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1697 Words
Cabelos soltos e... Vestido — Cassie murmurava sozinha, ao ver o seu reflexo no grande espelho de seu quarto. "Talvez até mamãe aprovasse", pensou. Os longos cabelos ruivos caíam com graça sobre os ombros. O vestido, levemente decotado, deixava entrever os s***s. Estava bonita, mas certamente não era a mesma Cassie de sempre. Acostumara-se a um estilo mais esportivo e descontraído. Essa aparência refinada e exuberante assemelhava-se mais ao jeito de ser da mãe, em tempos passados. Sabrina Lynn tinha sido uma das mulheres mais bonitas de sua geração. Tornara-se uma atriz de sucesso pela beleza e talento inigualáveis. Cassie sabia não ter herdado a exuberância da mãe, no entanto, não havia como negar a graciosidade do rosto de travos bem-feitos, e o encanto dos olhos brilhantes que a tornavam uma mulher atraente. Deu um último retoque em sua nova aparência com um batom levemente avermelhado, e os olhos verdes foram realçados com um pouco de sombra. — Nada mal... — concluiu, ao dar uma última olhada no espelho. O vestido de seda branca tinha sido comprado em um impulso havia algum tempo. Com a vida pacata que levava, até então não tivera oportunidade de usá-lo. Com cuidado, ajeitou a echarpe que caía até a cintura. Satisfeita, viu que o vestido se ajustava perfeitamente ao corpo, delineando todas as curvas. Sem dúvida, era o traje mais provocante que usara em toda sua vida. Um pouco acima do joelho, deixava à mostra as pernas. Belas pernas... Comentara o amigo indiscreto. Instintivamente, Cassie puxou-o um pouco para baixo. — Nada m*l — repetiu. Os brincos de esmeralda, que foram da mãe, eram a única jóia que usava naquela noite. No entanto, ficavam perfeitos, realçando a cor dos olhos. Começava a sentir-se ansiosa pela demora de Brand quando subitamente a campainha tocou. Um arrepio percorreu-lhe a espinha. Suspirou fundo e encaminhou-se até a porta, procurando conter o nervosismo. — Você demorou — Cassie falou. — Olá — ele disse apenas, ignorando o comentário dela. Vestia uma calça preta, camisa branca, e, para completar a aparência sofisticada, um blazer acinzentado. — Posso entrar? — Oh, desculpe-me. Entre, por favor. — Ela deu um passo atrás para que Brand entrasse. Cassie já o vira vestido com extrema elegância diversas vezes, mas naquela noite havia um quê especial em Brand que ela não conseguia definir. — Está pronta? — Quase. — Ainda temos algum tempo — Brand comentou, sentando-se. Só quando ela se afastou um pouco ele pareceu notar sua aparência. — Este vestido é novo? — perguntou. — Oh, não. Comprei-o há algum tempo, mas ainda não tive oportunidade de usá-lo. — Está muito bonita — ele elogiou, lançando-lhe um sorriso encantador. Cassie não sabia se deveria levá-lo a sério. Talvez estivesse apenas querendo acalmá-la. — Vou buscar minha bolsa e então poderemos ir — avisou, retirando-se da sala. — Tudo bem. Quando ela retornou, encontrou Brand analisando o ambiente com ar crítico. — Há quanto tempo mora aqui? — quis saber. — Dois anos — contou. Pouco após começar a trabalhar na Lowe Empreendimentos, decidira ter um lugar só para ela. Então se mudara para aquela pequena casa, bem diferente da suntuosa mansão do tio, em Beverly Hills. A principio, Jordan Addams tinha se oposto aos planos da sobrinha, mas teve de acatar sua decisão. Na verdade, não tivera outra escolha, pois Cassie havia alcançado a  maioridade e não precisava mais de um tutor legal. Na sala predominavam os tons bege e verde, que emprestavam um ar de calma e aconchego ao ambiente. A maioria dos móveis era de estilo moderno, mas o toque especial da decoração ficava por conta de peças antigas que havia herdado dos pais. Várias vezes Cassie ficava contemplando as antiguidades, cheia de saudade dos breves momentos que passara ao lado dos pais. Ela olhou ao redor e, com um sorriso, declarou: Gosto muito daqui. — É bastante agradável — Brand concordou. — Obrigada. Sempre que alguém elogiava sua casa, Cassie enchia-se de Satisfação. Havia vencido a insistência do tio para que contratasse um decorador de interiores, pois ela própria quisera ter prazer de arrumar o primeiro lugar só seu. E o resultado deixara-a feliz. Sentia-se bem ali; entre aquelas paredes havia um pouco de si, cada detalhe contando um pouco de sua personalidade. — Bem, que tal começarmos nosso show? — Brand sugeriu. Cassie suspirou profundamente e concordou, seguindo-o até o carro. Os primeiros dez minutos transcorreram em profundo silêncio. Brand concentrado em dirigir, tomando cuidado ao fazer as várias curvas do caminho tortuoso. Cassie, por sua vez, olhava pela janela, embora não visse nada lá fora. Estava aflita e também com um pouco de medo de que o plano falhasse. Apavorava-se ao pensar na vergonha que passaria quando todos descobrissem a farsa. De repente deu se conta de que Brand estava falando com ela e, nesse exato momento, aguardava uma reação sua. — Me desculpe — ela pediu, olhando-o constrangida. — Não ouvi o que disse.. Brand