Terceiro ato: Trabalho / Faculdade

1165 Words
Esse meu novo trabalho estava me deixando bastante centrada e contente. Era uma grande empresa, a matriz se situa na minha cidade e tinha várias filiais nas cidades vizinhas. Sempre que a empresa precisava eu era enviada para as filiais, eles não só gostavam de mim como tinham confiança no meu trabalho. Rapidamente eu subi de cargo, com dezoito anos era chefe do setor de secretariado e não só da matriz, mas também das filiais também. Diferente da minha passagem pela escola eu era bem-quista no lugar não só pelos superiores mas também pelos demais funcionários, inclusive pelos meus subordinados. Eu era secretária de um dos diretores e tinha um outro diretor mais jovem que era muito bonito, na verdade ele era lindo e tinha um sorriso perfeito. Dois meses trabalhando lá e conversava o mínimo necessário com esse diretor, ele era alguns anos mais velho que eu e algumas centenas de reais mais rico, não tinha motivos para me aproximar. Até que estávamos em época de Natal e esse mesmo diretor foi distribuir as gratificações. Eles eram bons patrões, sabiam como motivar seus funcionários sempre conscientes de que era muito trabalho e extremamente exaustivo. Chegou a minha vez, ele me deu um abraço tão apertado e um beijo molhado na minha bochecha que acendeu o meu corpo e afetou minha calcinha. Eu nunca disse que era uma santa e no fundo eu nutria um certo interesse nele, a gente melhora e não muda de uma hora para outra. O tanto de vezes que já me toquei pensando e fantasiando que seria ele a me tocar. Ainda pisou no meu pé quando desfez o abraço e eu lembrei de uma coisa que falávamos na época do Colégio: quem pisa no pé pede beijo, acabei sorrindo ao lembrar. Acompanhando o meu sorriso ele olhou no fundo dos meus olhos com um olhar cortante e anunciou que seríamos dispensados mais cedo pois a noite haveria uma confraternização e teríamos tempo para nos arrumar. Fui pra casa e me arrumei, coloquei uma saia lápis preta, uma blusa creme um pouco de transparência e babados nas mangas, que fazia um sucesso absurdo na época, passei um batom vermelho nos lábios, ajeitei os meus cabelos como deu, eles eram minha briga eterna, uma sandália preta e fui para o tal evento. Até parece que alguém como ele olharia para mim. Sou muito nova e não estou nem um pouco perto do nível social dele. Eu era apenas uma jovem funcionária, a festa foi passando, eu notava que vez ou outra ele prendia seu olhar em mim, claramente ele fazia com os outros também, sempre parando em uma roda e participando da conversa e logo passando para um outro grupo e assim por diante, estávamos todos bebendo e conversando, o clima da festa estava ótimo. Eu já mencionei o meu problema com a bebida, não é? Pois bem, eu havia combinado de voltar com um colega que morava próximo a minha casa. Na verdade ele era meu professor no curso que minha avó me pagou, ele era bastante legal e a esposa dele era a minha dentista, sabia que voltando para casa com ele eu estaria em segurança. Estávamos indo para o carro dele e bem na hora para outro carro na minha frente. Era o diretorzinho. Ele me ofereceu a carona alegando duas coisas: que o cara que me daria carona estava bêbado demais e que ele morava perto da minha casa também. Santa inocência. De fato o meu colega nem conseguia colocar a chave para abrir a porta e eu realmente estava preocupada com o bem-estar dele e infelizmente eu ainda não sabia dirigir, mas quanto a morar perto, ele morava a duas cidades da minha. Entrei no carro dele e o vi parar em um caminho escuro não muito longe da empresa, lembro de ter uma lua enorme e brilhante no para brisa, não precisei pedir explicação visto que ele retirando seu cinto de segurança começou a dizer o quanto me queria desde a primeira vez que havia colocado seus olhos em mim, fez um gesto com quem perguntava se eu estava de acordo e eu rapidamente concordei. Não teve sexo aquele dia, mas ouso dizer que foi a melhor pegação que eu tive em minha vida, e experiência não me faltava. Acabou que essa carona custou mais de doze meses de um caso. A menina pobre deslumbrada com a vida de um homem rico, viajado, estudado. Claro que eu não tinha em mente casamento nem nada, apenas curtia o momento. Todos sabiam sobre a gente. Íamos a todos os lugares juntos, era tão sério que eu tinha até a senha dos cartões de crédito dele, mas eu nunca abusei, eu sempre soube o meu lugar. O tempo foi passando. Ele me levava à faculdade todos os dias, todos achavam que éramos namorados. Ele nunca me deu presentes, eu não aceitaria, nosso lance era puramente carnal: saímos, bebemos, transávamos e ele fumava um baseado, depois ele me levava para a faculdade ou para a minha casa. Ele ligava no meu ramal na hora do expediente e me chamava para a sua sala e era em seu banheiro que tudo acontecia. Quando íamos visitar uma filial, parávamos sempre que encontrávamos um motel na rodovia, dormíamos juntos após as festas da empresa, sempre ficávamos no mesmo quarto quando tínhamos alguma convenção, não havia pudor, romance ou remorso. Até que eu descobri que a namorada, filha de pessoas influentes e ricas que eu nem sabia que existia estava grávida e o casamento havia sido marcado. Ele queria que a gente continuasse mesmo assim já que ela era de outra cidade e não saberia. Sempre quisemos a mesma coisa: curtir o momento então fidelidade, compromisso ou algo correlacionado nunca foi pauta de conversa entre a gente. Obviamente que não aceitei e aquele foi o nosso fim. Conforme os anos se passaram as investidas foram diminuindo e eu ainda trabalhava lá e eu via ele desfilando com sua esposa e filho pequeno, eu estava bem, estávamos bem, continuávamos amigos, como eu disse: sem ressentimentos. Aí comecei a interagir mais com a galera da faculdade, já que não estava mais com ele a tira colo para cima e para baixo. E foi nessa hora que entrei pra galera da curtição. Saíamos sempre e íamos beber, virávamos à noite. Era no restaurante do outro lado da rua, na padaria, no churrasquinho da esquina. Até inventamos um sinal para poder combinar sem precisar usar palavras. Eu quase repeti por falta e não me formei com louvor, mas consegui me formar com notas aceitáveis. Finalmente não precisava mais me equilibrar entre trabalho, faculdade e a curtição. Até estranhei não ter aparecido um cara que namorei na época da faculdade. O que foi uma parte trash da minha vida. Eu e minha boca grande. Tudo ficou escuro e quando voltou a acender a tela apareceu somente a foto dele. A merda.... agora que as coisas começam a piorar.
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