Entre Mentiras e Silêncios

870 Words
Dante não dormiu naquela noite. Na verdade, ele m*l saiu do escritório. As palavras de Ricardo continuavam ecoando em sua mente como um aviso constante. "Você está procurando a pessoa errada." Era uma frase simples. Mas quanto mais pensava nela, mais perigosa ela se tornava. Durante anos, Dante havia sobrevivido porque sabia identificar seus inimigos. Sabia prever movimentos. Sabia antecipar ataques. Mas agora... pela primeira vez em muito tempo... ele sentia que estava enxergando apenas uma parte do tabuleiro. E isso o irritava. Porque significava que alguém estava escondendo algo. Alguém estava manipulando os acontecimentos. E Dante odiava ser manipulado. A madrugada avançou lentamente. Relatórios se acumulavam sobre a mesa. Fotografias. Movimentações financeiras. Históricos telefônicos. Tudo relacionado a Felipe. Mas quanto mais analisava os documentos, mais uma pergunta surgia. Se Felipe realmente fosse o cérebro por trás de tudo... por que precisaria de tantas pessoas intermediando seus movimentos? Aquilo não combinava. Felipe era impulsivo. Orgulhoso. Movido pelo ódio. Já a estratégia que estavam enfrentando era paciente. Calculada. Quase cirúrgica. Como se tivesse sido construída ao longo de anos. Dante apoiou os cotovelos na mesa. Fechando os olhos por alguns segundos. Tentando organizar os pensamentos. Mas antes que pudesse aprofundar a análise, uma batida interrompeu o silêncio. Gabriel entrou. A expressão séria. Mais séria do que o normal. O que já era um problema. Gabriel fechou a porta atrás de si. Gabriel: Temos outro problema. Dante ergueu os olhos. Dante Valenti: Fala. Gabriel colocou um tablet sobre a mesa. Dante observou a tela. Seu rosto endureceu imediatamente. Era uma fotografia. Andréia. Mais uma vez. Mas aquela imagem era diferente. Muito diferente. Porque não havia sido tirada do lado de fora da mansão. Nem dos jardins. Nem dos arredores. A fotografia mostrava Andréia caminhando por um dos corredores internos da propriedade. O sangue de Dante gelou. Por alguns segundos. Apenas alguns segundos. Mas foi suficiente. Porque aquilo significava apenas uma coisa. Alguém tinha acesso a informações internas. Ou pior. Alguém estava dentro da mansão. — Na manhã seguinte, Andréia acordou sentindo o peso da noite m*l dormida. Os últimos dias haviam sido uma sequência interminável de tensão. Ataques. Ameaças. Segredos. E o pior de tudo... silêncio. Porque ninguém lhe contava nada. Todos diziam que era para protegê-la. Mas aquilo já estava começando a parecer outra coisa. Parecia exclusão. Parecia falta de confiança. Parecia uma prisão. Ela terminou de se arrumar e desceu para tomar café. A mesa estava praticamente vazia. Apenas Helena organizava algumas coisas. A mulher sorriu ao vê-la. Helena: Bom dia, querida. Andréia sorriu de volta. Mas sem entusiasmo. Helena percebeu imediatamente. Helena: Você está pensando demais. Andréia soltou uma pequena risada. Andréia: Como sempre. Helena aproximou-se. Servindo café. Helena: Às vezes, pensar demais cria monstros maiores que os reais. A frase ficou na mente de Andréia. Porque talvez fosse verdade. Ou talvez não. Nos últimos dias, os monstros estavam bem reais. Mais reais do que ela gostaria. — Pouco depois, enquanto caminhava pelos corredores da mansão, algo chamou sua atenção. Um dos funcionários da limpeza. Nada incomum. Ela já o havia visto antes. Mas havia algo estranho. Muito estranho. O homem parecia nervoso. Evitava contato visual. Andava rápido demais. Como se estivesse tentando sair dali o mais rápido possível. Andréia diminuiu os passos. Observando discretamente. O funcionário entrou em uma área de serviço. E desapareceu. Talvez fosse apenas impressão. Talvez não. Mas uma sensação r**m permaneceu. A mesma sensação que vinha sentindo havia dias. A sensação de que algo estava errado. Muito errado. — Enquanto isso, Dante reunia sua equipe principal. Gabriel. Rafael. Mateus. O clima da reunião estava longe de ser tranquilo. A fotografia encontrada naquela manhã havia mudado tudo. Dante colocou a imagem sobre a mesa. Todos observaram. Todos compreenderam imediatamente. Rafael foi o primeiro a falar. Rafael: Isso foi tirado dentro da mansão. Gabriel assentiu. Mateus permaneceu em silêncio. Pensativo. Dante observou os três. Dante Valenti: Quero uma investigação completa. Ninguém entra. Ninguém sai. Verifiquem funcionários. Seguranças. Motoristas. Todos. Gabriel assentiu. Mas havia preocupação em seus olhos. Porque se realmente existisse um infiltrado... significava que o inimigo estava mais perto do que imaginavam. Muito mais perto. — No final da tarde, Ricardo pediu para falar novamente. A notícia surpreendeu todos. Principalmente Dante. Quando entrou na sala de interrogatório, encontrou o homem sentado exatamente como antes. Calmo. Sereno. Quase confortável. Ricardo ergueu os olhos. Ricardo: Acho que você finalmente começou a entender. Dante permaneceu em silêncio. Ricardo sorriu. Ricardo: A fotografia assustou você. Aquilo foi suficiente para confirmar uma coisa. Ricardo sabia da imagem. O que significava que estava recebendo informações. Ou possuía conhecimento que não deveria possuir. Dante aproximou-se da mesa. Dante Valenti: Quem está dentro da minha casa? O sorriso desapareceu lentamente. Pela primeira vez. Ricardo pareceu sério. Ricardo: Essa é uma pergunta perigosa. Dante não piscou. Ricardo sustentou seu olhar. Depois falou algo que fez o ambiente inteiro ficar mais pesado. Ricardo: Porque talvez você conheça essa pessoa melhor do que imagina. O silêncio caiu como uma bomba. E pela primeira vez desde o início daquele jogo... Dante sentiu uma dúvida verdadeira surgir. Porque, se Ricardo estivesse falando a verdade... o inimigo não estava apenas observando. O inimigo já fazia parte da vida deles.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD