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1543 Words
CAPÍTULO QUINZE. Selene Moreau Despertei antes mesmo que o alarme tocasse. Sonhei com o canalha abençoado. — Boa, Selene... — falo para mim mesma, com a minha respiração toda alterada, cheia de calor, e indecentemente, precisando de um banho de água fria. Olho para o lado e a Kaiane está dormindo que nem um anjinho. Com tanta coisa para se sonhar na vida, tinha que ser justamente isso. Alcanço o alarme, faltavam uns trinta minutos para o alarme tocar, então o desligo, porque são quatro e meia, e eu não vou conseguir dormir novamente. Levanto-me, e vou para o banheiro jogar água fria no meu rosto. Após me acalmar o suficiente, faço a minha higiene oral, e tomo o meu banho. Saio do box, e já começo a me preparar começando a sentir a minha personalidade voltando. Passo a minha loção corporal, já passo protetor solar, não faço muito no cabelo, e vou escolher um biquíni, escolhi um preto, simples, e por cima eu coloco um vestido soltinho, calço chinelos, e finalmente vou para a cozinha do quarto master aqui, fazer um chá e comer um pouquinho. Estava sentada no sofá do quarto com os meus cereais, uma banana e o chá, com um monte de ideias na minha cabeça. — Selene? — ouço a Kaiane atrás de mim, e sorrio, me virando para ela que se senta na cama me encarando sonolenta. — Bom dia! — cumprimento, e ela sorri. — Oh, de bom humor... — ela comenta, e eu sorrio. — É por que está prestes a entrar no habitat alheio? — pergunta retoricamente. — E não me acordou — ela fala. — Você estava dormindo e não gosta de mar, eu decidi deixar você descansar — respondo. — Eu vou com você, pare de ser b***a — ela diz, levantando-se. — Que horas você acordou? — pergunta, curiosa. — Quatro e meia — respondo, e ela arregala os olhos. — Sem sono? — pergunta. Antes fosse. — Huhum — minto. — Não demore, eu tenho que descer para alugar uma prancha e o neoprene, já vão para as seis, Kaiane — falo. — Tá, estou indo! — ela exclama, indo para o banheiro. — Pode preparar cereais para mim? — pergunta, e eu me levanto acabando os meus. — Preparo, só não demore — falo, indo para a cozinha com a xícara de chá e a tigela, lavo e preparo os cereais dela. Volto para o quarto, deixando a tigela e um copo com sumo de laranja na mesinha aqui, e eu volto a sentar-me no sofá, comendo a minha banana. O sol já nasceu e o céu está lindo, ótimo para pegar umas ondas. Estamos agora na loja aqui, escolhendo as coisas, já são seis da manhã e oh, essa competição fez as pessoas acordarem cedo. Já tem alguns competidores por aqui, música... Isso vai ser divertido, está me animando! Já escolhi a minha prancha, é uma de cor branca e azul, a mais linda, obviamente, já escolhemos o leash, que é a cordinha, já passaram parafina, verificaram as quilhas, e agora estão dando uma inspeção geral. Estou vestindo o meu traje de neoprene, que é do mesmo tom que a prancha por cima do biquíni. — Ficou muito lindo! — uma moça que estava saindo da loja comenta e eu sorrio. — Obrigada! — agradeço. — Tudo ótimo — o técnico que estava me ajudando a verificar diz. — Obrigada! — agradeço, pegando nela, animadíssima. — Deixe que eu levo — ele se oferece. — Não precisa, eu consigo... — respondo, e ele já vai pegando nela novamente. — Me sigam! — ele diz, já indo, e eu olho para a Kaiane que está sorrindo toda sugestiva o seguindo. Oras... — O dia está lindo! — a Kaiane comenta. — E as ondas estão perfeitas para pegar — o moço diz, e eu assinto, sorrindo para os moços da coordenação da competição. — Oh, senhorita Selene! — eles exclamam animados e eu sorrio. — Bom dia! — saudamos. — Bom dia! — eles cumprimentam, e o técnico fixa a minha prancha na areia. — Obrigada! — agradeço, e ele sorri. — A sua disposição! Estarei torcendo por você! — ele diz, e ah... A vibe daqui é tão boa. — Valeu! — respondo, e ele assente saindo. — Estou como os requisitos mandam? — pergunto aos moços que riem, aprovando. — Esperamos apenas que não se machuque — ai, ai... — Eu espero o mesmo — a Kaiane comenta. — Bem, venha assinar a sua