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2033 Words
CAPÍTULO DEZ. Selene Moreau Cheguei com uma dor de cabeça terrível. O i****a do Zade veio para cá e quase arrombou a porta do meu quarto. Ele é um bruto, se ainda não deu para notar. E nojento também. Tempo passou, e eu fiquei só aqui, pareceu mais seguro para os meus neurônios não explodirem. A Kaiane insistiu de descermos até a festa na discoteca do resort, e fim ao cabo, um pouco de whiskey não vai fazer m*l. Assim, será mais suportável aturar o i****a do Zade. — Selene? — a Kaiane me chama, entrando no quarto. Tinha saído. — Oi? — respondo, terminando de colocar os saltos. — O senhor Castellano aparentemente tomou uma decisão, ele pediu para você subir — ela diz, e eu franzo o cenho. — Agora? Ele pareceu muito confuso quando saímos — comento. — Você o deu um ultimato, devia ficar feliz — ela diz, enquanto eu me levanto. — O que me faria feliz, era sumir daqui — respondo, caminhando até a porta. — Vamos! — ela diz, vindo atrás. — Para onde você tinha ido? — pergunto, enquanto entramos no elevador. — A assistente do Castellano... — afino o meu olhar na sua direção. — O quê, Selene? — pergunta. — Você saiu para se encontrar com alguém, não precisa mentir para mim, eu conheço você — falo, vendo ela suar frio. — Eu estou falando a verdade — claro que está. — Humn... — respondo a observando. — O Zade já está lá? — pergunto. — Deve estar, ele só veio para isso — se for assim, eu ficarei mais feliz. Mas com tantas festas nessa cidade, ele tinha que vir justamente para o lugar que eu fiz de tudo para vir, só para escapar daquele terror. Mas um dos monstros me seguiu até aqui... Na verdade, tem dois aqui. O som de chegada soa, e as portas metálicas se abrem. Está escuro aqui. Isso é hora? Ou ele tem tanto medo assim do Laurent, para querer assinar esse documento de madrugada? — Selene, vá entrando... Eu esqueci o documento no quarto — a Kaiane diz, atrás de mim. — Tudo bem... — respondo, ouvindo-a sair e simplesmente abro a porta para terminar com isso logo. No passo que dei para dentro dessa maldita sala, os meus olhos pousam no homem mais canalha na face da terra, e o mais ridículo é que ele parece surpreso também. — Ah, não... — ela não fez isso comigo. Me viro para abrir a porta e sair, mas a porta simplesmente não abre mais. — Kaiane! — caramba! Que coisa... Me viro sem muita opção, e o encontro sentado na poltrona, de forma ridiculamente atraente... Indiferente, e como se achasse isso uma completa parvoíce... E é, mas não é ele quem precisa de paciência e sim eu. — Não tinha melhor maneira para tentar falar comigo? — pergunto, irritada. E ele nem sequer olha para mim, e por mais que eu deteste admitir, a frieza dele é cortante. Ele pega no celular e eu o observo ligar para o Apollo, que obviamente não atende. Boa... — Ligue para a sua amiga e diga para ela acabar com essa infantilidade — ele diz, e eu franzo o meu cenho, o encarando. — Se a minha amiga é infantil, o seu seria o quê? — eu concordo, isso é uma infantilidade. Mas quem ele acha que é? O oásis no deserto? — Quer ou não sair daqui? — ele questiona, e ele soa intimidante. — Eu estou sem o meu celular — falo, descendo dos saltos, e já colocando o meu pé para funcionar. Eu não quero ficar aqui. — Vai ficar sentado, ou vai me ajudar? — pergunto. — Essa é uma porta blindada, o máximo que vai conseguir é quebrar o pé — eu coro, com a forma tão didática que ele fala, pousando o meu pé no chão. Eu preciso dele amanhã. Seguro a erupção de emoções dentro de mim, e me viro, indo me sentar do lado oposto ao dele. A vontade que eu tenho de gritar é intensa, de chorar, questionar, estrangular me consome, mas eu não pretendo ficar e nem exibir as minhas pobres e voláteis emoções para um canalha, que não se importa. Nunca se importou. Meu olhar sobe até ao seu que olha para o meu dedo, com o maldito anel de noivado. — Belo anel — ele diz, e a minha mandíbula enrijece, enquanto eu o encaro. Encaro a sua indiferença. Quem é ele? Eu me mantenho calada, porque eu tenho certeza que eu irei me perder se eu ousar abrir a minha boca. Alcanço o remote do ar condicionado e baixo a temperatura. Espero que ela não demore com essa brincadeira de mau gosto. Por que ela faria uma coisa dessas? O silêncio aqui, é cortante, ensurdecedor. Infelizmente, eu tenho quase certeza que ele está escutando os meus batimentos cardíacos. — O seu noivado foi rápido, não? — pergunto, sem conseguir segurar a minha língua, e ele pousa o seu olhar em mim, por segundos. Seu maxilar está cerrado, e eu tenho a sensação que se ele me odeia. — O seu também não — ele finalmente responde, e a sua resposta me faz sorrir. — Não é como se você não soubesse que eu não tinha outra escolha — falo, e ele sorri, me irritando. — O que é tão divertido? — pergunto. — O facto de você ter me feito pensar que ia evitar isso? — questiono, exibindo o anel na sua direção, dolorida. — Por quanto mais tempo você pretende atuar? — ele pergunta, me encarando, gélido. — O único que atuou e muito bem, foi você, Laurent — falo, partida. — É divertido ver a minha vida arruinada? — ele me corta. — A sua vida não pareceu nada arruinada quando você estava me traindo com quem você está noiva agora, Selene — hamn? — Quê?! — o meu coração literalmente despencou da sua posição original. — Quê? — ele pergunta sarcástico. — Quer que eu detalhe o que vi no lugar em que você pediu para