CAPÍTULO TRINTA E DOIS.
Selene Moreau
O toque dos nossos lábios, foi a mais pura insanidade.
O meu coração que estava batendo desenfreadamente, se acalmou no mesmo instante.
O nervosismo foi substituído por um nível de calor que com certeza acabaria com a escala de um termômetro agora.
Um toque que eu desejava faz muito tempo, e soube tão bem, que eu simplesmente me esqueci que estava no meio de um caos.
Foi com o som de algemas que eu me afastei, com o meu olhar finalmente envergonhado pela minha impulsividade cativo no seu, que me observa, mas eu não necessariamente consegui descrever ele.
O meu rosto ruboriza intensamente, quando vejo o comandante puxar ele para o carro de polícia, junto com os outros, e o Zade, o meu pai, tio, todos, esfregando o rosto como se estivessem com formigueiro neles, depois disso.
Fico um tempo parada, sem saber o que fazer, quando vejo o carro saindo, e simplesmente a Sienna aparecendo na porta do passageiro do carro do Laurent.
— Vamos, Selene! — ela grita, e eu finalmente consigo colocar a minha mente para funcionar, correndo até lá.
— Selene! — o Zade grita, vindo atrás de mim.
Mas eu entro no banco de condutor e tranco a porta antes que ele a abra a força.
— Vamos, vamos, acelere! — ela diz, e é o que eu faço de imediato seguindo os policiais.
— Que merda... — falo, me acalmando um pouco agora.
— Eu achei que o nosso encontro seria muito melhor — ela diz, e eu suspiro, finalmente levando o meu olhar até ela.
Exuberante como sempre, sua pele n***a de tom amendoado reluzindo como ouro, e ela está de tranças.
A Sienna é a definição ou o que seria a personificação de deusa grega, a beleza dela é cativante nesse extremo.
— Eu achei que você faria a amabilidade de me dizer que estava cá — eu falo, voltando a olhar para frente e sorrio feliz em vê-la. — Mas eu estou feliz que esteja aqui — falo, sinto ela sorrir do meu lado.
— E eu de estar com você — ela diz. — Tome — fala, pousando o documento oficial de casamento do meu lado. — Vai precisar disso lá dentro. — afirma, e se eu antes estava confusa, não sei que nome dar a isso agora.
— Como você tem isso? — pergunto, ultrajada e ela sorri.
— O Harper pediu para que eu pegasse isso essa tarde.
— Vai me contar o que está acontecendo? — questiono, não aguentando mais.
— Longa história — ela diz, e eu dou de ombros.
— Temos alguns minutos até chegarmos a delegacia, o suficiente para você sumarizar para mim — falo.
— Não tem nada para contar, Selene — ela diz. — O Harper me ligou e pediu para que eu levasse a documentação do seu casamento... Isso soa até uma loucura de dizer — fala, e eu suspiro.
— Do nada? — pergunto irônica. — Eu estou começando a odiar isso — falo.
— Não é comigo que devia estar nervosa agora — ela fala, como se não tivesse claramente escondendo alguma coisa de mim.
Suspiro, e simplesmente piso no acelerador até lá.
Chegamos na delegacia, e m*l estacionei, saímos.
Meti o documento no meu bolso, se segui a polícia entrando com eles, como se fossem uma quadrilha criminosa.
— Comandante! — chamo por ele, que se vira para mim, claramente já cansado de mim, mas eu não me importo.
— Senhorita Selene, se acalme — eles diz.
— Será apenas um depoimento, não se preocupe — o Laurent diz, e eu assinto.
A calmaria dele me deixa calmo.
— Em seguida será a senhorita, não tem do que ter pressa — o comandante diz, irônico e eu suspiro, vendo eles irem.
Que droga, hein...
— O que você pensa que está fazendo? — o meu pai questiona, tomando o meu braço, obrigando-me ao encarar.
— O que acha que eu estou fazendo? — o confronto, nervosa.
— Selene... — ele fala, no tom de chamar atenção.
— Tio, aqui não é o lugar propício para isso — o Lion que chegou em algum momento diz, o puxando para longe de mim.
— Você é uma vergonha — o meu pai diz, e eu simplesmente ignoro, me afastando para um outro lugar.
