bc

A família Galdemir

book_age18+
1
FOLLOW
1K
READ
family
HE
powerful
bxg
mystery
highschool
like
intro-logo
Blurb

Para Kai, o mundo exterior deixou de existir. Não havia aldeia, não havia festa, não havia outros olhos observando. Havia apenas Naomi.Ele girava-a suavemente nos braços, os pés movendo-se em sincronia perfeita com o ritmo dos tambores distantes. Os cabelos ruivos dela abriam-se em leque no ar, capturando a luz alaranjada das fogueiras como fios de cobre incandescente. Ela sorria para ele, um sorriso deslumbrante e aberto que fazia os joelhos de Kai fraquejarem, despertando nele o desejo primitivo de se ajoelhar, de venerá-la como se ela fosse uma divindade antiga descida à terra para abençoá-lo.Quando a trouxe de volta para perto de si, suas mãos encontraram a cintura dela com uma familiaridade automática, possessiva e protetora. Ele a puxou contra o peito, sentindo a batida acelerada do coração dela contra o próprio.— Eu te amo tanto, meu raio de sol — sussurrou ele, a voz rouca e profunda, vibrando diretamente no ouvido dela.Cada palavra era carregada de uma devoção absoluta, um amor sem limites que transcendia o simples afeto conjugal. Era uma promessa eterna selada em cada respiração.O coração de Naomi transbordou. Olhar para Kai era ver o próprio reflexo de sua alma; ele a olhava não apenas como esposa, mas como o centro gravitacional de seu universo, o sol que iluminava suas noites mais escuras.

