CAPÍTULO VINTE E UM.
Selene Moreau
Despertei antes do alarme tocar, de tanto que dormi foi fácil.
Acordei com uma energia diferente.
Definitivamente, eu estou me sentindo mais eu mesma.
O que é bom, muito bom...
Arrumei a minha mala, antes de tomar um banho e me preparar, hoje sem tanta pressa, porque ja tenho tudo, da roupa, a prancha que eu trouxe para o quarto.
Rotina foi a mesma, e quando estava quase na hora, nós já estávamos aqui, na praia.
Ainda bem que essas competições são cedo, porque a presença do Zade aqui, seria desagradável.
— Tem algo de estranho... — a Kaiane comenta, sentada na areia, cansada, por ter se alongado comigo.
— O quê? — pergunto, olhando para ela que olha na direção onde o Laurent estava.
— A Leila não está com eles — ela diz, e o meu rosto ruboriza, e talvez, só talvez o meu coração ficou felizinho.
— E por que isso seria estranho? — pergunto, e ela me olha com os olhos ligeiramente afinados.
— O que aconteceu ontem, Sel? — ela pergunta, e para a minha sorte o narrador chama os quatro finalistas, ou seja, o Laurent, eu, e mais dois surfistas.
Temos quarenta minutos, e eu estou oh, com sangue nos olhos.
— Boa sorte! — o Laurent diz, entrando no mar comigo, e eu o encaro.
— É melhor mantê-la com você, irá precisar — respondo, e ele sorri.
E que sorriso...
— Espero que saiba que eu não vou deixar você ganhar — ele diz, e eu o encaro, sentada na minha prancha, aguardando a minha deixa.
— Nem eu a você — falo, e ele sorri.
O sinal soa, e eu presto atenção nas ondas.
E por mais estranho que soe, é como se apenas ele e eu estivéssemos aqui, mais ninguém.
Insano.
Eu estou ficando doida.
Tão doida, que eu não me dei conta do início de uma onda perfeita, e a perdi justamente para ele, que teve uma performance excelente e uma nota quase perfeita.
O que você está fazendo, Selene?
Ele regressa, e eu finjo estar prestando atenção ao mar, eu devia realmente estar prestando atenção nele, mas ele está me atrapalhando.
Se concentre, garota...
Sete minutos depois, os meus olhos avistam uma, com a qual remei na velocidade da luz até chegar nela, e eu rasguei o verbo surfar.
Eu fiz tudo que eu sei, e olha... consegui.
— ... — suspiro, aliviada, regressando.
Mais uma, e eu estou dentro.
Os outros estão apanhando ondas quase que consecutivamente, o que seria bom, mas... eu não funciono assim.
Eu aguardo a melhor onda, e isso consiste em perder tempo.
Mal eu regressei, o Laurent apanhou outra.
Ele é monstruoso.
Obviamente, ele teve nota perfeita.
E isso está me deixando nervosa.
— Se concentre, Selene... — falo comigo mesma.
E como uma ajuda do mar, m*l ele chegou, eu avistei uma chance e eu fui para ela com tudo, deixando um que veio logo em seguida para trás.
Perfeito, perfeito, perfeito...
A onda atingiu um pico enorme, e a maior chance que eu vi de me manter na onda foi fazer o túnel, o que podia sim me dar uma onda perfeita, ou uma muito negativa se eu for engolida por ela.
Deslizando no meio da onda, em alta velocidade, experienciando a coisa mais legal do mundo, estar no meio da onda, eu simplesmente relaxei, e fiz o que sei sentindo a adrenalina tomar com intensidade cada parte do meu corpo.
Quando fui ver...
— Ah! — exclamo feliz, quando saí dela, que terminou de forma perfeita, não me engoliu e eu também não me desequilibrei.
— Sem dúvida a melhor onda da Selene Moreau! Ela combinou manobras de alta dificuldade, com uma execução impecável e muito estilo. Totalmente no controle da prancha o tempo todo. O risco valeu a pena! A nota do juíz para essa nota é dez! — AH!!!
Chego no início, rindo, felicíssima, porque por um décimo eu estou agora na frente dele, e dos outros.
Êxtase.
Eu chego e ele sorri, sem nem olhar para mim.
O mesmo sorriso.
Eu olho para frente, sentindo o meu rosto queimar.
Eu só quero que anunciem a final da competição antes de qualquer um apanhar uma onda, que me faça perder a minha vantagem.
Infelizmente, outra onda boa apareceu, mas nem eu e nem o Laurent nos movemos.
Eu o encaro estranhando...
Ele pegaria essa com certeza, por que ele não foi?
— Não pode me olhar assim, e depois dizer que não me perdoa, Sirena — ele diz, e eu coro.
