Capítulo 15

479 Words
Tenho me sentido tão m*l ultimamente. Essas náuseas matinais já estão me cansando, eu devo estar doente. Bem pelo menos a noite eu me sinto um pouco melhor. - Mara!- é a voz do Sr. Richard, me viro imediatamente. - Oi! Sr.- Ele faz um leve sinal com a cabeça em direção à escada, e eu entendo rapidamente. O Sr. Richard é uma pessoa reservada e não curte lugares muito movimentados. Eu pude notar isso desde o começo. Abro a porta e faço um gesto com a mãe para ele entrar, em seguida eu vou entro e fecho a porta atrás de mim. - Então... Como o Sr. está? - Eu estou bem, obrigado. Sentamos os dois na cama como da última vez. - Mara, eu fiz o que você me pediu.- fico mais atenta. - Você falou com ela?- - Não, quer dizer, sim...- ele parece meio diferente, não sei. - Então você falou com ela? Como é que foi?- espero ele responder. - Você disse que se eu não conseguisse falar com ela eu poderia só observa-la.- concordo com a cabeça. - E foi isso que eu fiz.- ele para, parece que está se lembrado de alguma coisa. - Você gostou de observar ela? - Gostei! ela tem um jeito... ela é tão delicada. ... Eu disse para o Sr. Richard observar a sua esposa caso ele não quisesse falar com ela porque, observando ela ele poderia reparar em pequenos detalhes sobre ela. " Eu só espero que eles voltem a se dar bem." Eu sinto falta do tempo em que eu trabalhava na casa da Sr. Vivian, das crianças, da senhora Glória, ela era tão amável. Eu fui tão feliz naquela casa. "Gostaria de voltar aquele tempo." Mas se eu estivesse ainda na casa da Sr.Vivian nunca teria conhecido a minha amiga Katy. Enfim! é a vida, não teremos tudo o que quisermos. De quem mais eu sinto falta? Fecho os olhos por um instante, como se a resposta estivesse escondida atrás deles. Há ausências que doem mais porque não têm nome claro, não têm rosto fixo. São sensações. Silêncios. Uma ideia de lar que nunca foi totalmente meu. Sinto falta de mim mesma — da menina que acreditava que aquilo era amor, que aquela frieza era normal. Sinto falta da ingenuidade que me protegia do peso das perguntas que hoje insistem em existir. Abro os olhos devagar. O Sr. Richard ainda está ali, sentado ao meu lado, com o olhar distante, como se também estivesse revisitando algo que perdeu e não sabe exatamente o quê. É curioso como duas pessoas podem compartilhar o mesmo silêncio e, ainda assim, carregarem solidões tão diferentes. Talvez seja isso que nos aproxime. Não palavras. Não toques. Mas essa estranha familiaridade com a falta. E, por um momento breve — quase imperceptível —, não me sinto tão sozinha nela.
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