Capítulo 12

688 Words
Beijos, gemidos, suspiros ofegantes, satisfação e s**o… Eu me acostumei a essa vida. Sem querer, eu me acostumei. Alguns deles eu apenas suporto, mas há outros que me satisfazem. E eu amo essa sensação — é tão… prazerosa. Mesmo assim, o vazio em mim ainda permanece. Já se passaram dois meses desde que comecei a trabalhar aqui. — Mas já acabou? — Se quiser mais, tem que pagar — digo, terminando de calçar os saltos e me levantando da cama. — Eu tô indo. E acho melhor você sair também — completo, fechando a porta atrás de mim. Existem clientes que simplesmente não entendem que, se quiserem mais, precisam pagar por mais. E esse é um deles. Enquanto desço as escadas, observo as portas dos quartos à procura da Katy. Finalmente a vejo. Beijando o seu amado, ela o pega pela mão e os dois caminham em direção à escada, onde eu os aguardo. — Oi, Mara! — ele diz de relance, dá um selinho na Katy e desce. — Katy… — tento dizer algo, mas ela me interrompe. — Mara, eu o amo tanto… — ela apenas o observa até desaparecer do seu campo de visão. — Até quando você vai dormir com ele de graça? — Ele paga na maior parte das vezes — responde, descendo as escadas rápido, querendo fugir do assunto. — E nas poucas vezes? — pergunto, já sabendo a resposta. Ela para e me encara. — Mara, não enche, tá? Você não sabe o que é amar alguém. — Se amar alguém significa que eu tenha que me prejudicar, então eu prefiro nunca amar ninguém. — Eu vou pagar por ele — diz antes de ir embora. Para quem me dava conselhos, eu não esperava isso dela. ... — Eu acho que você ainda me deve uma noite. Viro-me para ver quem fala e reconheço o senhor da outra noite. Eu não esperava vê-lo novamente, mas ele está certo. Eu devo uma noite a ele. — Oi… — é tudo o que consigo dizer. — Então, vamos? — pergunta. Eu me levanto imediatamente. Subo as escadas com ele logo atrás. Entramos no quarto e fecho a porta. Começo a tirar o vestido, mas sou interrompida pelo toque da sua mão. — Eu não quero fazer isso desse jeito — diz, enquanto retira meu vestido lentamente. Depois, me deita na cama. Estou apenas de calcinha. Ele também tira a camisa e se posiciona sobre mim. ... Com ele, sinto a melhor sensação da minha vida: o o*****o. Desde que comecei a trabalhar aqui, nunca havia sentido algo assim. Ele me faz tão bem, e eu estou amando nossas noites — tão quentes, tão intensas. — Katy! — corro até ela, que está vomitando no vaso sanitário. — Você está bem? — seguro seu cabelo com as mãos para que não se suje. Ela permanece próxima ao vaso, incapaz de falar. Katy não tem estado bem nos últimos dias: tonturas, náuseas… sinceramente, acho que ela está doente. Talvez tenha me contagiado, porque eu também tenho me sentido assim. — Você já se sente um pouco melhor? — pergunto. Ela apenas me encara. Está sentada na cama, e eu me sento ao seu lado. Katy é tão linda… mas parece tão pálida. — Mara… — diz, hesitante. — Eu estou grávida. Eu a encaro, incapaz de dizer qualquer coisa. — De quanto tempo? — é tudo o que consigo perguntar. — Acho que… sei lá, umas três semanas. — Então as tonturas, os vômitos… O Cole já sabe? — Ainda não contei. Nesse trabalho, esse tipo de coisa não pode acontecer. Nunca. — Mas eu vou contar. Acho que ele vai ficar muito feliz — diz, sem que eu saiba se está rindo ou chorando. — Então acho melhor você contar amanhã. Ela apenas concorda com a cabeça. A Katy é uma mulher, mas por dentro ainda é uma menina. Ela sofreu muitos abusos na infância, sempre foi problemática. Mas também… do jeito que cresceu, como poderia ser diferente? Não importa o que aconteça. Eu nunca a abandonarei. Ela é a minha única família agora.
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