chap-preview
Free preview
Capítulo 1
Ano de 850 d.C. Aldeia vikings O ar da manhã ainda carregava o frio cortante típico do norte, misturado ao cheiro de fumaça de lenha e terra úmida. Kai Galdemir, com apenas dez anos, deslizou para fora da casa de madeira como uma sombra, o coração batendo contra as costelas num ritmo frenético. Sob a túnica de lã áspera, pressionado contra o peito nu e suado, estava o objeto proibido: o grimório de sua mãe. Ele não olhou para trás. Seus pés descalços encontraram a grama gelada enquanto ele acelerava o passo, passando pelos seus dois irmãos mais velhos. Eles estavam no pátio central, o som metálico e rítmico de espadas de treino colidindo ecoando pelo ar. Clang. Clang. Kai manteve a cabeça baixa, os ombros tensos, torcendo para que o barulho do aço abafasse o ruído de sua própria respiração ofegante. Nenhum deles notou sua fuga silenciosa. Só quando as construções da aldeia deram lugar às raízes retorcidas e aos troncos grossos da floresta densa é que Kai permitiu-se desacelerar. Ele conhecia cada trilha, cada arbusto espinhoso e cada clareira escondida naquele bosque; era seu refúgio, seu reino secreto. Caminhou até sentir que a distância era segura. Sem hesitar, deixou-se cair na grama macia, encostando as costas contra a casca rugosa de um carvalho antigo. Suas mãos tremiam ligeiramente — não de frio, mas de antecipação. Com dedos ágeis, ele puxou o volume pesado de dentro da camisa. O couro do grimório estava quente pelo contato com seu corpo, emanando um aroma sutil de ervas secas, pergaminho velho e algo indefinível, como ozônio antes de uma tempestade. Seus olhos azuis, claros como o gelo do degelo primaveril, brilharam com uma intensidade febril. Há meses, desde o dia em que espreitou pela fresta da porta e viu sua mãe, Gelda, sussurrar aquelas palavras antigas para fazer uma flor desabrochar, Kai ansiava por aquele momento. Desde então, implorava, chorava e negociava por uma única lição. Mas a resposta era sempre a mesma, fria e definitiva. “Magia é coisa de mulher, Kai.” As palavras de seu pai, Mikael, ecoavam em sua mente como uma sentença. Mikael, um homem comum, de braços fortes mas mente estreita, via a magia com desconfiança e medo. E Gelda... Gelda, uma bruxa de poder incomensurável, curvava-se diante da vontade do marido. A obediência dela era um nó apertado no estômago de Kai. Como ela, que podia moldar a natureza com um sussurro, se submetia tão facilmente a um homem que m*l sabia ler? A frustração queimava nele, uma mistura de decepção e raiva impotente. Por que ela não lutava por ele? Por que não quebrava as correntes invisíveis que a prendiam? Kai sacudiu a cabeça, afastando aqueles pensamentos amargos. Não adiantava remoer o que não podia mudar. Ali, naquela clareira, ele era livre. Abriu o grimório. As páginas amareladas farfalharam sob seus dedos.. Não havia mestre para guiá-lo, nenhuma voz paciente para corrigir sua pronúncia ou ajustar sua postura. Tudo o que sabia, tudo o que conseguira realizar, foi fruto de tentativa, erro e uma persistência obstinada. Sua técnica era bruta, instintiva, longe da elegância das bruxas treinadas, mas funcionava. Se qualquer outro praticante das artes ocultas o visse agora, certamente o chamaria de prodígio. Para uma criança de dez anos, autodidata e isolada, seu progresso era assustador. Folheou as páginas até encontrar o que procurava. Um feitiço simples. Acessível. Mas, aos olhos de Kai, fascinante. Fechou o livro com cuidado e levantou-se. A alguns metros dali, escondida entre as sombras das árvores, havia uma pequena roseira. Estava morta, ou pelo menos parecia estar. Os galhos eram cinzentos e quebradiços, as folhas murchas pendiam como trapos marrons, e não havia sinal de vida em suas raízes. Kai aproximou-se. Segurou o grimório aberto na mão esquerda, usando-o como referência, enquanto estendia a direita em direção à planta. Fechou os olhos por um segundo, inspirando profundamente. O ar entrou em seus pulmões, trazendo consigo a concentração necessária. Ele precisava sentir a energia, não apenas recitar palavras. Quando abriu os olhos, focou na roseira. Sua voz saiu baixa, rouca, mas firme, vibrando com uma autoridade que contrastava com sua idade infantil. — Να ανθίσει A palavra grega antiga pairou no ar. No mesmo instante, uma brisa súbita envolveu a clareira, levantando os fios escuros do cabelo de Kai e agitando as páginas do livro. Houve um zumbido baixo, quase imperceptível, vindo da terra. Diante de seus olhos, o impossível aconteceu. Primeiro, uma pétala. Depois outra. O cinza dos galhos deu lugar a um verde vibrante, vivo. As folhas murchas se ergueram, ganhando