te encontrar, ou prefere a pendrive com o vídeo que recebi depois? — a minha visão fica turva ao me levantar, mas volta ao normal logo depois. E eu o encaro atordoada, enojada, tremendo, desacreditada. — O que você está dizendo? — questiono, embasbacada, e ele somente me observa. — O QUE VOCÊ ESTÁ DIZENDO? — eu perco a cabeça. — Pare com isso, Selene — ele fala, e eu me sinto ainda mais traída do que me sentia antes. — Eu nunca, nunca traí você! — deixo isso claro, endoidecida. — Você ficou louco? — pergunto. — Eu vi você, Selene, na casa daquele desgraçado, no quarto dele, casa essa que você mesma me escreveu para ir, pois tinha provas contra ele e a família dele — ele fala, irritado, e eu só consigo abanar a cabeça, a qualquer momento ela vai explodir. Os meus pés descalços no chão gelado, a minha mente rodopiando, e lágrimas vertendo do meu olhar. — Eu nunca escrevi para você chegar nem perto da minha família, Laurent! — exclamo. — Nem eu alguma vez pisei na casa daquele desgraçado desde que voltei para cá — falo, inconformada, e ele me observa. E eu consigo ver algo a mais que frieza e raiva no seu olhar. — Eu recebi uma mensagem sua, Selene, era a maneira que você escreve, e depois de você ter conseguido o seu celular de volta — ele diz, e eu abano a cabeça negativamente. Eu não acredito nisso. As minhas mãos tomam o meu rosto, incrédula. — Você por acaso me conhecia tão pouco assim? — pergunto, ofendida. — Eu fugi no meio da noite para ir ter com você em outro país, com medo de que ferissem você, e você simplesmente acreditou numa estúpida mensagem, aparentemente, escrita por mim, mandando você justamente para perto de quem eu queria proteger você e fugir? — pergunto, inconformada. A minha barriga está revirando. Eu não estou me sentindo bem. — E você sabia que eu estava e ficaria trancada na porcaria daquela casa, porque o meu pai não ia me deixar sair até a data do noivado! — exclamo, com o meu rosto queimando e ele olha para o teto. — Era por isso que era suposto você ter feito o que prometeu. Invadir aquele maldito noivado e me tirar dali — falo, e ele abana a cabeça negativamente, também em pé. — Eu vi você, Selene... — ele repete, e isso está me irritando mais ainda. — Por acaso você viu o meu rosto? — pergunto, e o seu olhar me dá a única resposta que ele mesmo precisava. — ... — seu suspiro é fundo, e o vejo levantar a sua cabeça, com os seus olhos fechados vejo ele passar as suas belas mãos, pelos seus cabelos pretos. Argh! Eu não acredito que eles fizeram isso... — Traidora... — rio, sem graça. Limpando o meu rosto, sem conseguir ficar parada num lugar só. Eu estou a própria erupção vulcânica. — Eu nunca fiquei com absolutamente ninguém, e chega a ser um insulto você pensar que eu... — eu estou enojada. A minha pressão caiu, eu estou tonta, a minha visão sai de nítida com muita frequência. — Selene... — a minha pele aquece, quando eu sinto a sua mão tocar em mim, seu tom não foi tão frio, e sim preocupado. E o meu instinto foi simplesmente girar a mão no rosto dele. Ofendida, confusa, com um monte de coisa circulando na minha mente. — Você é um i****a! — exclamo, olhando para ele. — Eu recebi uma mensagem do seu celular, Selene, num cenário como o que eu vi, o que achou que eu ia pensar? — pergunta, frustrado. — Não sei, mas duvidar da minha dignidade era tudo o que eu menos esperava de você, Laurent — falo, furiosa. — A pessoa com histórico de mulherengo aqui é você, e não eu — digo, e ele olha para o teto, suspirando fundo, e andando para longe de mim. — E aparentemente, você continuou com a sua lista de mulheres bem rápido, para quem prometeu fugir comigo — falo, expelindo a minha dor. Seus olhos veem na minha direção, e por mais raiva e ódio que eu sinta, o meu corpo estremece. — Isso foi um tratado de família — ele diz, e eu sorrio. — As nossas famílias têm costumes similares, e na primeira oportunidade que teve, você simplesmente preferiu acreditar numa clara armadilha, e noivar com o tratado da sua família... — falo, limpando o meu rosto. — E eu achava que eu importava para você — o quanto eu chorei. Eu chorei igual uma criança. — Mas eu não era tão importante assim para o Laurent Duvall, ele tem uma filha de mulheres o esperando, ele não as perderia por minha causa... — falo. — Não coloque palavras na minha boca, Selene — ele diz, e eu dou de ombros. — Foi isso que eu entendi quando nem a porcaria de um celular você atendeu, nem sequer para me insultar, Laurent — eu falo, olhando nos olhos dele, e eu não sei dizer se é arrependimento, ou simplesmente, desiludido por ter sido tão facilmente enganado. Ele detesta ser enganado, perder, faz parte da personalidade avassaladora dele. — Fui tão descartável para você quanto qualquer outra, e a culpa foi minha por achar que eu era diferente para você... — falo, irritada. — Selene... — o quanto eu queria escutar a voz dele chamar o meu nome me deixava louca. — Tudo por causa de uma armadilha que podia ter sido resolvida se você me ligasse... — eu balbucio, indignada, caminhando até a porta. — Selene, eu estou falando com você... — ele diz, vindo até mim, enquanto eu forço a fechadura da porta, e oh, eu não estou mais vendo praticamente nada. — Nós... — as minhas pernas estão fracas. — Não temos mais nada para falar... — o peso do meu próprio corpo se tornou insustentável e a visão escureceu completamente.
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