Ciúmes

1048 Words
Andréia começou a perceber que havia algo perigosamente viciante em ser amada por Dante. Mesmo quando machucava. Mesmo quando sufocava. Mesmo quando o medo começava a se misturar com desejo. Talvez esse fosse o maior problema dos dois. Eles já não sabiam distinguir amor de obsessão. — Na manhã seguinte, Dante saiu cedo para uma reunião. Mas antes de sair, deixou ordens. Como sempre. Dois seguranças extras. Motorista particular. Nenhuma saída sem aviso. Nenhum evento sem confirmação prévia. Andréia ouviu tudo em silêncio enquanto tomava café. Até perder a paciência. Andréia: Você percebe que isso tá ficando ridículo? Dante ajustava o relógio no pulso quando ergueu os olhos lentamente. Dante Valenti: Segurança nunca é ridícula. Ela soltou uma risada sem humor. Andréia: Isso não é segurança. Silêncio. Andréia: É controle. O olhar dele mudou quase imperceptivelmente. Mais frio. Mais atento. Mas ainda assim calmo. Dante Valenti: Você tá irritada comigo por causa daquele fotógrafo. Andréia apoiou a xícara na mesa com força. Andréia: Um homem foi parar no hospital porque apertou minha mão. Dante caminhou lentamente até ela. Imponente. Escuro. Perigoso. Dante Valenti: E você ainda tá pensando nele. A frase saiu baixa. Mas cheia de veneno. Ela arregalou os olhos imediatamente. Andréia: O quê? Dante inclinou levemente a cabeça. Os olhos presos nela. Dante Valenti: Desde ontem você não fala de outra coisa. O absurdo daquilo fez Andréia perder completamente a paciência. Andréia: Você tá ouvindo a si mesmo?! Mas Dante já estava perto demais. A mão dele segurou lentamente o encosto da cadeira dela. Prendendo. Dominando espaço. Como sempre. Dante Valenti: Você tá defendendo ele. Andréia levantou imediatamente. Andréia: Eu tô tentando fazer você entender que isso não é normal! Silêncio. Pesado. Dante observou ela por alguns segundos. Longos. Perigosos. Então sorriu. Fraco. Frio. Dante Valenti: Você gosta quando eu perco o controle por sua causa. O coração dela falhou uma batida. Porque uma parte dela odiava admitir… mas ele não estava completamente errado. Havia algo intenso demais naquele homem. Algo sombrio. Quase hipnótico. E Andréia odiava o quanto aquilo mexia com ela. Dante percebeu. Claro que percebeu. Ele sempre percebia. Os dedos dele seguraram lentamente o queixo dela. Dante Valenti: Tá vendo? A voz saiu baixa. Íntima. Dante Valenti: Você devia me odiar. O ar pareceu mais pesado. Mais quente. Mais sufocante. Andréia tentou se afastar. Mas ele segurou sua cintura imediatamente. Forte. Possessivo. Dante Valenti: Mas ainda olha pra mim desse jeito. Ela respirou fundo tentando recuperar o controle. Andréia: Você me deixa confusa. Pela primeira vez naquela manhã… Dante pareceu honestamente afetado. Os olhos escureceram. Mas havia algo vulnerável ali também. Pequeno. Escondido. Dante Valenti: Porque eu sou confuso. A sinceridade dela doeu. A dele também. Porque os dois sabiam: aquilo já tinha ultrapassado qualquer limite saudável fazia muito tempo. — Horas depois, Andréia tentou distrair a própria mente organizando algumas roupas no closet. Mas era impossível. Dante ocupava seus pensamentos constantemente. O jeito como olhava pra ela. Como controlava tudo ao redor. Como parecia viver em estado permanente de obsessão. Aquilo cansava. Mas também prendia. Ela estava perdida dentro daquele relacionamento. E talvez Dante estivesse ainda mais. O celular vibrou sobre