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O Despertar da Herdeira Escarlate

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Blurb

O Despertar da Herdeira Escarlate, nos tempos antigos, quando alianças eram seladas com sangue e promessas, Safira nasceu com um destino traçado: casar-se com Otávio e unir dois reinos poderosos. Criada para ser rainha e moldada como uma guerreira implacável, ela se tornou o maior orgulho de seu pai, o rei Theodoro — o homem que a criou sozinho após perder a esposa no parto da filha.Mas ao completar vinte anos, durante o grandioso baile preparado em sua homenagem, Safira conhece Ítalo, um jovem guerreiro cuja presença abala tudo o que ela acreditava ser imutável.Entre dever e desejo, honra e paixão, Safira descobrirá que seu verdadeiro destino pode não estar nas alianças políticas… mas no despertar do seu próprio coração.E quando a herdeira escarlate desperta, nenhum reino permanece o mesmo.

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1° A Herdeira
Safira aprendeu cedo que o som do aço se chocando podia ser mais reconfortante do que qualquer canção, era ali no campo de treino que ela respirava de verdade, o sol ainda nem tinha dominado o céu quando ela já estava cercada por cinco soldados, nenhum deles ousava atacar primeiro, não por respeito...por receio, ela inclinou levemente a cabeça analisando cada um. — Vocês vão ficar me olhando até quando? Aquilo foi suficiente, o primeiro avançou, Safira não pensou, não precisou, seu corpo reagiu antes, como sempre fazia, um passo para o lado, a lâmina desviando o golpe, o giroperfeito...e o homem já estava desarmado antes mesmo de entender o que tinha acontecido, o segundo veio logo atrás, erro, ela sentiu não viu, não calculou...sentiu,o tempo pareceu desacelerar por um instante estranho, quase irreal, o ar mudou, o som sumiu, e então...movimento, rápido demais, quando tudo voltou ao normal, três estavam no chão, os outros dois recuaram, Safira nem estava ofegante. — De novo — disse, firme, erguendo a espada novamente. Ninguém se moveu, o silêncio se espalhou pelo pátio...pesado, desconfortável e então, uma voz conhecida atravessou o ar. — Já chega! O corpo de Safira ficou rígido na mesma hora, ela se virou devagar, ela já sabia que era sei pai, o rei Laerte observava tudo de longe das arcadas de pedra, as mãos cruzadas atrás das costas, sua postura era impecável, como sempre...mas havia algo diferente em seu olhar, algo que não combinava com ele, Safira franziu levemente o cenho . — Eles ainda não aprenderam o suficiente. — Talvez — responndeu ele, aproximando-se com passos calmos — Ou talvez você esteja exigindo deles algo que só você consegue fazer. Ela não respondeu, nunca era apenas uma conversa, quando vinha dele, o rei parou à sua frente, analisando-a como sempre fazia desde que ela era criança, como se ainda estivesse avaliando se o que criou...era suficiente ou se foi longe demais. — Venha comigo, precisamos conversar — disse por fim. Não era um pedido, Safira entregou a espada a um dos soldados e seguiu sem questionar, ainda assim algo dentro dela se retorceu, uma sensação incômoda, como se estivesse sendo conduzida para algo que não poderia evitar, os corredores do castelo estavam silenciosos demais, errado, tudo parecia...errado. — Filha a algo que preciso lhe informar — começou o rei, sem olhar para ela. Safira estranhou e cruzou os braços. — Se for sobre reforçar as patrulhas do norte, eu já organizei. — Não é sobre guerra — ela parou de andar, aquilo sim era estranho, o rei Laerte nunca colocava nada acima da guerra, lentamente, ele se virou para encará-la, por um segundo...só por um segundo...Safira viu hesitação — Esta tarde — disse ele, fitme, como se precisasse recuperar o próprio controle — haverá um almoço no salão principal. Ela arqueou uma sombracelha. — Pai um almoço não costuma precisar de tanta formalidade. O olhar dele se endureceu. — Não é um simples almoço — o silêncio entre eles se alongou, algo dentro de Safira já sabia, mas ela não queria dar nome, não ainda — Safira será anunciado oficialmente o seu noivado. As palavras caíram como lâminas, frias, diretas, irrevogáveis, Safira não reagiu de imediato, não por obediência, mas porque pela primeira vez...ela não soube como reagiur. — Com...com quem?— sua voz saiu mais baixa do que pretendia. — Principe Otávio. O nome ecoou dentro dela como algo distante...e ao mesmo tempo sufocante, ela soltou uma leve risada sem humor. — Então é isso? — o pai não respondeu — Eu treino, luto,comando o exército...para no fim ser entregue como parte de um acordo? — Você é uma princesa — rebateu ele, firme — E unica herdeira deste reino, suas responsabilidades vão além do campo de batalha. Safira deu um passo à frente, seus olhos agora não eram apenas firmes, eram perigosos. — Eu não sou uma peça de troca, sou um ser humano. O ar pareceu ficar mais pesado entre os dois, por um instante, ninguém cedeu, então o rei falou, mais baixo...mais sério do que antes: — Isso não é uma escolha sua Safira, o acordo de casamento já foi assinado. E foi aí que algo dentro dela...mudou, não foi raiva, não foi medo, foi algo pior, foi aquela mesma sensação estranha que surgia nos treinos, aquela que ela vinha ignorando, mas agora...mais forte, mais viva como se algo dentro dela estivesse despertando sempre um pouco mais, e pela primeira vez na vida...Safira teve a nítida impressão de que não perderia apenas a própria leberdade naquele almoço mas talvez...perdesse o controle de algo muito maior. O silêncio ainda pesava entre eles quando Safira desviou o olhar por um instante, como se organizasse os próprios pensamentos ou tentando não explodir, ela respirou fundo, recuperando a postura firme de sempre. — Se o senhor já disse o que precisava...— falou, virando-se em direção à porta — Vou voltar ao meu treino. Não pediu permissão, nunca pedia, mas antes que desse o segundo passo, a voz do rei veio, dura o suficiente para para-lá no lugar. — Você não vai voltar para a arena! Safira fechou os olhos por um breve segundo, irritação controlada...por pouco, ela se virou lentamente, encarando-o outra vez. — Não? — Não — repetiu ele, agora caminhando até a mesa e apoiando as mãos sobre ela — Você vai para o seu quarto se preparar.

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