— Por que não foi? — oh, se ele está "me deixando ganhar" eu vou ficar fula.
Ele faz um sinal para eu olhar para frente, segundos depois o moço que arriscou, caiu e literalmente foi engolido por ela que abriu.
Ainda bem que eu não fui.
Como ele sabia que isso aconteceria?
Ninguém sabe, ele é experiente com água, água do mar e água salgada que verte dos olhos das pessoas.
A praia dele.
— Humn... — falo, mantendo o meu olhar na frente.
Três minutos, nenhuma onda, e finalmente, anunciaram o final da competição.
Que pelos cálculos que eu já estava fazendo...
GANHEI!!!
— Selene Moreau, é a vencedora! Ela conseguiu vencer o filho de Poseidon!!! — ouço o narrador falar, e eu sorrio para o Laurent, que também sorri.
— Boa competição, Sirena — ele diz, enquanto saímos da água e eu assinto.
— Eu sei — afirmo, fazendo-o rir. — Você também não foi m*l — falo, ele sorri, e a forma com que me olha está acabando comigo.
— ESSA É A MINHA AMIGA! — o grito da Kaiane abafou de todos, fazendo-nos rir.
Eu estou genuinamente feliz agora, eu estou me sentindo sabe... depois de muito tempo, parece estar tudo voltando aos eixos.
Anunciaram os prêmios, e teve para três lugares, tinha dinheiro envolvido, do qual eu irei fazer doação quando regressar para a cidade.
Eu só queria mesmo ganhar dele, o gosto de vingança indireta, sabe muito bem.
Eu ganhei uma medalha, um troféu, e empresas querendo fechar patrocínio, mas... não é algo que eu posso aceitar, já que é para surf, e eu não posso surfar profissionalmente.
Porquê?
Por que isso não existe na minha família, sendo breve na explicação.
Enfim, foi ótimo.
— Isso foi ótimo! — o Apollo diz, batendo na minha mão e eu sorrio.
Retiro o fato de neoprene, ficando apenas com o biquíni que tinha por dentro, e me sento na espreguiçadeira.
— Água de coco — o Apollo oferece para a Kaiane e eu, enquanto o senhor popular tenta se esquivar das fãs que fez em menos de três dias aqui.
— Obrigada! — agradeço, pegando.
O celular da Kaiane toca.
— E, então? — o Apollo questiona, e eu sei muito bem ao que ele está se referindo.
— Onde está a sua cunhada? — pergunto, e ele sorri.
— Na minha frente, mas ela é meio difícil, extremamente teimosa — ele diz, me forçando a sorrir.
— Para Apollo, onde está a noiva do seu amigo? — pergunto, e ele sorri.
— O meu amigo não está noivo, Selene... Ele está apenas esperando você se acalmar — ele fala, e o meu rosto ruboriza.
— Apollo — falo, com o meu coração batendo forte contra o meu peito.
— Eu estou falando sério, ele acabou com o noivado, que só para constar era uma farsa, arriscando muito por você — ele deixa claro, e o meu coração falha. — E ele a mandou para a cidade ainda ontem. Por você — a temperatura do meu corpo sobe, e sobe mais.
— Humn... — balbucio, sem saber o que falar.
— Selene, nós temos que ir — a Kaiane diz, já se levantando, e a cara dela não é boa.
— Não íamos de tarde? — pergunto, estranhando.
— Era, mas o senhor Moreau mandou o helicóptero, e está a nossa espera — ela diz, e eu franzo o cenho. — Agora! — prontos, isso está me preocupando.
— Alguém morreu? — pergunto, levantando-me.
— Eu não sei, eu só sei que precisamos ir agora — ela responde, e eu suspiro, frustrada.
Confusa.
Eu olho para o Apollo que nos observa, e eu suspiro pegando na bolsa com as minhas coisas.
— Nos vemos — é a única coisa que consigo dizer, e ele assente.
— Eu levarei a sua prancha — ele diz, e eu assinto agradecida, às vezes soa meio surreal que eles literalmente moram na mesma cidade que a minha.
Saio, seguindo a Kaiane.
— O que disseram para você? — pergunto.
— Que era uma emergência, e nós devíamos estar agora lá — ela responde.
Eu não estou gostando nada disso.
Já estávamos com as malas arrumadas, e os homens do meu pai já estavam aqui.
Fui me molhar rapidinho, para tirar o sal do corpo e do cabelo, coloquei um vestido que tinha separado, passei perfume, gloss, e eu deixei o meu cabelo sem definição mesmo.
A Kaiane só me apressa, igualzinha a mãe.
Do paraíso, a caminho de um lugar que está mais para o oposto do que outra coisa, nós estamos agora.
Algo me diz, que bombas virão por aí...