No colégio eu era o tipo de criança que passava despercebido de tudo, eu sempre fui uma boa aluna sem precisar me esforçar muito para isso, porém não fazia parte de nenhum dos grupinhos, na realidade mais algumas pessoas não se encaixam nesses grupos, então por falta de opção éramos o grupo dos excluídos. Me lembro que tinha atitudes tão tolas e infantis que sempre eu fui motivo de chacota para os que deveria chamar de amigos.
Fui crescendo mas, meu corpo ainda não tinha se desenvolvido tanto quanto o das outras meninas da minha idade. Eu era magra e reta, sem curva e graça nenhuma, o único volume que havia em meu corpo era o meu cabelo, sempre armado, com muito volume e sem vida.
Um dia ganhei da minha tia um sutiã, o meu primeiro. Eu fiquei muito feliz com o presente, afinal representa um marco na vida de uma garota, quase como se fosse a confirmação de que finalmente estamos crescendo. Decidi vesti-lo para ir à escola e o mesmo logo foi notado pelos meus colegas já na primeira aula. E esse foi o pior erro número um.
Meus “amigos” de escola tiraram tanto sarro da minha cara, perguntavam pra que eu usava sutiã se nem peito eu tinha. Me perturbaram por meses, eu me sentia péssima, sempre me perguntava o que eu havia feito para que me tratassem assim, eu nunca maltratei nenhum deles, pelo contrário estava sempre disposta a ajudar e intimamente até tinha vontade de ser mais próxima a eles. Até que eu cometi o segundo erro que os fizeram esquecer o primeiro.
Eu já cansada das brincadeiras maldosas e muito p**a com a minha arqui-inimiga. Datilografei uma carta com várias ameaças, colei com fita adesiva e joguei no quintal dela. Não era somente o meu corpo que ainda não estava de acordo com a minha idade, o meu mental também.
Claro que descobriram que era eu. Eu era i****a o suficiente para deixar mais do que escancarado.
Foi assim, com um ato desacertado meu após o outro que o bullying não tinha fim.
O tempo foi passando e as pessoas foram se esquecendo de mim. Eu mudei, meu corpo adquiriu muitas curvas. O olhar das pessoas mudaram sobre mim. Agora eu era a gostosa que todo mundo queria colocar a mão, os meus s***s ficaram fartos e pesados, minha cintura fina e o quadril largo com nádegas redondas e empinadas. Os que mais me encaravam eram justamente os que mais me perseguiam e me zoavam. Claro que eu me exibia para os meninos que riam de mim e nunca deixei nenhum deles colocar as mãos em mim.
Arrumei um namorado, eu era perdidamente apaixonada por ele. Perdi minha virgindade aos treze anos, se levar em conta que comecei a me masturbar aos oito, não foi nenhuma surpresa e nem tão cedo assim.
Ai a vida, neste caso a morte faz questão de esfregar na minha cara o tamanho da aptidão que tenho para ser i****a.
Ele abusava da minha pouca experiência, me prometia mundos e fundos e me traía com o primeiro par de pernas abertas que encontrava pela frente. Ele tinha somente um critério: mulher, sendo uma nada mais importava. Não cheguei a sofrer nenhum tipo de agressão, nem física e nem verbal, mas ele sabia me manipular como ninguém.
Eu o amava, sentia aquelas famosas borboletas no estômago. Um amor avassalador que fazia doer o peito só de pensar em não estar perto, eu sonhava com o nosso casamento, os nossos filhos, tinha planejado, com a ajuda dele é claro, o resto de nossas vidas.
Então aos dezessete peguei ele na cama com outra e foi a gota d'água para eu terminar tudo, foi uma fase muito dolorosa pra mim.
Eu sempre trabalhei desde muito nova, afinal eu tinha que ajudar em casa e calhou de eu ficar desempregada nesta mesma época. Foi bem aí que eu me perdi.
Conheci o tal do sexo casual e me entreguei de corpo e alma a ele. Não sei precisar quantos parceiros tive nesta determinada época da minha vida, mas me lembro de alguns casos:
Três em um total de cinco de uma banda de Rock, sendo que cheguei a ter um rápido namoro com um deles.
Namorei um primo distante, muito bonzinho ele, mas sempre gostei do errado e acabei o traindo com um outro primo nosso, esse sim sabia usar as mãos.
Minha vida se resumia a baladas, álcool e sexo. Cheguei até a f********o com estranhos, muitos deles a propósito.
Saia com tudo o que é tipo de cara, usava do mesmo critério do meu ex. E por conta de um que eu não saí, tomei uma surra na rua. Até hoje me arrependo de ter levado a fama sem ter deitado naquela cama.
A menina que estava afim dele, juntou mais duas e veio para cima de mim. A partir daí acrescentei um item a minha vida merda: era balada, bebida, sexo e brigas.
O fogo no r**o era tão grande que comecei a mexer com coisas ocultas. Ta aí uma coisa que não tem volta, você sempre tem opção de entrar, mas por mais que você deixe de fazer essas coisas de fato nunca saem da gente.
Então ingressei no wiccanismo (bruxaria) e dei uma melhorada nas brigas e nos outros excessos também. Aprendi muita coisa boa sobre respeitar tanto a si, quanto as pessoas e a natureza, porém nunca de fato as usei em minha vida.
Sempre fui boa em fazer as coisas na miúda, independente de qualquer coisa não queria magoar os meus pais. Independente de tudo que vivemos em família eu os amava e não queria ser para eles motivo de vergonha e desonra.
Depois de algum tempo a minha avó começou a pagar um curso pra mim, ela era distante mas gostava de mim do seu próprio jeito e eu também sempre gostei bastante dela e a partir daí a vida deu uma melhorada. Eu parei de andar com a galera errada, comecei a pegar firme no estudo e deixei um pouco a bebida de lado.
Me dei muito bem no curso e através dele consegui um emprego no melhor escritório de advocacia da cidade, foi um marco para uma importante virada de chave na minha vida. Fiquei tão empolgada que nem por um minuto me preocupei com o que viria a seguir.
No mesmo esquema de morde e assopra do ato anterior pude rever os momentos bons:
Quando conheci o amor e a dor me ensinou, aprendi a ter minha autoestima e a gostar de mim como eu sou. As pessoas e os lugares que eu conheci, o orgulho de se tornar uma pessoa melhor e o discernimento entre o certo e o errado.
Ou não.