Prólogo — Você é Minha
A primeira vez que Andréia sentiu medo do próprio marido foi numa madrugada silenciosa.
A chuva caía forte do lado de fora da mansão, transformando as enormes janelas de vidro em borrões escuros iluminados apenas pelos relâmpagos distantes. O ar estava pesado. Frio. Quase sufocante.
Ela desceu lentamente as escadas depois de ouvir gritos vindos do escritório.
Não era novidade.
Homens sempre entravam naquela casa vivos… e saíam destruídos.
Mas naquela noite havia algo diferente.
Algo pior.
A porta do escritório estava entreaberta.
E Andréia viu.
Dante Valenti estava parado no centro da sala, vestindo preto da cabeça aos pés. O terno impecável contrastava com o sangue espalhado pelos dedos da mão esquerda.
No chão, um homem tremia.
Machucado.
Quase inconsciente.
Os olhos de Dante estavam frios.
Vazios.
Como se destruir alguém fosse tão natural quanto respirar.
Homem: E-eu juro… eu não sabia que ela era sua esposa…
Silêncio.
O mafioso inclinou levemente a cabeça.
Dante Valenti: Você olhou pra ela.
A voz calma foi pior do que um grito.
O homem começou a se desesperar.
Homem: Foi um erro… eu não toquei nela…
Dante Valenti: Mas quis tocar.
Andréia sentiu o corpo arrepiar.
Porque conhecia aquele tom.
Aquela calma.
Era o momento em que ele se tornava mais perigoso.
O homem tentou se arrastar pelo chão.
Dante Valenti apenas observou.
Sem piedade.
Sem emoção.
Então puxou lentamente a arma da cintura.
Andréia: Dante…
A voz dela saiu baixa.
Mas suficiente.
Os olhos dele se ergueram imediatamente na direção dela.
E foi assustador como o rosto frio mudou no mesmo instante.
Como se houvesse duas versões dele.
O monstro.
E o homem que pertencia apenas a ela.
Dante Valenti: Você deveria estar dormindo.
Ela ignorou a frase.
Os olhos presos no sangue.
Na arma.
No homem no chão.
Andréia: Para…
Dante ficou em silêncio por alguns segundos.
Então caminhou lentamente até ela.
Cada passo pesado no mármore parecia aumentar ainda mais a tensão no ar.
Quando chegou perto, segurou o rosto dela com firmeza.
Gentil.
Mas controladora.
Como sempre.
Dante Valenti: Ele falou de você.
Andréia engoliu seco.
Dante Valenti: Pensou em você.
A mão dele apertou levemente o maxilar dela.
Dante Valenti: Homens morrem por menos.
O coração dela disparou.
Não era apenas ciúme.
Era obsessão.
Doentia.
Profunda.
Perigosa.
Mas o pior?
Era que uma parte dela ainda tremia mais pela intensidade daquele amor… do que pelo medo.
Dante aproximou o rosto devagar.
Os olhos escuros presos nos dela.
Dante Valenti: Você é minha.
A frase não soou como romance.
Soou como sentença.
Como posse.
Como algo inevitável.
Atrás dele, o homem ainda gemia no chão.
Mas Andréia já não conseguia olhar.
Porque naquele instante…
ela percebeu uma verdade assustadora:
Dante Valenti seria capaz de destruir o mundo inteiro por ela.
E talvez…
ela também estivesse começando a se destruir por ele.