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1876 Words
CAPÍTULO TRINTA E UM. Selene Moreau Troquei-me, vesti um body preto, calças jeans e chinelos. Regressei para o quarto, e os meus olhos foram fisgados pelos porta retratos, e eu não resisto em aproximar-me. O meu coração está cheio, e batendo desenfreadamente. A foto que tiramos pela primeira vez foi na praia, e quem tirou foi a minha amiga Amaris, nós tínhamos ido para a praia nesse dia. Coincidiu que a Amaris também o conhecia e eram amigos. Tudo naquela cidade enorme parece rodar em volta dele, ele sempre foi popular. E acabou que o meu círculo o conhecia e acabou que nós nos aproximamos desse jeito. De lá para cá, parece até clichê mas a intensidade que o sentimento me tomou, foi insano. Algo que eu jamais havia experienciado na vida. E algo que eu tenho certeza absoluta que jamais terei com mais ninguém, foi um clique completamente encaixado. Como gasolina e fogo se juntando, é desse jeito como eu melhor posso descrever o que isso é. E de repente foi apagado, agora sei que foi por causa das maracutaias do Zade, mas com isso vieram mais coisas que estão me deixando não me atirar no mesmo oceano que eu tinha feito antes dos sete meses passados. Ele não é simplesmente uma pessoa que eu conheci... Ele sabia quem eu era, com certeza sabia de quem era o meu pai o tempo inteiro, e eu só soube no dia daquele incidente que me deixou louca. Repentinamente, ele é simplesmente o filho de uma das pessoas com mais posse na cidade que também é dominada pelo meu pai, o filho do inimigo do meu pai. Ele não é simplesmente o extremamente rico, e CEO de várias redes de hotéis e infraestruturas turísticas, que gosta de aventura, tem o mesmo hobbie que eu, adora o mar como eu, mas herdeiro de ninguém mais, ninguém menos que o Anakin Duvall. Vocês devem se perguntar que tipo de drama existe nessa cidade... Basicamente, a minha família não propriamente lida com coisas legais, sendo sincera. E é um tipo de negócio que existe desde a época do meu avô, de antes de eu ser um pensamento na vida dos meus pais. Essa área é daquelas clássicas comandadas por quem possui mais reputação e poder. Onde as coisas são resolvidas por conta própria e de maneira sanguinária. Infelizmente, essa é a minha realidade... A que eu nasci, e vivo. Já deu para perceber que é bem caótica... Enfim, com tudo isso tem como eu simplesmente mergulhar de cabeça por mais que o seja o que o meu coração, o meu corpo inteiro deseja? Entendem onde está o meu pensamento, ou irão me jogar como a Kaiane, o Apollo, e todos os outros? Agora do nada, depois de ter ficado afogada na minha confusão mental, incendiada no fogo que a nossa colisão causou, depois de o encontrar fazem três dias, depois dele ter simplesmente sumido da minha vida, eu estou literalmente casada com ele. Sabe aquelas faíscas de curto circuito, é assim que estão os meus neurônios tentando processar tudo o mais rapidamente possível. Oh... — ... — suspiro, olhando para tudo. Aliviada. Com minhocas na minha cabeça, hormônios fora do lugar, eu estou fora daquela casa, e não estou casada com aquele maluco do Zade. Melhor coisa que isso por agora? Não existe. Me levanto com esse pensamento e observo o quarto. Tem um só banheiro, e o closet dele, que continua estiloso e cheiroso para variar. E novidade! Aqui tem uma piscina e dá para ver o mar da varanda. Uma piscina numa casa nas montanhas... É mesmo a casa do filho do Poseidon. Saio do quarto e desço. Como eu havia assumido, nenhum deles foi a lado nenhum, só queriam nos deixar a sós. Encontrei-os todos conversando na sala, e bateu uma nostalgia que eu esqueci do que simplesmente aconteceu e está acontecendo e conversamos por horas. — O seu celular estava tocando — o Apollo diz trazendo. — Obrigada! — agradeço, vendo o nome da Vesper na tela. — Por que deixa o celular no silêncio? — o Laurent pergunta, só de implicância que eu conheço o tom. — Por sua causa — respondo, atendendo a minha irmã. — Haja paciência, por que razão você tem celular se nunca está com ou atende ele? — pergunta, e eu reviro os olhos. — Eu estava sem carga — respondo. — Não importa... Você está bem? — ela pergunta. — Céus, aquilo pareceu uma cena de filme! — exclama, e eu coro. — Eu estou sim — respondo, com vergonha de continuar falando, porque os quatro estão aqui olhando na minha direção. — O quê? — sussurro olhando para eles, que voltam a prestar atenção nas coisas deles. Eu hein... — Onde você está? Não se feriu, não é? Você saiu sem roupa... Você por acaso sabia que ele faria aquilo, Selene? — ela pergunta, como se agora fosse hora para isso. — Eu estou bem, não se preocupe... E agora não dá para falar — eu digo, tentando disfarçar as perguntas que ela está me fazendo. — Céus, ele é muito mais bonito pessoalmente! Na verdade todos... Você devia me apresentar o moço asiático, não? — valha-me. — Vesper... valha-me — falo, querendo rir. — Como ficaram todos aí? O papai? — pergunto, curiosa. Ele não vai ficar quieto. — Ninguém está ferido, mas eu acho melhor vocês saírem um pouco da casa do Laurent, eles fizeram uma queixa a polícia e eles estão indo para aí — ela