a bancada. Levi. Ela atendeu rapidamente. Andréia: Oi. Levi parecia nervoso. Levi: Preciso te avisar uma coisa. O tom imediatamente deixou ela alerta. Andréia: O que aconteceu? Silêncio curto. Levi: Luca desapareceu. O corpo dela gelou. Andréia: O quê? Levi: Ninguém consegue contato desde ontem. O coração dela disparou violentamente. Não. Não. Não. Ela fechou os olhos tentando afastar o pensamento que surgiu imediatamente. Mas era impossível. Porque ela conhecia o marido que tinha. E conhecia o alcance dele. Andréia: Levi… Levi: Você acha que foi ele? Ela demorou alguns segundos para responder. Porque o silêncio já era resposta suficiente. — Dante voltou para casa perto da meia-noite. E encontrou Andréia esperando por ele na sala principal. Em pé. Braços cruzados. Olhos carregados de raiva. Ele percebeu imediatamente. Dante Valenti: O que foi. Ela caminhou até ele sem hesitar. Andréia: Onde ele tá? Silêncio. Dante retirou lentamente as luvas pretas das mãos. Calmo demais. Dante Valenti: Quem. Aquilo fez ela sentir ainda mais raiva. Andréia: Para de fingir! A voz ecoou pela sala. Os seguranças próximos desviaram os olhos discretamente. Porque ninguém gostava de presenciar discussões entre os dois. Nunca acabavam bem. Andréia: Luca sumiu! Silêncio. Dante observou ela por alguns segundos. Imóvel. Perigoso. Então respondeu: Dante Valenti: E? O choque atravessou Andréia instantaneamente. Andréia: Meu Deus… Ela recuou um passo. Incrédula. Andréia: Você fez alguma coisa com ele. Não foi pergunta. Dante afrouxou lentamente a gravata. Sem pressa. Dante Valenti: Eu mandei avisarem pra ele manter distância da minha esposa. O coração dela disparou. Andréia: Isso é loucura! Dante Valenti: Isso é aviso. Ela passou as mãos pelos cabelos nervosamente. Andréia: Você tá assustando as pessoas ao meu redor! Dante ergueu os olhos lentamente. Friamente. Dante Valenti: Ótimo. Aquilo destruiu qualquer resto de calma que ainda existia nela. Andréia: Eu não aguento mais isso! Silêncio. Pesado. Perigoso. Dante ficou imóvel por alguns segundos. E então… algo mudou. O olhar dele escureceu completamente. Mais do que antes. Muito mais. Ele caminhou lentamente até ela. Sem desviar os olhos. Sem pressa. Mas Andréia percebeu imediatamente. Ele estava perto do limite. Dante Valenti: Repete. A voz saiu baixa. Fria. Mortal. Ela engoliu seco. Mas já estava machucada demais pra recuar. Andréia: Eu disse que não aguento mais! Dante segurou o braço dela de repente. Forte. Brusco. O suficiente para assustá-la. O ar desapareceu dos pulmões dela imediatamente. Os olhos dele queimavam. Escuros. Instáveis. Dante: Você vai embora? A pergunta saiu diferente. Não fria. Não controlada. Mas desesperadamente perigosa. Andréia sentiu o coração acelerar. Porque ali estava. O verdadeiro Dante. Não o mafioso. Não o homem calmo. Mas o homem obcecado. O homem que enlouquecia só de imaginar perder ela. Andréia: Dante… A respiração dele estava pesada agora. Irregular. A mão ainda firme no braço dela. Dante Valenti: Você vai me deixar? O medo atravessou ela pela primeira vez de verdade. Porque aquilo já não parecia apenas ciúme. Parecia dependência emocional. Doentia. Destrutiva. Dante aproximou o rosto lentamente. Os olhos presos nos dela. Quase perturbados. Dante Valenti: Porque se você tentar… Uma pausa. A voz saiu baixa. Sombria. Dante Valenti: eu destruo tudo antes.
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