Eu não preciso dizer que ganhei uma bela de uma enxaqueca,não é? E nem que eu pareço uma zumbi andando pelas corredores da escola.
Anna não apareceu em nenhuma aula e Matt não deu as caras, e isso, o sumiço dos dois me deixou preocupada,mas não o bastante para me fazer esquecer meu problema. O meu maior problema.
Noite passada eu beijei, sem querer, o meu professor e estou a caminho de uma reunião com ele, não é incrível? Eu poderia fingir passar m*l, ou só mandar uma mensagem dizendo que terei que remarcar. O que eu faço?
"Podemos remarcar para amanhã? Quando eu tiver coragem para olhar na sua cara? "
Apaguei a mensagem assim que escrevi.
— Emma? — ai não.
—Professor Campbell?
Parado em minha frente com aquele sorriso fino nos lábios e os olhos azuis brilhando como estrelas no céu. Eu adoraria pinta-los.
— Então, biblioteca ou laboratório?
— Biblioteca. — foi só o que consegui dizer.
Eu contorcia os meus dedos dentro do sapato,minha boca já está doendo de tanto levar mordidas,mas não consigo me conter.
— Então, vocês estão aprendendo sobre Genética e as Leis de Mendel, certo?
— Sim, na verdade no final do ano passado entramos no assunto e paramos na primeira lei, o antigo professor não aprofundou o conteúdo.
— Entendo. — ele olhava para a mesa, e seus dedos batiam contra a madeira da mesa em movimentos constantes.
— Bom, eu já dei uma estudada nas duas outras leis e acho que uma revisão da primeira seria melhor,sabe? Por que vamos precisar dela para entender as outras.
— Sim, é um bom plano, Emma.
O que é que ele tem? Não é para ele dar as ideias também? Conversar comigo ou pelo menos escrever o que estou falando?
— Algum problema Sr.Campbell? — meus dedos roçaram mais uma vez o solado do meu tênis.
—Hum, desculpa. Minha cabeça está em outro lugar. - disse ele.
— Tá, uma reunião é constituida por explanaçoes de ideias, eu preciso que diga algo que não seja "sim, Emma" ou "é uma boa ideia"! — minha paciência já está se esgotando.
— Por que está sendo tão formal? Isso aqui não é uma entrevista de admissão.
Porque eu falo formalmente sempre que estou nervosa, é por isso Eliot Campbell!
- Não sei. - ele sorriu.
- Eu gostei da sua idéia, mesmo , por isso não debati, vamos fazer isso! — ele enfim olhou para mim. Esses olhos, imensidão azul, eu quase posso ouvir os sons das gaivotas voando sob o mar. - Emma?
- Sobre ontem...
- Não precisa se explicar...
- Eu preciso.
Um interrompeu o outro, meu estômago de revirou e eu senti o café voltando.
— Sr.Campbell eu não estava em meu juízo perfeito. E eu só ia agradecer, você que virou o rosto, se não tivesse feito isso não teria acontecido!
— Está pondo a culpa em mim? — ele perguntou. Ele está brincando comigo?
- Sim. Me sinto melhor jogando-a em você! - ele riu e é uma luta não sorrir junto.
- Jogando-a? Sério? — sua resposta foi um dar de ombros. - Bom, só não podemos deixar que se repita, não é mesmo?
- Sim, mas... - cala a boca, Emma! - Deixa prá lá.
Parecia que os dois queriam falar algo a mais, mas os dois se contiveram. Eu nem sei por que estou agindo feito uma tola, ele é meu professor e eu não devo querer dizer algo a mais ou querer fazer algo a mais. Não devo,não é?
— Quer carona? — ele perguntou assim que saímos da escola.
— É melhor não. — disse rapidamente.
- Não vai ter problemas,Emma. É só uma carona e sem...você sabe, dessa vez. - apenas balancei a cabeça em concordância.
No carro dele,de novo. A única coisa que consigo fazer é olhar pela janela.
- Sabe, eu vi você quando eu cheguei na cidade, - me virei para ele - você estava saindo de uma papelaria, com várias sacolas e eu me lembro que seu cabelo estava solto e o vento os sacudiu e você começou a rir, eu pensei que fosse uma doida. — não consegui conter a gargalhada, minha barriga começou a doer de tanto rir.
- Eu fico muito empolgada quando compro tintas novas. - comentei assim que as risadas cessaram. Campbell me olhava com um olhar iluminado - Mas, não doida.
- Gosta de pintar?
- Eu amo, é uma parte de mim, sabe? - ele sorriu.
- Será que algum dia eu poderei ver uma de suas pinturas?
- Não, bem...,mas se quiser uma é só me dizer como quer que eu p***o pra você.
- Faria isso pra mim?
- Sim, meus amigos sempre me pedem novos quadros ou desenhos, é normal pra mim fazer isso.
- Hum. - o carro estacionou no mesmo lugar que ontem a noite, duas casas antes da minha. - Eu quero uma pintura de Seattle, sabe o observador? Quero uma pintura que tenha ele.
Seattle. Observador.
- Seattle? É de onde você é?
- Sim, minha família é toda de lá.
- Está longe de casa. Você sente falta de lá? - ele olhou para mim e eu vi a hesitação nos seus olhos. - Meu irmão foi para Yale, é perto daqui mas eu sinto tanta falta dele e eu sei que ele sente o mesmo. Lar é lar, Eliot. - não sei se pelo meu comentário ou por eu ter chamado ele pelo primeiro nome,mas Eliot exibiu um sorriso largo no rosto.
- Eliot?
- É o seu nome não é? Você me chama de Emma,enquanto os outros alunos são Sr.Carter ou Srta. Spinoza. Achei justo te chamar pelo primeiro nome,já que sempre me chama pelo meu. - dei de ombros.
- Gosto de como soa, Emma. Emma. - ele olhou para o volante, desviando sua atenção de mim.
- Gosto de como meu nome sôa em seus lábios. - Emma, se controla e controla essa sua boca i****a.
- Gosta, é? - ele sorriu,mas seus olhos continuavam prestos ao volante.
- Eu não pensei antes de falar.
- Você faz muito isso.
- Desculpe.
- É melhor você ir, já está entregue.
- Obrigada, pela carona esta e a de ontem, eu não agradeci.
- Tudo bem, Srta. Still.
Mensagem recebida, Emma você é tão burra.
- Até Sr.Campbell. - minha voz saiu macia e provocante.