textura e brilho. Em questão de segundos, botões fechados explodiram em flores de um vermelho intenso, quase sanguíneo, exalando um perfume doce e pesado que invadiu o nariz de Kai. A roseira, antes um esqueleto vegetal, agora pulsava com uma beleza agressiva e vital. Um sorriso largo, genuíno e orgulhoso, abriu-se no rosto de Kai. Ele conseguiu. Perfeitamente. Na primeira tentativa daquele feitiço específico. Mas o triunfo durou pouco. Um estalo seco de um galho quebrando veio de trás dele. O sorriso de Kai desapareceu instantaneamente. Seu corpo ficou rígido, os músculos tensionados. Ele girou nos calcanhares, o coração disparando novamente, mas desta vez por alerta. Seus olhos varreram a linha das árvores, procurando a origem do som. Ninguém. Apenas o balançar suave dos galhos altos e o silêncio opressivo da floresta. Kai franziu a testa, a irritação substituindo o medo inicial. Ele odiava ser observado sem permissão. Seus olhos se estreitaram, vasculhando as sombras com mais atenção. Foi então que viu. Atrás do tronco grosso de um pinheiro, a alguns metros de distância, uma mecha de cabelos ruivos flamejantes escapou brevemente da visão, balançando com a brisa residual do feitiço. Alguém estava ali. Escondido. Observando. — Quem está aí? — A voz de Kai saiu firme, embora um fio de nervosismo traísse sua garganta. Silêncio. A figura atrás da árvore não se moveu. A paciência de Kai, já curta, evaporou. Ele deu um passo à frente, o queixo erguido em desafio. — Apareça! — ordenou, e desta vez, sua voz carregava o peso de sua impaciência e de seu poder recém-descoberto. O silêncio que se seguiu foi pesado, quebrado apenas pelo zumbido distante de insetos na floresta. Para Kai, cada segundo de espera era uma tortura. O sol já começava a mudar de posição no céu, e o tempo era um luxo que ele não possuía. Precisava devolver o grimório antes que Gelda percebesse sua ausência ou, pior, antes que Mikael chegasse em casa e farejasse o cheiro de magia impregnado nas roupas do filho. A irritação começou a subir pelo pescoço de Kai, aquecendo sua pele. Ele estava prestes a marchar até a árvore e exigir explicações, os punhos cerrados ao redor do livro, quando a figura finalmente se moveu. Não houve um salto dramático, nem um passo confiante. A pessoa surgiu timidamente da proteção do tronco, como se pedisse desculpas por existir. A raiva de Kai evaporou instantaneamente, substituída por uma incredulidade muda. Era uma garota. Da sua idade, talvez um pouco mais baixa. Seus cabelos eram uma cascata de fios ruivos, tão vibrantes quanto as rosas que ele acabou de criar, caindo em ondas desalinhadas sobre os ombros. Sua pele era pálida, quase translúcida sob a luz filtrada das folhas, contrastando com olhos verdes profundos, da cor de musgo. Vestia um traje simples de lã, tingido em tons terrosos de marrom e vermelho, que parecia quente e confortável, mas desgastado pelo uso. Kai piscou, tentando processar a presença dela. — Quem é você? — perguntou ele, a voz saindo mais suave do que pretendia, ainda atordoado pela surpresa. A garota ajustou a barra do vestido, os dedos brincando nervosamente com o tecido. — Sou Naomi Bennett... — disse ela, a voz tímida, mas clara. Seus olhos varreram o rosto de Kai com uma curiosidade aberta e desarmada, analisando seus cabelos loiros, a pele levemente bronzeada pelo sol do verão e aqueles olhos azuis intensos que pareciam ver através dela. — E você... quem é? Kai endireitou a postura instintivamente. — Sou Kai Galdemir. — Estufou o peito levemente. Não gostava do pai, Mikael, cuja rigidez e preconceito sufocavam a mãe e frustravam seus próprios sonhos. Mas o sobrenome... o sobrenome carregava peso. Era sinônimo de força bruta, de vitórias em batalhas sangrentas, de um guerreiro temido em toda a região. Era a única herança que Mikael lhes deu que realmente importava para o mundo exterior, e Kai, apesar de tudo, sentia uma pontada de orgulho ao pronunciá-lo. Um silêncio constrangedor instalou-se entre eles. Duas crianças estranhas, no meio da floresta, sem saber qual era a etiqueta correta para aquele encontro improvável. Foi Naomi quem quebrou o gelo, inclinando a cabeça para o lado. — Você é um bruxo? A pergunta atingiu Kai como um golpe físico. Seus dedos apertaram o couro do grimório com força. O instinto de defesa surgiu imediatamente, afiado e doloroso. Na aldeia, ser um menino com magia era ser uma aberração. As outras crianças o evitavam; os adultos sussurravam quando ele passava. "Magia é coisa de mulher", diziam. "Não é natural para um homem". A solidão era sua companheira constante, aliviada apenas pela presença leal de seus irmãos e de sua