— Com todo o respeito, senhor Moreau, o senhor é quem é uma vergonha — a Sienna diz.
— Como é, menina? — oh, ele está ultrajado.
— O senhor ia obrigar a sua filha a se casar com quem ela não ama, não acha isso vergonhoso sendo um pai? — Sienna o confronta, sem medo.
E bem, essa é a minha amiga!
— Está tudo bem, Sienna. Não façamos uma bagunça aqui — falo, puxando-a para o meu lado.
O meu pai também a ignora, e ficam todos me encarando com raiva, mas não fazem nada porque estamos na delegacia, graças a Deus!
— Senhorita Selene! — o tenente chama, atraindo a minha atenção. — O comandante a aguarda — ele diz, e eu assinto.
— É bom que fale a verdade, Selene! — uma bela ameaça disfarçada do i****a do Zade.
— Pode deixar que eu vou — respondo no mesmo tom, seguindo o tenente que abre a porta e eu não vejo nenhum deles aqui.
— Senhorita Selene Moreau, sente-se — o comandante diz, e eu assim o faço.
Nervosa.
— Eu serei directo — e eu agradeço. — Foi ou não sequestrada no dia do seu casamento? — pergunta, e ele eu desconheço.
Ele é um novo comandante. Será que alocaram o anterior?
— Eu não fui sequestrada — afirmo, e ele me observa.
— Apenas isso? — pergunta. — Estrangeiros, e o filho até pouco desconhecido do senhor Duvall invadiu o seu casamento com armas e carros e levaram a senhorita na frente de todos — ele diz, e eu engulo em seco.
— As armas eram legais? — questiono, e ele me observa, mas eu mantenho o contacto visual.
— Eram — um alívio tomou o meu corpo.
— E eles atingiram alguém? — pergunto?
— Senhorita Selene, sou eu quem faz as questões aqui — ele avisa e eu dou de ombros, mais relaxada.
Se as armas são legais, eles não irão presos.
— Foi uma pergunta retórica, eu sei que não — digo, e ele se encosta a sua poltrona com o olhar em mim, e cruzando os seus dedos. — Todos estavam atirando, é uma tradição aqui — ele me corta.
— Eu sou um comandante, não tente me fazer acreditar que as balas que analisamos sejam de festividade depois deles terem levado você, senhorita — valha-me.
— O senhor não me deixou terminar — respondo, e ele suspira. — Eu pedi para que eles me tirassem de lá, porque como deve saber eu não queria me casar com com o Zade Nightingale — ele assente com a cabeça.
— Então foi um plano? — ele diz.
— Não é um crime executar planos que não machuquem ninguém, pois não? — pergunto, e ele sorri.
— Depende, se a senhorita se tornou uma Nightingale, se meteu e levou com a senhorita os outros a uma grande alhada — diz, e eu sorrio.
— Eu estou casada, mas não com o Zade — respondo, e ele volta a sentar-se direito.
— Quer ser mais clara? — pergunta, e eu retiro o documento de casamento.
— Eu não fui sequestrada, eu estava com o meu... esposo — que insanidade!
Ele pega o documento que parece irreal só de olhar.
Seu olhar se volta para o documento que nem eu olhei direito, para mim e se volta para o monitor, penso eu que para verificar se isso é verdadeiro ou não.
A minha perna não para quieta, eu estou nervosa e não estou conseguindo disfarçar.
Seu rosto passa de normal para branco, me deixando mais ansiosa.
— Pela data e pelo horário aqui, a sua família não sabe disso — ele afirma, entregando-me o documento.
Selene M. Duvall.
A minha temperatura eleva em níveis preocupantes, quando vejo o meu nome assim e aqui.
Um misto de felicidade e incredulidade eu diria.
Oh, a minha cabeça não está conseguindo acompanhar nada do que está acontecendo.
Cada hora é uma coisa nova.
— O senhor vai soltar o meu esposo e os meus amigos, agora? — pergunto, e ele olha para o tenente fazendo um sinal para o tenente que estava aqui parado.
Ufa...
— Bem, a senhorita me surpreendeu e isso não acontece com frequência — ele diz, e eu sorrio.
