Já faz semanas desde que fui a casa de Eliot Campbell e dissera a ele que as coisas precisavam mudar, para o nosso bem. Mas, mesmo tão distante é impossível não observa-lo, não notar quando corta as madeixas loiras, ou quando ele está de mau humor, ou quando ele veste aquele camisa social branca e eu posso ver seus músculos traçados por ela. Eu não consigo evitar, as vezes me pego sorrindo e isso é lamentável, mas de certa forma, ouvi-lo se confundir se me chama de srta.Still, ou Emma, me faz mais feliz.
- O que você tem? - perguntou Anna.
- Como assim?
- É meu aniversário, Emma e tem uma festa lá embaixo nos esperando e você está aí entristecida, você parece estar sempre assim ultimamente. - ela disse com um ar pesado e preocupado.
- Estou com muitas coisas na cabeça, - em uma pessoa em particular - mas você está certa, hoje é o seu dia! - me levantei da cama dela e a fiz rodopiar. - Eu disse que esse vestido ia ficar perfeito!
- Tudo fica perfeito em mim! - eu ri alto.
- Tá, vamos logo que estão todos te esperando.
Anna nasceu em berço de ouro, sua casa é duas vezes maior que a minha e sua pequena comemoração de aniversário está mais para um baile real. Seus pais, dois advogados renomados, cedem aos caprichos de Anna como a água cede passagem a uma pedra.
Eu por outro lado não tenho tamanha sorte. Estamos nos virando para gastar o mínimo possível e eu tento sempre que posso poupar o que ganho com as telas que vendo,mas mesmo assim, eu nunca pediria aos meus pais que comprassem um vestido a altura da festa, eu apenas escolhi o melhor vestido que eu tinha. Me olhei no espelho antes de sair do quarto de Anna. Meu vestido é amarelo claro e longo, possui um singelo decote na frente e um entrançado nas costas deixando-a parcialmente nua. Meu cabelo castanho solto em uma cachoeira de cachos feitos pelo babyliss , e uma maquiagem leve. Não chego aos pés de Anna, que está usando um vestido esvoaçante na cor vermelho escarlate,mas estou me sentindo bonita.
A casa está cheirando rosas, e muitos arranjos estão espalhados pela casa. A sincronia dos garçons é um tanto irritante,mas é engraçado ver tantos pinguins em um lugar só.
Quando descemos as escadas, Anna foi recebida por aplausos que duraram dois minutos inteiros. Ela é realmente a neta,filha e sobrinha favorita.
Encontrei meus pais dançando e os gêmeos roubando doces do buffet, não ousei intervir. A festa está agradável e todos estão felizes,mas, tem algo faltando. Não para eles pois os sorrisos, tantos sorrisos felizes e alegres, sou a única a sentir que tem algo errado?
Sai da casa rumo ao jardim. Eu não queria estragar a festa e muito menos deixar Anna irritada, torço para ela não notar minha ausência.
Esse, o jardim da casa de Anna, é um dos lugares que eu uso para me inspirar. É repleto de diferentes flores e arbustos cortados em desenhos incríveis.
- Está perdida?
Devo estar delirando, essa voz é idêntica a ...
- Eliot? - não consegui conter meu espanto.
- Oi, Emma. - ele se pôs ao meu lado - Festa muito agradável não é? - tirou as palavras da minha boca.
- Sim. - olhei para minhas sandálias e mordisquei os lábios.
- Como está?
- Bem. - não se aproxime, não se aproxime,não se aproxime.
- Não parece que está tudo bem. Há algo de errado, Emma? - ele se aproximou e eu recuei, me afastando dele.
- Desculpe, eu... - respirei fundo e tentei controlar os nervos - , acho que estou enlouquecendo.
- Se precisar conversar, saiba que estou a disposição, não gosto de vê-la assim.
- Fica mais difícil, se você falar assim. Por que faz isso, Eliot? - dei um passo em sua direção. - Por que se aproxima de mim? - ele engoliu em seco.
- Não posso, Emma. Sou seu professor.
- Eu sei, e é por isso que pedi para evitarmos isso. Nos dois é tão... impossível. - eu disse. Senti um nó se formar em minha garganta.
- Acha que não sei? Você só tem dezoito anos e eu vinte e cinco, como acha que veriam isso? - ele aumentou o tom de voz.
- Eu nem sei o que é isso. - apontei de mim para ele - Acho que...acho que...
- Emma? - a voz de meu pai me chamou.
- Estou aqui. - falei de volta. Olhei para Eliot e ele olhava fixamente para mim.
- Estávamos te procurando. - meu pai disse e então notou a presença de Eliot - Quem é esse?
- Eliot Campbell, professor de biologia. - eu disse apenas.
- É um prazer senhor. - Eliot estendeu a mão e ele e meu pai se cumprimentaram.
- Você que está ajudando Emma com a faculdade? - perguntou meu pai.
- Tentarei ajudá-la no que precisar, senhor. - ele está tão formal.
- Fico feliz que ela tenha seu apoio e sua orientação. Mas, aqui é uma festa e não um lugar para se preocupar com o futuro, vamos minha filha, venha dançar com o seu velho, quem sabe a próxima não seja sua, Sr.Campbell. - meu pai falou e eu puder ver o renascer das estrelas nos olhos de Eliot.
- Eu adoraria senhor.
Dançar com meu pai foi nostálgico, eu me lembrei de quando ele me colocava sob seus pés e nós dançávamos na sala de jantar enquanto mamãe nos gravava. Mas, no momento que a música terminou e ele me entregou para Eliot, eu não tenho como descrever a onda que percorreu pelo meu corpo.
Mantínhamos nossos corpos a uma distância segura,não para evitar transparecer algo,mas também por que eu tenho medo do que eu posso fazer se estiver muito perto.
- Você dança bem. - comentou Eliot.
- Agradeça a meu pai, ele que me ensinou. - sorri.
- Ele é um bom homem. - ele olhou além de mim, de certo olhava para meu pai.
- Ele é.
A música que está a tocar é uma versão acústica de maps do Maroon 5, minha música favorita. Não tem como não me sentir a vontade escutando ela e nos braços de Eliot.
- Você está linda, Emma. - seus olhos estão fixos nos meus.
- Você não está nada m*l. - brinquei e acabei arrancando uma risada dele.
- Nada m*l é?
- Acho que se você estivesse coberto de lama, e em um saco de batatas, eu ainda ia te achar o homem mais bonito que já vi na vida. - soltei, sem medo que alguém ouvisse. Eu não me importo com o que vão falar, por que é dele que eu preciso.
- Você e sua habilidade de falar sem pensar. - ele sorriu de lado. Pensei que ele não tinha como ficar mais lindo.
- Eu pensei, Eliot. Em cada palavra.
Pertos de mais. Toque de mais. Senti algo esquentar, então eu me afastei e rodopiei, como se fosse parte de uma coreografia.
- Ah, Emma. Se eu pudesse...
- Não fale, - olhei nos seus olhos , na imensidão azul que tanto amo — só vai piorar as coisas.
A música terminou e eu me desvencilhei dele.
- Obrigada pela dança, Srta.Still.
- Eu que agradeço, Sr.Campbell.
Subi apressadamente para o quarto de Anna. Eu precisava respirar,mas era impossível. Eu estou com o perfume dele grudado em meus braços e em meu vestido.
Era ele, o vazio, o que faltava. Eu sentia falta dele. Estou completamente apaixonada por ele.