irmã gêmea. — Sim — respondeu ele, a voz ríspida, defensiva. — Por quê? Ele esperava o recuo. Esperava o nojo, o medo ou o julgamento habitual. Mas Naomi não recuou. Pelo contrário, um sorriso radiante iluminou seu rosto, transformando completamente sua expressão. Ela deu um passo à frente, ignorando totalmente a hostilidade dele. — Isso é incrível! — exclamou ela, com um entusiasmo genuíno que fez Kai piscar, confuso. — Há?... Incrível? — murmurou Kai, a guarda ainda erguida, mas balançando perigosamente. Aquela reação era estranha para ele. Ninguém jamais havia chamado sua magia de "incrível". — Sim! Incrível! — Naomi continuou, aproximando-se da roseira revitalizada. Seus olhos brilhavam enquanto observava as pétalas vermelhas. — Eu vi sem querer... Você fazendo elas desabrocharem. Foi... fantástico. Cada palavra dela parecia desfazer um nó no estômago de Kai. Ele ficou atônito, observando-a tocar delicadamente uma das flores, como se fosse feita de vidro. Então, Naomi fez algo que paralisou o ar ao redor deles. Ela ergueu a mão direita, os dedos dançando no vazio com uma graça natural. Não havia palavras, nenhum sussurro antigo. Apenas intenção. De repente, seus olhos verdes escureceram, mudando de tom até se tornarem um violeta elétrico, vibrante e sobrenatural. A roseira respondeu. Não foi um crescimento lento. Foi uma explosão de vida. Os galhos esticaram-se para cima, engrossando, a madeira rangendo suavemente. Novos brotos surgiram em velocidade acelerada, desabrochando em dezenas de novas rosas, maiores e mais perfumadas que as anteriores. Em segundos, a pequena planta tornou-se um arbusto robusto, alto o suficiente para projetar uma sombra densa e acolhedora sobre eles. Kai abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. Seu coração batia descompassado. — V-você é uma bruxa? — conseguiu gaguejar, os olhos fixos naqueles olhos violetas que agora pareciam conter galáxias inteiras. Naomi baixou a mão e sorriu, divertida pela expressão chocada do garoto. Lentamente, a cor violeta desvaneceu-se de seus olhos, retornando ao verde profundo original. — Não — explicou ela, com um toque de mistério na voz. — Eu não sou uma bruxa. Sou alguém que nasceu com os dons dos quatro elementos da natureza. Kai piscou, processando a informação. Elementos. Água, fogo, terra, ar. — Que legal... — deixou escapar, a admiração vazando em sua voz antes que pudesse contê-la. Naomi soltou uma risadinha leve, musical, que ecoou pela clareira. Sem hesitar, ela deu mais um passo, aproximando-se tanto de Kai que ele pôde sentir o calor do corpo dela e o cheiro sutil de chuva e terra molhada que emanava de sua pele. As bochechas de Kai esquentaram, não apenas pela proximidade física, mas pela intensidade daquele olhar verde focado exclusivamente nele. — Você poderia me mostrar mais da sua magia? — pediu ela, os olhos brilhando de expectativa. — Eu realmente achei fantástica. Para mim, a magia é algo único. Deslumbrante. O coração de Kai disparou. Era a primeira vez. A primeira vez que alguém, fora de sua família, pedia para ver. Não para criticar, não para temer, mas para admirar. Uma sensação quente e expansiva preencheu seu peito, dissipando anos de insegurança. Ele olhou para o grimório em suas mãos, depois para Naomi. Um sorriso tímido, mas verdadeiro, curvou seus lábios. — Eu mostro — concordou ele, a voz firme. — Mas só se você me mostrar mais dos seus poderes. — Fechado. — Naomi concordou imediatamente. Antes que Kai pudesse reagir, ela segurou a mão dele. O toque era quente, firme e surpreendentemente gentil. Puxando-o suavemente, ela o guiou para debaixo da sombra recém-criada da grande roseira. As pétalas vermelhas caíam lentamente ao redor deles como neve de sangue, criando um cenário surreal e privado. Sentados na grama macia, sob a proteção das flores, as duas crianças começaram a falar, a rir e a compartilhar segredos. O tempo pareceu desaparecer. Naquele momento, sob a sombra de uma grande roseira impossivelmente viva, Kai e Naomi não sabiam. Não tinham ideia de que aquele encontro casual, aquela troca de olhares e poderes, era a semente de algo muito maior. Era o início de uma história que, décadas depois, seria cantada em sagas, temida por reis e lembrada como o ponto de virada que marcaria o mundo para sempre.

editor-pick
Dreame-Editor's pick

bc

Morro da cidade alta- destino.

read
6.9K
bc

Eu Fui Amante

read
1.0K
bc

A Redenção do Alfa Renegado

read
3.2K
bc

Pitbull

read
37.9K
bc

Meraki

read
7.3K
bc

Condenados ao Amor

read
1K
bc

A OBSESSÃO DO BILIONÁRIO A REDENÇÃO

read
154.2K

Scan code to download app

download_iosApp Store
google icon
Google Play
Facebook