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1643 Words
CAPÍTULO DOZE. Selene Moreau A minha cabeça dói, mas o cheiro que sinto expõe de imediato quem está aqui, e o que aconteceu para eu de repente desacordada. Eu desmaiei? Céus... A Kaiane está gritando, e eu estou atordoada. — Com cuidado... — não só a voz dele penetra os meus ouvidos, despertando os meus hormônios que estavam adormecidos, mas literalmente, ajuda-me a sentar na minha cama, tocando na minha pele, e me incendiando sem esforço algum. Chega a ser vergonhoso... — Eu estou bem — falo, afastando a minha mão do seu toque. — Selene, está se sentindo bem? — a Kaiane pergunta, vindo até mim. — Não — respondo. — Eu quero que saiam do meu quarto — falo. — Nós precisamos conversar — o Laurent diz, me encarando e eu levanto o meu olhar para ele, sentindo as minhas bochechas queimarem. — Nós não temos nada para conversar — falo. — Você é noivo agora, não? Não vai querer que a sua nova descubra que você está no quarto da sua suposta ex traira, da qual você não terminou o namoro oficialmente — falo, e ele suspira, como se pedisse paciência. — Você está sendo infantil, Selene — ele diz, e eu sorrio. — Oh, eu fui... quando acreditei em você, me iludi igual uma criança, me iludi tanto que nem percebi que talvez eu estivesse namorando sozinha — falo, e ele me encara. — Me desculpem, mas ninguém sai daqui até tirarmos essa história a limpo — a Kaiane fala, alterada. — Não vamos prolongar isso por nem sequer mais um dia — ela diz, pegando no celular, e oh, como a minha cabeça está doendo. — Me mostre esse vídeo, Apollo — ela diz, ligando para o hotel. — Você acha que alguém ficou com o vídeo gravado no celular? — ele pergunta, vermelho, e ela o encara. — Então, vá buscar e volte — ela diz, e ele revira os olhos, realmente a obedecendo. — Boa noite, eu gostaria de pedir serviço de quarto — ela diz. — Para quê? — eu pergunto, a observando. Ela não me responde, simplesmente pede comida, e desliga o celular. — O que foi isso? — pergunto, tentando o máximo ignorar a presença do homem que atormenta a minha cabeça a cada milésimo que passa. — Você desmaiou por não ter comido nada, vai comer agora — nem a minha mãe, é assim. Ela está ficando igualzinha a mãe dela. A porta é aberta atraindo a nossa atenção para ela, e o Apollo entra com um laptop. O meu coração falha, vendo ele colocar o laptop já ligado na mesa. — Eu não acho apropriado eu assistir isso outra vez — ele diz, e eu o encaro — Não sou eu, Apollo — deixo claro, me levantando. O meu corpo está pesado e a minha visão escureceu por milésimos ao me levantar. — O que está fazendo? — ele pergunta, enquanto eu pego o laptop e levo para perto da TV. — Conectar a televisão, aí podemos ver todos bem — respondo, irônica, conectando o cabo aqui. — Pronto — eu falo, iniciando o vídeo no laptop, e mantenho os meus olhos na tela. E por um momento o meu corpo enrijeceu assustada, porque dava para ver o rosto, e era muito parecido, entrando no quarto, mas o susto logo passou, dando espaço para um corpo quente, vendo o que eu não gostaria de estar vendo. — Que indecência... — ouço a Kaiane falar, vendo a pouca vergonha nesse vídeo que o Zade fez, e eu já sei muito bem, de quem se trata aqui. Eu não acredito nisso. — Se não é você, é extremamente parecida com você, Selene... — o Apollo comenta, e eu levo o meu olhar até ele, enquanto a Kaiane pausa. O Laurent não olhou para o vídeo, e não posso culpá-lo completamente, porque seja lá o quê e como eles fizeram, eles se superaram. — O rosto, é o que eu estou dizendo... — o Apollo, se corrige. — Isso é maquiagem de cosplay... — a Kaiane comenta, ampliando a imagem no rosto. — Muito bem feita, inclusive — ela comenta, e eles são homens, eles não entendem nada. — E quem seria essa moça? — o Laurent pergunta, olhando para mim, e eu o observo. Não consigo o ler. Pego no meu cabelo, fazendo um r**o de cavalo alto, exibindo as costas nuas do meu vestido, e me viro para ele. — Como pode ver, eu não possuo nenhuma tatuagem no corpo — falo, me virando para ele de novo, queimando com o seu olhar. — Em nenhuma parte do meu corpo — enfatizo, e vou para o laptop, ampliando para um lugar mórbido do corpo da minha querida prima. — Nem aqui — eu mostro a lateral da coxa dela. — E obviamente, não tenho atrás da orelha — mostro o que lhes