Beijos, gemidos, suspiros ofegantes, satisfação e s**o…
Eu me acostumei a essa vida. Sem querer, eu me acostumei.
Alguns deles eu apenas suporto, mas há outros que me satisfazem. E eu amo essa sensação — é tão… prazerosa.
Mesmo assim, o vazio em mim ainda permanece.
Já se passaram dois meses desde que comecei a trabalhar aqui.
— Mas já acabou?
— Se quiser mais, tem que pagar — digo, terminando de calçar os saltos e me levantando da cama.
— Eu tô indo. E acho melhor você sair também — completo, fechando a porta atrás de mim.
Existem clientes que simplesmente não entendem que, se quiserem mais, precisam pagar por mais. E esse é um deles.
Enquanto desço as escadas, observo as portas dos quartos à procura da Katy. Finalmente a vejo. Beijando o seu amado, ela o pega pela mão e os dois caminham em direção à escada, onde eu os aguardo.
— Oi, Mara! — ele diz de relance, dá um selinho na Katy e desce.
— Katy… — tento dizer algo, mas ela me interrompe.
— Mara, eu o amo tanto… — ela apenas o observa até desaparecer do seu campo de visão.
— Até quando você vai dormir com ele de graça?
— Ele paga na maior parte das vezes — responde, descendo as escadas rápido, querendo fugir do assunto.
— E nas poucas vezes? — pergunto, já sabendo a resposta.
Ela para e me encara.
— Mara, não enche, tá? Você não sabe o que é amar alguém.
— Se amar alguém significa que eu tenha que me prejudicar, então eu prefiro nunca amar ninguém.
— Eu vou pagar por ele — diz antes de ir embora.
Para quem me dava conselhos, eu não esperava isso dela.
...
— Eu acho que você ainda me deve uma noite.
Viro-me para ver quem fala e reconheço o senhor da outra noite.
Eu não esperava vê-lo novamente, mas ele está certo. Eu devo uma noite a ele.
— Oi… — é tudo o que consigo dizer.
— Então, vamos? — pergunta.
Eu me levanto imediatamente.
Subo as escadas com ele logo atrás. Entramos no quarto e fecho a porta.
Começo a tirar o vestido, mas sou interrompida pelo toque da sua mão.
— Eu não quero fazer isso desse jeito — diz, enquanto retira meu vestido lentamente.
Depois, me deita na cama. Estou apenas de calcinha. Ele também tira a camisa e se posiciona sobre mim.
...
Com ele, sinto a melhor sensação da minha vida: o o*****o.
Desde que comecei a trabalhar aqui, nunca havia sentido algo assim. Ele me faz tão bem, e eu estou amando nossas noites — tão quentes, tão intensas.
— Katy! — corro até ela, que está vomitando no vaso sanitário.
— Você está bem? — seguro seu cabelo com as mãos para que não se suje.
Ela permanece próxima ao vaso, incapaz de falar.
Katy não tem estado bem nos últimos dias: tonturas, náuseas… sinceramente, acho que ela está doente. Talvez tenha me contagiado, porque eu também tenho me sentido assim.
— Você já se sente um pouco melhor? — pergunto.
Ela apenas me encara. Está sentada na cama, e eu me sento ao seu lado. Katy é tão linda… mas parece tão pálida.
— Mara… — diz, hesitante. — Eu estou grávida.
Eu a encaro, incapaz de dizer qualquer coisa.
— De quanto tempo? — é tudo o que consigo perguntar.
— Acho que… sei lá, umas três semanas.
— Então as tonturas, os vômitos… O Cole já sabe?
— Ainda não contei.
Nesse trabalho, esse tipo de coisa não pode acontecer. Nunca.
— Mas eu vou contar. Acho que ele vai ficar muito feliz — diz, sem que eu saiba se está rindo ou chorando.
— Então acho melhor você contar amanhã.
Ela apenas concorda com a cabeça.
A Katy é uma mulher, mas por dentro ainda é uma menina.
Ela sofreu muitos abusos na infância, sempre foi problemática. Mas também… do jeito que cresceu, como poderia ser diferente?
Não importa o que aconteça.
Eu nunca a abandonarei.
Ela é a minha única família agora.