presença, senhorita Selene — como está me irritando. — Apenas Selene — falo, pegando na caneta, procurando o meu nome com o olhar para assinar, e assim o faço quando o acho. — Como vai funcionar? — pergunto. — Irá participar das eliminatórias, pois se inscreveu tarde, para se classificar diretamente para essa fase — o moço explica e eu assinto. — Estará numa bateria de três e terão vinte minutos para fazerem o vosso melhor, para enfrentarem os vencedores de ontem, para ir a final — ele diz, e oh, ótimo. — Final de quatro, né? — busco confirmar e eles assentem. — Exato — confirmam. — Eu estarei no primeiro grupo? — pergunto. — Apenas se prepare até o seu nome ser anunciado — tudo bem. — E não a favoritismo, Selene — diz outro, e eu sorrio. — E eu não espero favoritismo de ninguém — respondo, e eles assentem. Eu só quero me divertir, e ganhar, obviamente. Perdi muito, já. — E agora? A gente espera? — a Kaiane pergunta. — Me faz uma trança no cabelo? — peço, me sentando na areia mesmo. — Faço — ela diz. Ela estava trançando o meu cabelo enquanto analiso o mar, quando as pessoas começam a falar mais alto e mais. — É ele não é? — pergunto, sentindo o meu corpo o anunciar, mesmo sem o ver. — É, e está vindo para cá — ela diz, e eu sinto as minhas bochechas corarem. — Ele é popular, hein... — a Kaiane comenta. Não me diga. — Sempre foi — falo, continuando a olhar para o mar. — Bom dia! — como se o dia de ontem não tivesse existido e eu não tivesse escutado a voz dele, ela soa arrepiando-me por inteiro. — Bom dia! — a Kaiane responde ele, que entra no meu campo de visão, e... Visão abençoada essa, mas eu dispensava. — Selene... — ele ia falar comigo, os seus olhos estavam em mim, mas foi interrompido. — Meu amor — a voz da sua noiva soa, e ela vem ficar bem na minha frente, tomando o braço forte do Laurent. Seus olhos vem para os meus, e o meu coração desenfreia de irritação. — Oh, não me diga que vai surfar? — ela pergunta-me, e eu forço um sorriso. — Vou — respondo. — Eu não sabia que sabia surfar — ela comenta, mas de forma desdenhosa. — Não tem como saber sobre mim se não me conhece — respondo, e involuntariamente o meu olhar sobe para o ser que está ao seu lado olhando para mim. — É que todo mundo sabe quem você é, Selene, filha do Garrett Moreau — ela diz. — E acha que saber o nome da pessoa é conhecer alguém? — a Kaiane pergunta, terminando a minha trança, e eu sorrio em agradecimento. — Saber de que família ela pertence é o suficiente — oh, eu estou perdendo a minha paciência. — Se realmente soubesse, já não estaria na minha frente, Leila — falo, e vejo morder a própria bochecha internamente. — Eu... — ela ia falar ainda mais, mas eu vejo o Apollo chegar também, e eu tenho que me concentrar. — Se puderem se afastar, estão me atrapalhando — falo, já me virando para o lado. — Bela trança — eu ouço a voz do Laurent, antes de o sentir saindo, e não consigo conter o sorriso no meu rosto. — Oh, eu vi esse sorriso — a Kaiane comenta sorrindo, e eu faço questão de o desfazer. — Não viu nada, venha alongar comigo — falo, e assim o fazemos. Entre olhares, e corações desenfreados, a competição começou. E estão agora os primeiros três surfistas no mar. — Eu estou com medo, Selene — a Kaiane comenta. — Não há nada que ter medo — respondo. — Como não há? Do jeito que a maré está alta, você está vendo o tamanho dessas ondas? — ela me pergunta olhando para o mar. Estamos as duas sentadas na areia mesmo. — Tubarões podem estar se aproximando daqui, se é que já não estão — ai, eu adoro a Kaiane. — Se tivessem tubarões próximos, já teriam avisado — respondo, apontando para toda a equipe aqui espalhada. — E qualquer coisa tem primeiros socorros aqui — respondo, e ela revira os olhos. — Oh... — balbucio, vendo uma bela onda sendo pega. — Ele vai ser engolido pela onda — ela comenta, agitada. E eu me concentro. Por ter me inscrito tarde, muito provavelmente serei a última, e eu posso saber o que aumentar na minha vez para ter a pontuação maior que a deles. E assim foi...
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