valeu a pena! A nota do juíz para essa nota é dez! — AH!!! Chego no início, rindo, felicíssima, porque por um décimo eu estou agora na frente dele, e dos outros. Êxtase. Eu chego e ele sorri, sem nem olhar para mim. O mesmo sorriso. Eu olho para frente, sentindo o meu rosto queimar. Eu só quero que anunciem a final da competição antes de qualquer um apanhar uma onda, que me faça perder a minha vantagem. Infelizmente, outra onda boa apareceu, mas nem eu e nem o Laurent nos movemos. Eu o encaro estranhando... Ele pegaria essa com certeza, por que ele não foi? — Não pode me olhar assim, e depois dizer que não me perdoa, Sirena — ele diz, e eu coro. — Por que não foi? — oh, se ele está "me deixando ganhar" eu vou ficar fula. Ele faz um sinal para eu olhar para frente, segundos depois o moço que arriscou, caiu e literalmente foi engolido por ela que abriu. Ainda bem que eu não fui. Como ele sabia que isso aconteceria? Ninguém sabe, ele é experiente com água, água do mar e água salgada que verte dos olhos das pessoas. A praia dele. — Humn... — falo, mantendo o meu olhar na frente. Três minutos, nenhuma onda, e finalmente, anunciaram o final da competição. Que pelos cálculos que eu já estava fazendo... GANHEI!!! — Selene Moreau, é a vencedora! Ela conseguiu vencer o filho de Poseidon!!! — ouço o narrador falar, e eu sorrio para o Laurent, que também sorri. — Boa competição, Sirena — ele diz, enquanto saímos da água e eu assinto. — Eu sei — afirmo, fazendo-o rir. — Você também não foi m*l — falo, ele sorri, e a forma com que me olha está acabando comigo. — ESSA É A MINHA AMIGA! — o grito da Kaiane abafou de todos, fazendo-nos rir. Eu estou genuinamente feliz agora, eu estou me sentindo sabe... depois de muito tempo, parece estar tudo voltando aos eixos. Anunciaram os prêmios, e teve para três lugares, tinha dinheiro envolvido, do qual eu irei fazer doação quando regressar para a cidade. Eu só queria mesmo ganhar dele, o gosto de vingança indireta, sabe muito bem. Eu ganhei uma medalha, um troféu, e empresas querendo fechar patrocínio, mas... não é algo que eu posso aceitar, já que é para surf, e eu não posso surfar profissionalmente. Porquê? Por que isso não existe na minha família, sendo breve na explicação. Enfim, foi ótimo. — Isso foi ótimo! — o Apollo diz, batendo na minha mão e eu sorrio. Retiro o fato de neoprene, ficando apenas com o biquíni que tinha por dentro, e me sento na espreguiçadeira. — Água de coco — o Apollo oferece para a Kaiane e eu, enquanto o senhor popular tenta se esquivar das fãs que fez em menos de três dias aqui. — Obrigada! — agradeço, pegando. O celular da Kaiane toca. — E, então? — o Apollo questiona, e eu sei muito bem ao que ele está se referindo. — Onde está a sua cunhada? — pergunto, e ele sorri. — Na minha frente, mas ela é meio difícil, extremamente teimosa — ele diz, me forçando a sorrir. — Para Apollo, onde está a noiva do seu amigo? — pergunto, e ele sorri. — O meu amigo não está noivo, Selene... Ele está apenas esperando você se acalmar — ele fala, e o meu rosto ruboriza. — Apollo — falo, com o meu coração batendo forte contra o meu peito. — Eu estou falando sério, ele acabou com o noivado, que só para constar era uma farsa, arriscando muito por você — ele deixa claro, e o meu coração falha. — E ele a mandou para a cidade ainda ontem. Por você — a temperatura do meu corpo sobe, e sobe mais. — Humn... — balbucio, sem saber o que falar. — Selene, nós temos que ir — a Kaiane diz, já se levantando, e a cara dela não é boa. — Não íamos de tarde? — pergunto, estranhando. — Era, mas o senhor Moreau mandou o helicóptero, e está a nossa espera — ela diz, e eu franzo o cenho. — Agora! — prontos, isso está me preocupando. — Alguém morreu? — pergunto, levantando-me. — Eu não sei, eu só sei que precisamos ir agora — ela responde, e eu suspiro, frustrada. Confusa. Eu olho para o Apollo que nos observa, e eu suspiro pegando na bolsa com as minhas coisas. — Nos vemos — é a única coisa que consigo dizer, e ele assente. — Eu levarei a sua prancha — ele diz, e eu assinto agradecida, às vezes soa meio surreal que eles literalmente moram na mesma cidade que a minha. Saio, seguindo a Kaiane. — O que disseram para você? — pergunto. — Que era uma emergência, e nós devíamos estar agora lá — ela responde. Eu não estou gostando nada disso. Já estávamos com as malas arrumadas, e os homens do meu pai já estavam aqui. Fui me molhar rapidinho, para tirar o sal do corpo e do cabelo, coloquei um vestido que tinha separado, passei perfume, gloss, e eu deixei o meu cabelo sem definição mesmo. A Kaiane só me apressa, igualzinha a mãe. Do paraíso, a caminho de um lugar que está mais para o oposto do que outra coisa, nós estamos agora. Algo me diz, que bombas virão por aí...
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