Valentina O Luar acordou cedo, quente, barulhento, com o tipo de sol que faz a laje virar chapa. Eu acordei junto, com a marca no pescoço ardendo feito lembrança teimosa. Passei o dedo por cima, raiva veio primeiro, depois o arrepio que eu me recuso a admitir. — Não. — falei pra mim mesma no espelho. — Hoje tu manda no teu corpo. — E desci com a marra no rosto, pronta pra jogar gasolina no fogo. A falha na vigilância aconteceu no susto, Cardim, o estagiário do crime, saiu pra resolver entrega e esqueceu de mandar o substituto. Freitas sumiu por meia hora pra atender um chamado no Mirante. O corredor ficou nu. A mansão respirou sem guarda. E eu vi a oportunidade piscando pra mim, safada. — Partiu, Valentina. — Sussurrei, pegando o celular e enfiando no bolso do short. — Hoje tu vai pro

