Quarto Ato: Drogas

1057 Words
Ah aquele namorado que tive na época de faculdade..... gostava duas vezes mais de uma boa farra do que eu. Nessa mesma época tinha um cara legal, era meu amigo de infância. Ele queria ficar comigo mais como sempre eu gostava do errado, só dava a ele uma “bola” porque eventualmente ele me ajudava com algumas coisas. Conheci esse meu antigo namorado por intermédio do trabalho, ele trabalhava em um escritório que prestava serviços para a gente. Fomos trocando olhares, depois conversamos e, por fim, ele pediu o meu telefone. Ficamos algumas vezes e ele decidiu me levar para a roda de amigos dele. E eu pensava que eu é que era p***a louca. A galera era toda da pá virada, a turma era composta por três meninas e oito meninos. Quando cheguei as meninas logo torceram o nariz, porque o fulano tinha levado uma patricinha. Realmente tenho cara de patricinha e não, não me orgulho nada disso, não tenho culpa de ter nascido assim. Os meninos também me achavam diferente deles. E eu realmente era, trabalhava em um lugar importante, tinha cara de patricinha e ainda fazia faculdade. Por fim, todos me aceitaram como uma deles e engatamos em uma amizade tri louca. Dizíamos que a casa das meninas era mágica pois tínhamos pouco dinheiro mas o tanto que o álcool rendia não era brincadeira. Foi aí que eles me apresentaram os entorpecentes, lá na casa dos meus vinte anos. Comecei a usar cocaína, claro que não chegava nem próximo a ser uma viciada já que tinha meu limite. Nunca dei mais que cinco “tiros” em uma noite. Se tivesse, eu usava, senão tinha tudo bem eu não fazia questão. Eu mais bebia mesmo e teve um dia que bebi bastante e acabei dormindo com uma das meninas da roda. Claro que o meu namorado não se importou, ele até gostou de assistir. Eu me lembro de tudo e não posso dizer que não estava consciente pois estava. A gente nunca mais dormiu juntas, mas sempre dava “uns pegas” sabe. Não que eu gostava de mulher nem nada mais eu gostava de ficar com ela. A fase passou e fomos amigas até o dia em que resolvi tirar a minha vida. Fiquei feliz por ter a visto essa última vez, não me despedi. Nem dela nem de ninguém. Acabou que o meu namoro não durou por muito tempo, mas continuamos sendo amigos e sempre saímos juntos. Mais um escuro na tela e me aparece Natan.... sinto meu corpo ficar tenso e eu aperto o braço da poltrona que estou sentada. Numa destas saídas conheci Natan. Ele estava longe de ser lindo, mas era muito gente boa. Sai com ele uma ou duas vezes até que ele me pediu em namoro. Aceitei o namoro, não porque eu amava ele nem nada, mas porque ele não media esforços para me agradar. Dinheiro vinha dele como suor saindo pelos poros, era diferente do meu antigo caso com o diretor, antes eu não me importava com o que ele tinha mas neste caso, foi somente pelo que ele poderia me proporcionar. Ele tinha dois carros do ano, completos e automáticos e deixava um comigo. Na segunda semana que estava com o carro acabei derrubando um brinco embaixo do banco do motorista e eu comecei a procurar. Encontrei o brinco, contudo não antes de achar uma pistola calibre trinta e oito. Foi quando descobri o que ele fazia da vida. Ele traficava drogas da Bolívia e abastecia todo o estado de São Paulo, então ele descobriu meu fraco por cocaína e dava pedras e mais pedras da pura para eu curtir com os meus amigos quando ele estava em viagem. Por conta dos “negócios” dele a gente m*l se via então quando eu saia com meus amigos e íamos a algum ponto de vendas buscar coca pra gente curtir ele me ligava. Eu colocava o pé na biqueira que o meu celular tocava. Todos sabiam que eu era a “primeira-dama”, como os próprios me chamavam. Tinha vez em que eles nem cobravam para poder de certa forma agradar o patrão. Acabei terminando com ele por dois motivos: primeiro porque mesmo de longe ele me sufocava e sempre sabia de todos os meus passos. Eu não vivia na biqueira, porém descobri que ele tinha colocado alguns dos seus para me seguir onde fosse. Segundo porque acabou que um dia ele veio e saímos no carro dele. Até hoje não sei quem eram, mas dois carros, nos fecharam e começaram a atirar na gente, ele acelerou porém não teve escapatória, teve que alcançar a pistola e me entregou aos gritos para eu atirar e eu tive que atirar, eu nem sabia o que estava fazendo. Não nos ferimos e não feri ninguém além dos buracos no carro. O desespero que passei foi o limite. Ele disse que era um cara que queria assumir o seu lugar, mas nem explicação eu pedi. Avisei para ele que era pedir demais de mim, que eu acabaria me machucando e ele, por fim, disse que eu estava certa e que ele não iria mais me procurar. A partir desse dia eu comecei a sair menos e estava praticamente parando de me drogar, bebia só em casa mesmo ou na casa de amigos, é trauma que chama né. Parei de vez um dia que uma amiga insistiu para que eu a acompanhasse em uma festa na casa de um amigo dela. Garantiu que seria tranquilo e que iria embora assim que eu pedisse. Pensa, que chegamos lá e realmente não tinha muita gente. Quarenta minutos de festa e a polícia invade a residência. Vasculharam a casa toda e graças a Deus não encontraram drogas. Mas encontram armas escondidas pela casa toda. Fui presa por formação de quadrilha. Como eu era ré primária, tinha emprego fixo, não encontraram drogas no meu organismo e eu trabalhava no melhor escritório de advocacia da região fui liberada em oito dias. Minha ficha foi limpa pois provaram que eu estava no lugar errado e na hora errada. Minha amiga chegou a ficar trinta dias na cadeia, ela disse que praticamente tinha me carregado pra lá. Agora está respondendo processo em liberdade. A tela ficou toda chuviscada. Entendi que iríamos ao próximo ato.
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