CAPÍTULO ONZE.
Laurent Duvall
Maldição.
Com a Selene sem consciência no meu colo, eu não sei direito o que pensar, nem por onde começar.
Somente me sinto culpado, e furioso.
Eu não posso simplesmente ter caído numa armação tão i****a dessas...
Posso?
Pego no celular e tento ligar para o Apollo, que não atende, portanto, resgato o número da Kaiane dos meus contactos.
— Selene... — eu a corto de imediato.
— A Selene perdeu a consciência, venham imediatamente abrir essa maldita porta — falo, sentindo os batimentos cardíacos dela, enfraquecidos.
— Quê?! — ela exclama, e eu suspiro.
— Agora — digo e desligo.
Maldição...
O meu olhar pousa no seu rosto, e eu não tenho certeza se eu estou torcendo para que essa armadilha não passe da verdade, só para eu não me sentir tão i****a, ou se fico além de decepcionado, feliz, por essa ser uma maldita mentira.
Que droga!
Os meus sentimentos são conturbados, e os traços do seu rosto angelical, conseguem me deixar mais atordoado, frustrado.
Os meus olhos perderam-se nela mais facilmente do que eu achava possível.
— ... — desperto dos pensamentos da minha mente, com o som da porta, e simplesmente me afasto dela.
— O que você fez com a minha amiga? — a Kaiane, cujos olhos arregalaram assim que a viu no me colo, pergunta.
— Pegue os saltos dela, ali — falo, e ela vai correndo, enquanto eu saio dessa sala.
— O que houve? — o Apollo pergunta, e eu suspiro, frustrado.
— Onde fica o quarto? — pergunto para a Kaiane, entrando no elevador.
— Treze A — ela responde, e fica do outro lado do corredor que o meu.
Coincidência?
— Porque ela estava sem os saltos? — a amiga pergunta.
— Por que ela quis arrombar a porta — respondo.
— E por que ela desmaiou? O que você disse para ela? — ela pergunta, e eu suspiro, saindo na frente do elevador, assim que chegamos.
— Ela desmaiou, porque claramente a pressão dela baixou — falo, vendo ela correr para abrir a porta do quarto, e nós entramos.
— Ela não comeu nada hoje... Deve ter sido por isso — ela fala, enquanto eu pouso a Selene na cama, o curto vestido do seu corpo sobe subtilmente quando as suas pernas, entram num curto e pequeno atrito com os lençóis.
— Como assim não comeu? Tem ideia de que horas são? — pergunto, e ela me encara, voltando do frigobar que elas têm aqui.
— Ver você a fez perder o apetite — ela diz, ríspida, e eu respiro fundo, vendo-a servir a água salgada do frasco das azeitonas que tirou.
— Você vai engasga-la — falo, e ela volta o seu olhar na minha direção.
— Você quase a matou e está preocupado que ela se engasgue agora? — pergunta, e talvez eu mereça isso. — Eu sei o que estou fazendo — diz.
— Matar? Você não acha que está pesando a mão? — o Apollo pergunta, e ela revira os olhos pingando a água de azeitona nos lábios rosados da Selene.
— Será que eu estou? — ela pergunta, afinando o olhar, na direção do Apollo.
— Você tem noção de como ela ficou esse tempo todo? — ela pergunta, irritada.
— Por que fez uma coisa dessas? — ela pergunta-me, e eu estou começando a sentir-me um lixo.
— Pode se acalmar, moça — o Apollo diz, e ela revira os olhos.
— Uma armação — eu falo, inconformado.
— Do que está falando? — a Kaiane pergunta.
— Eu fui até a casa daquele filho da mãe antes daquele maldito noivado. Eu tinha recebido uma mensagem dela, e quando cheguei lá, eu os vi juntos — falo, e ela franze o cenho, e ri, ridicularizada.
— O quê? — ela pergunta, ultrajada, a mesma reação que a Selene.
— Nós recebemos um vídeo, logo em seguida — o Apollo diz.
— E vocês acreditaram que a Selene, não só chamaria você para perto da família dela, que você sabe muito bem como é, mas deixaria o Zade, ou qualquer um tocar nela? — ela pergunta.
— O que você queria que eu acreditasse, quando eu entrei no mesmo recinto que eles, Kaiane? — pergunto, indignado.
— A Selene nunca pisou naquela casa, desde que era mais nova. Ela ficou trancafiada dentro daquela mansão até o dia do noivado, esperançosa que você evitasse o casamento — ela fala, e eu não posso estar mais confuso.
— Eu não queria acreditar, e eu também disse que ela não seria capaz de uma coisa dessas, mas as imagens são claras, não é como se fosse um burrão que nós acreditamos, sem analisar antes, Kaiane — o Apollo diz.
— Eu quero ver! — ela fala, e eu vejo a Selene lentamente despertar. — Me mostre o vídeo! — Kaiane exige, e eu me aproximo da Selene, que parece confusa.
Eu não sei o que pensar, nem o que sentir, o que eu sei é que eu não me sinto nada bem.