passou despercebido, ampliando a imagem. Volto o meu olhar para o Laurent, e eu sinto como se o gelo tivesse quebrado do seu olhar. — Essa é a Márcia, filha do meu tio — digo, com lágrimas beirando os meus olhos. Eu estou me sentindo extremamente traída, aliviada, enraivecida... — Que inferno de familiares você tem? — o Apollo questiona, realmente impressionado. Essa é a questão que eu me faço todos os dias. — Os mesmos que vocês sempre souberam que eu tenho, nada mudou desde então — respondo, ofendida. — Que desgraça... — o Apollo diz, atordoado. As batidas na porta me fazem quebrar o olhar com ele, e vou até a cama, fraca. — Com licença — um moço entra, puxando um carrinho com comida. — Boa noite! — ele diz. — Boa noite! — respondemos, mas o clima aqui está pesado. — Obrigada — agradeço, e ele assente, sorrindo e saindo. — Nós também vamos sair — a Kaiane diz, e nem pensar. — Você não vai a lado nenhum — eu digo. — Eu tenho um encontro, você não pode me prender aqui, nos vemos mais tarde — ela não tem encontro nenhum, e simplesmente fala, já saindo do quarto. — Eu vou levar isso de volta para o quarto... — o Apollo diz, pegando no laptop. — Eu... — ele balbucia, caminhando até a porta. — ... — ele simplesmente sai, sem conseguir dizer nada. — Saia do meu quarto — falo, olhando para ele que está em pé, me encarando. — Selene... — maldição. A voz dele me desarma de forma humilhante. — Eu... — ele também não sabe o que dizer. — Eu não preciso das suas desculpas — você não faz ideia nem da metade das coisas que me fez passar. — Eu não posso culpar você, realmente o cosplay que ela fez é convincente — demasiado. — Não é culpa sua, você não conseguir identificar pequenos detalhes no meu corpo — falo — Até porque, para além de você não querer analisar um vídeo daqueles uma e outra vez, eu também nunca o mostrei para você, como a moça que você noivou logo depois, sem antes ter terminado comigo — digo, com o meu sangue fervendo. — Ou, como o corpo das demais outras mulheres que fazem propaganda gratuita sua — falo. — Talvez seja por isso que você não se incomodou, nem em ligar para me insultar e terminar. — Não seja i****a, Selene — ele diz, e eu o encaro. — Em nenhum momento eu exigi que fizesse tal coisa, ou fiz? — pelo contrário, você agiu de forma completamente oposta a sua fama, comigo. Provavelmente, porque eu não era nada do que eu achava que era para ele. — Eu fiquei com raiva, eu me senti enganado, e agora estou me sentindo um... — eu o interrompo. — Você agiu exatamente de acordo ao que achava que eu faria — respondo. — Você não tem mais porque se sentir de nenhuma maneira quanto a mim, até porque você é noivo agora, não? — pergunto retoricamente. — Você pode me escutar, Selene? — ele pergunta, e o meu coração acelera. — Não — respondo, olhando nos seus olhos. — Agora quem não quer escutar você sou eu, porque eu fiquei dias, meses, tentando falar com você, e você continuou vivendo a sua vida sem se dar ao desprazer de me ouvir — eu falo, rasgando tudo o que estava no meu peito. E ao mesmo tempo que sabe bem, eu quero ele, como se eu não o odiasse nesse preciso momento. — Acho que esse foi o desfecho do qual precisávamos — falo, e o meu coração aperta. — Acabou! — eu falo, para a satisfação do meu ego e o sofrimento do meu coração. Não consigo decifrar o olhar dele, diferente de antes. — Agora, saia do meu quarto — eu falo, tirando o meu olhar dele, sem conseguir mais sustentar. Eu vejo de soslaio ele ir até a porta sem dizer nada, mas depois para. — Me desculpe — essa frase foi como uma virada de chave na fonte inesgotável de lágrimas, reservada nos meus olhos. Ainda bem que ele saiu logo a seguir, porque eu precisava livrar o ar que se prendeu nos meus pulmões. — Que merda... — eu balbucio, cheia de ódio. Não dele, mas deles, da minha família. Ele reagiu a uma coisa extremamente realista, e eu só o culpo pela sua reação, mas eles... Deles eu sinto ódio, porque eu nunca me surpreendo com nada que eles fazem. Mas ah, se eles irão ver! Depois disso, a minha fase de Maria Chorona acabou, sem dúvidas, agora eu farei eles chorarem. Eu nunca fui Maria Chorona, só para constar, foi só uma fase muito baixa na minha vida, que depois disso, eu estou mais do que pronta, para revidar os causadores dessa fase.
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