prestava muita atenção nas perigosas curvas da estrada, mesmo assim, lançou-lhe um rápido olhar. — Falei que está muito bonita esta noite — ele repetiu devagar. Sentindo o rosto corar, ela cruzou as pernas e apertou as mãos, desconfortável. — Obrigada — murmurou. — Não há de quê — ele respondeu sorrindo. — Não entendo por que está tão surpresa com o elogio. — Bem, você nunca me disse nada parecido antes. — Uma grave falta minha. Mas temos de convir que nunca fomos noivos antes. Brand riu alto, demonstrando que a situação o divertia. Cassie, ao contrário, sentia um aperto no estômago ao perceber que estavam quase chegando ao local da festa. — Mas ainda não somos noivos — ela o lembrou. — Por acaso está pensando em desistir? — Não. Não vou desistir. Só estou um pouco insegura. — Conseguirá enganar a todos, você vai ver. Mas só se realmente estiver disposta a fazer isso. Ele havia tocado no ponto nevrálgico da questão. Querer não era a palavra apropriada para o caso. Cassie precisava participar do jogo, se ainda desejasse ter alguma esperança de ver Graham e Sheila estrelando o filme em que apostava todo o seu empenho. Assim que chegaram ao restaurante onde acontecia a festa, o coração de Cassie parecia disparou. Sentia uma vontade imensa de correr dali, mas era tarde demais para recuar. Aceitara fingir que era a noiva de Brand Lowe e seria exatamente isso o que faria. Ponto final. — Parece que todos estão aqui — Brand comentou ao parar o carro esporte ao lado de inúmeras limusines. A calçada em frente ao restaurante estava apinhada de gente, incluindo vários repórteres e colunistas sociais. Apavorada, Cassie imaginou-se enfrentando os olhares curiosos de todos. Parece que há uma dúzia de repórteres — ela comentou quase sem fôlego. — O que iremos dizer a eles? — Nada — Brand respondeu com calma. — Mas eles irão insistir... — O que diz a eles quando lhe perguntam sobre seu relacionamento com Chet Walker? Meu relacionamento com... — Ela se calou ao lembrar de foto. Na ocasião, ajudara Chet, semibêbado, a escapar de um escândalo. E o repórter interpretara a cena como a prova de um tórrido romance. — Nada! Não disse uma só palavra sobre Chet Walker. Por um momento, Cassie pensou em contar-lhe que estava totalmente errado sobre Chet Walker, mas preferiu calar. Seria deselegante expor as fraquezas do ator e, além do mais, sua vida particular não era da conta de Brand Lowe. — Suponho que você e tio Jordan discutiram meu relacionamento com Chet. — Bem... — Brand sorriu. — Nunca pensei que se tivesse tanto interesse em minha vida particular. O que tem feito? Colocou um detetive atrás de mim? — Cassie m*l continha a raiva. Olha, não acha que deveria parar de agir como uma donzela aterrorizada, pelo menos esta noite? Afinal, já tem prática em demonstrar seus casinhos em público. — Eu e você não temos um caso! — gritou, enervada. É verdade. Mas teremos de agir de forma que todos acreditem que estamos apaixonados. A chegada do manobrista evitou que Cassie lhe desse uma resposta malcriada. Profundamente aborrecida, mordeu o lábio ao sair do caro tremia de ódio e medo. Deus, a noite prometia ser longa! O manobrista estendeu-lhe a mão para ajudá-la a sair. E, logo que ele fechou a porta, Cassie caminhou até o outro lado do carro, parando perto de Brand. A Srta. Addams e eu não ficaremos muito tempo — Brand avisou o rapaz, dando-lhe uma gorjeta. Perfeitamente, Sr. Lowe. Seu carro estará aqui na hora que desejar partir. Sentou-se no carro e colocou-o em movimento. No entanto, um pouco antes de se afastar, lançou um longo olhar de admiração para Cassie. — Por que fez isso? — ela perguntou. — O quê? — Essas insinuações para o rapaz — murmurou. — Ora, ele é apenas um manobrista. — Manobrista? — Brand riu a valer. — Conheço Jay muito bem e sei que ele tem esse emprego como fachada para conseguir informações para os jornais. — Tem certeza? — perguntou incrédula. — É claro que sim. E que tal darmos a ele uma prova de nosso romance? Afinal, ele continua nos observando. — Como assim, uma prova? — Feche os olhos meu amor, pois irei beijá-la. Antes mesmo que pudesse protestar, Brand se aproximou e a beijou apaixonadamente. Pouco a pouco, foi vencendo a resistência de Cassie, aprofundando a carícia enquanto as mãos deslizavam por suas costas. A surpresa de Cassie cedeu lugar a uma doce lassidão. Sentindo uma onda de calor e desejo invadir seu corpo, enlaçou Brand, completamente esquecida de que estavam apenas "representando". Confusa, viu-o afastar-se e fitá-la com um sorriso de pura satisfação. Já havia sido beijada antes, no entanto nunca experimentara nada semelhante à loucura desse breve momento nos braços de Brand. Como se todas as emoções que possuía tivessem se avolumado em seu íntimo, ela havia perdido o fôlego e a própria razão. — Brand... — ela balbuciou o nome com dificuldade. — Há pouco me disse que não era uma boa atriz... — ele cochichou em seu ouvido. — É muito melhor do que imagina Cassie.
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