diz, e o meu coração acelera. Polícia? Eles nunca usam a polícia... As coisas mudaram muito na minha ausência, ou eu devo preocupar-me mais. — Principalmente se as armas deles tiverem sido ilegais, eles podem querer fazer busca... eu não sei, sair deve ser a melhor opção — ela sugere, e eu olho para eles, nervosa. — Tá, entendi — respondo. — Que horas eles saíram? — pergunto. — Agora — avisa, e céus... Então nós temos de sair agora. — Tudo bem, falamos mais tarde então — digo, nervosa. — Tá, me mantenha avisada e atenda o celular, Selene — era o que me faltava, ouvir sermão de irmã mais nova. — Tá — respondo, e desligo. — Quem era? — o Laurent pergunta, curioso. — Era a minha irmã — conto. — Ela avisou que a polícia está vindo — digo, e a reação deles é completamente oposta da minha. É como se eles fossem as vítimas e eu a causadora de um crime mórbido prestes a ser pega. — E? — o Damian pergunta. — Como "e?", Damian? — pergunto. — Vocês são novos aqui, ninguém irá proteger vocês, nem a polícia — deixo claro. — Precisamos sair daqui — eu falo, me levantando. — Nós não precisamos nos esconder, Selene — o Laurent diz. Será que eles estão surdos? Não estão me escutando? — Mas eu estou dizendo que precisamos — falo. — Levantem-se — digo, dando meios volta para as escadas. — Eu vou calçar os meus sapatos e vamos para... o bar — falo, subindo. O que eles acham que podem fazer? Talvez eles nem necessariamente sabem mexer aquelas armas que vi mais cedo, era só para assustar... Não? Calço umas botas que tinham aqui, pego uma jaqueta preta porque está esfriando, e desço logo em seguida. — Vamos! — falo, já indo até a porta, e eles querendo como não, vem atrás de mim. Eu entro no carro no banco de passageiro, o Laurent entra no banco de condutor e os outros três, decidiram simplesmente pegar outro carro, saindo atrás de nós. Antes mesmo que eu o indicasse o caminho, ele estava virando no lugar certo. — Três dias foram suficientes para saber de que bar eu estou falando, e decorar o caminho? — pergunto. — O Apollo esteve lá ontem, a Sienna estava lá — ele diz, e eu franzo o cenho. — A Sienna está cá? — pergunto, chocada. — Huhum — afirma. — Desde quando? Por que eu não sabia? — pergunto. Sienna, é a minha amiga faz muito tempo. Mas ela também tinha se mudado daqui, porém, tal como a Amaris, ela conhecia o Laurent de algum lugar. — Ela chegou há uma semana — ele responde, e humn... Eu não vi nenhuma chamada perdida. Suspiro fundo, olhando para ele e sem querer eu vejo uma arma aqui. Os meus pelos eriçam, mas eu simplesmente não consigo falar nada, apenas volto a olhar para frente. As faíscas nos meus neurônios atacaram outra vez. O caminho inteiro foi em silêncio até lá, eu estava extremamente nervosa, principalmente sentindo o olhar dele em mim. Uma explosão de hormônios, que m*l ele estacionou, eu botei o meu pé para fora do carro buscando por ar desesperadamente. Céus! — Se recomponha, Selene — balbucio, para mim mesma. Vejo eles descerem do carro, e caminho em direção ao bar, na verdade ele é um café/bar... Não é propriamente uma discoteca, mas é o único lugar que pode chegar minimamente ao lugar que eles frequentam aqui, nessa cidade. — Tem certeza que isso é um bar, Seleninha? — o Harper pergunta, atrás de mim e eu o encaro. — Se eu disse que é, é, Harper — respondo, e ele levanta as mãos em rendição enquanto entrávamos, para o meu coração disparar ao ouvir sirene da polícia. — Eles demoraram — ouço o Laurent falar, fazendo-me franzir o cenho, inconformada. — Como assim, demoraram? — pergunto, já aflita, vendo carros pararem aqui. Carros da polícia, do i****a do Zade e os seus homens, o meu pai, os meus tios, todos! O meu coração despenca de medo, não necessariamente deles, mas do que estão prestes a fazer. — Laurent Duvall — o comandante diz, vindo até nós, e lágrimas preenchem os meus olhos. Ele vai ser preso por minha causa! — Comandante — ele responde, calmo. Tranquilo. — O que está fazendo, comandante? Por que está o prendendo? — pergunto, vendo ele retirar a arma do Laurent. Eu estou estressada. Olho para o lado vendo os policiais pegando também nos outros que estão igualmente tranquilos para o meu gosto. Eles estão todos indo para a prisão por minha causa. Boa, Selene! — Já está tudo certo, Selene. Ele não vai fazer m*l nenhum a você, não precisa fingir — o i****a do Zade diz, aproximando-se. — Que m*l, seu i****a? — questiono, virando o meu rosto na direção do Laurent, e vejo o comandante colocar algemas nele. — Isso não é necessário... — falo, e ele me corta. — Nós recebemos a queixa de que foi sequestrada, senhorita — ele diz. — Venha para o carro, Selene! — o meu tio diz. — Eu não fui sequestrada — falo, mas ninguém parece querer me ouvir. — Olha, ele manipulou a minha esposa — o que esse i****a está falando. — Eu disse que eu não fui sequestrada! — o comandante me ignora, todo o mundo me ignora. — Se... — os meus ouvidos bloquearam a fala do Zade, e por instinto, adrenalina, medo, ou simplesmente querer provar, eu me coloco na ponta dos meus pés, e tomo os lábios dele nos meus, sem pensar duas vezes.
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