— Foi um prazer, comandante — falo irônica e ele sorri. — Já agora, podia deixar pelo menos um dia o Zade aqui? — pergunto, e ele sorri.
— Para isso precisaria dar um depoimento com fundamento — ele diz.
— E eu dei agora — falo. — Ele me forçou a casar com ele, eu era a noiva, o meu testemunho conta — falo.
— Não é exatamente assim que as coisas funcionam — diz.
— O senhor viu como ele agiu, eu não me sinto segura, e gostaria que o prendesse aqui até possuir mais provas sobre o meu depoimento — falo, e ele sorri.
— Sabe do básico — claro que sei. — Nós cuidaremos disso — afirma, e eu assinto feliz.
Só quero que ele sinta um pouquinho o gosto de uma cela depois do que ele me fez.
A porta é aberta e o Laurent entra, agora sem as algemas e como se ele fosse o superior do comandante... não de maneira ofensiva, claro.
A tranquilidade dele as vezes me deixa embasbacada.
— Está liberado, Laurent Duvall — ele diz, sorrindo. — E eu devo dizer os meus parabéns pelo casamento e pela coragem — soou meio sarcástico, mas quem liga a esse ponto.
— Eu agradeço comandante — ele responde, enquanto eu me levanto. — E se houver uma próxima vez, só preciso que fale comigo e eu virei, eu sou bastante colaborativo — fala com sarcasmo e valha-me.
Ele sabe onde está?
Será que o pai o explicou direito?
— Estão liberados — o comandante fala, e eu assinto, vendo o tenente abrir a porta para sairmos e assim o fazemos.
O meu coração está chacoalhando, enquanto eu caminho de volta para o corredor.
— O que você está fazendo aqui? — o meu pai pergunta, levantando-se.
Os seus olhos estão enfurecidos, e eu também.
— Saia de perto dele, Selene — o tio Dawson fala. — Você é uma Moreau, tenha decência e saia daí — ele diz, me perfurando com o seu olhar.
— Eu não sou — afirmo, levantando o meu inédito documento de casamento. — De agora em diante eu sou a Selene Duvall, e nenhum de vocês irá me dizer onde ou não eu devo ficar — falo, olhando para as expressões pasmas e incrédulas.
— O QUÊ?! — o rugido do meu pai literalmente ecoa pela delegacia.
— Selene? — eu vejo o Lion questionar sem voz.
— O que você está dizendo? Você... — o tenente cala o Zade, algemando-o.
— Há um mandato de prisão contra o senhor — o tenente diz, e o tumulto que estava, só aumenta.
O meu pai se senta, com a mão no peito e eu seguro a minha vontade de ir até ele.
— E por quê? Foi ele quem invadiu o meu casamento! — o tenente saí o puxando, e eu estou sendo arrematada por olhares perfuradores, que estão sim, tendo um impacto não muito positivo em mim.
Porém, a mão do Laurent pousa na minha cintura, delicadamente, encaminhando-me para a frente.
Não era suposto um simples toque enlouquecer assim a minha cabeça, mas o fez.
A presença dele ensurdece as suas vozes, e muralha os olhares também.
— Muito bem, minha esposa — ele diz todo sarcástico próximo ao meu ouvido e por alguma razão as minhas pernas enfraquecem.
— Se comporte — eu falo, e sinto ele sorrir.
— Muito bem, Selene! — a Sienna diz, e eu me viro para eles.
— Por acaso algum de vocês vai me explicar o que está acontecendo? — pergunto, com a minha cabeça atormentada, assim que chegamos no carro com que a Sienna e eu viemos.
— Eu estou ansioso para ir para o bar — o Damian fala, desconversando e eu suspiro.
— Desde que me deixem em casa primeiro — falo, vendo que esse assunto não será tocado até quando eles decidirem e entro no carro.
Em menos de vinte e quatro horas, não só tive alguém invadindo o meu quarto no meio da noite, como de sequestrada do meu casamento eu fui, e depois de poucos minutos, eu simplesmente passei de solteira a casada do filho do pior inimigo do meu pai.
E os meus amigos vieram do nada, e uma coisa atrás da outra que eu não estou acompanhando.