Ponto de Vista de Aria
Eu fiquei encarando a porta por onde Aiden tinha acabado de sair, minha mente ainda tentando digerir o que havia acontecido. Ele realmente concordou em se casar comigo? Assim, tão fácil?
O acordo que eu propus parecia quase absurdo agora que finalmente parei para pensar nele. Eu, Aria Jones, me casando com Aiden Carter – o herdeiro de trinta e dois anos do império Carter e maior rival de negócios do meu ex-noivo. Um casamento que resolveria os problemas dos dois. O meu: fugir da humilhação de ser abandonada no altar. O dele: conseguir aquele terreno que sua empresa cobiçava fazia anos.
Meus pensamentos foram interrompidos quando Lillian entrou no quarto do hospital de supetão, com os olhos arregalados de choque.
"Era o Aiden que acabou de sair do seu quarto?" ela perguntou, a voz um tom acima do normal.
Eu assenti, ainda meio atordoada.
"O Aiden? CEO do Grupo Carter? Aquele que a Forbes colocou na lista dos trinta empresários mais influentes com menos de quarenta? Esse Aiden?"
"Sim, esse aí," confirmei, ajustando minha posição na cama do hospital.
"O que ele tava fazendo aqui? Pera… isso tem a ver com o acidente?"
Contei uma parte do que aconteceu, cuidadosamente deixando de fora a proposta de casamento que eu tinha acabado de fazer. "Ele veio discutir a compensação pelos meus ferimentos do acidente de carro."
Lillian olhou desconfiada, mas resolveu não insistir. Depois de me ajudar a recolher minhas coisas, ela me levou pra casa pra eu poder me trocar antes de voltar ao hospital e cuidar do meu pai.
Meu pai tinha apenas desmaiado por conta de um colapso emocional, nada grave, mas os médicos queriam mantê-lo sob observação.
Em casa, vesti um suéter confortável e jeans, tentando não pensar muito no que tinha acabado de iniciar. Eu realmente ia me casar com Aiden? Um homem que eu m*l conhecia além da sua fama de empresário implacável?
De volta ao hospital, meu pai parecia melhor do que no dia anterior. Senti um alívio enorme. Pelo menos algo estava dando certo.
No dia seguinte, enquanto eu estava sentada ao lado dele, lendo um livro enquanto ele dormia, a porta do quarto do hospital se abriu. Levantei o olhar, esperando ver uma enfermeira ou um médico.
Em vez disso, Liam White estava na porta, segurando um buquê de flores.
Meu coração apertou dolorosamente ao vê-lo. O homem que prometeu me amar pra sempre. O homem que me deixou sozinha no altar. O homem que escolheu Sophia ao invés de mim quando tudo começou a desmoronar.
"Aria…" ele começou, a voz suave e cheia de remorso. "Soube sobre o seu pai. Quis vir ver como vocês estavam."
Antes que eu pudesse responder, Lillian levantou de onde estava sentada num canto do quarto.
"Como você tem coragem de aparecer aqui? Depois do que você fez? Você largou ela no altar, seu babaca egocêntrico! E agora entra aqui como se nada tivesse acontecido?" ela disparou, cheia de indignação.
Os olhos do meu pai se abriram lentamente por causa da confusão. Quando viu Liam, seu olhar endureceu.
"Saia," meu pai disse, a voz fraca, mas firme.
Liam deu um passo à frente. "Sr. Jones, por favor, só quero explicar—"
"Eu disse pra sair!" a voz do meu pai se elevou, fazendo o monitor de batimentos cardíacos apitar mais rápido. "Você já causou dano suficiente à minha filha."
Eu permaneci em silêncio, olhando para Liam com uma frieza que nunca pensei ter por ele. Esse era o homem que eu amei por doze anos. O homem com quem eu planejava passar minha vida. Agora, olhando para ele, eu não sentia nada. Apenas um vazio onde meu coração deveria estar.
"Aria, por favor…" Liam implorou, me olhando com aqueles olhos que antes me faziam perder as palavras.
"Você ouviu o papai," falei finalmente, minha voz firme. "Saia."
Lillian praticamente empurrou ele pela porta. Eu podia ouvir sua voz furiosa no corredor, detonando sem piedade.
"Volte pra sua preciosa Sophia e deixe a Aria em paz antes que eu chame a segurança pra te tirar daqui!"
Quando ela voltou ao quarto, o rosto estava vermelho de raiva. Ela me olhou preocupada.
"Você tá bem?"
Eu assenti, surpresa por perceber que realmente estava. Ver Liam não doeu tanto quanto imaginei que doeria.
Nos dias seguintes, percebi que meu celular e tablet não estavam conectados à internet. Lillian tinha desligado pra tentar me proteger dos comentários cruéis online.
"Quero ver o que estão dizendo, Lillian," insisti.
O rosto dela se contorceu de preocupação. "Por que você quer se torturar assim?"
Eu dei um sorriso triste. "Levei doze anos pra acordar. Se eu não colocar um pouco de sal na ferida, posso esquecer a dor quando ela cicatrizar."
Ouvindo isso, os olhos de Lillian se encheram de lágrimas, mas ela relutantemente me entregou o celular dela.
"As pessoas são tão cruéis," Lillian murmurou, me observando ler os comentários em um site de fofocas. "Como podem dizer essas coisas sobre você?"
Eu li os comentários por mim mesma. O público tinha sido implacável, especulando porque Liam tinha me deixado. Alguns sugeriam que eu não era boa o suficiente pra ele. Outros alegavam que eu devia ter feito algo terrível pra afastá-lo. Alguns até comemoravam a escolha dele por Sophia, pintando ela como uma espécie de heroína romântica que venceu contra todas as probabilidades.
Cada comentário era como uma pequena facada, mas, a cada golpe, minha determinação aumentava. Eu tinha sido ingênua, acreditando em um conto de fadas que nunca existiu. Agora era hora de enfrentar a realidade e seguir em frente.
No dia em que meu pai recebeu alta do hospital, estávamos recolhendo suas coisas quando meu celular vibrou com uma mensagem de texto. Chequei discretamente, meu coração acelerando ao ver que era do Aiden:
"Tenho tempo amanhã. Nos encontramos às 10h no cartório. Traga seus documentos. - A.C."
Li a mensagem três vezes, meu coração disparado. Apesar do acordo no hospital, uma parte de mim ainda não acreditava de verdade que Aiden iria mesmo cumprir nossa combinação.
"Quem é, querida?" meu pai perguntou, notando minha expressão mudar.
"Só trabalho," menti com naturalidade, guardando o celular. "Nada importante."
Ao chegarmos em casa, Lillian imediatamente me arrastou para o meu quarto.
"Tá, conta tudo!" ela disse, pulando na minha cama com um brilho animado nos olhos.
"Eu vi quem te mandou mensagem mais cedo. Foi o Aiden, não foi? O Aiden!"
"Sim," admiti, tentando parecer casual. "Mas não é nada importante."
"Nada importante?" Ela arqueou uma sobrancelha, claramente desconfiada.
"O solteiro mais cobiçado da cidade não manda mensagem de graça por 'nada importante.'"
Ela mexeu as sobrancelhas de forma provocativa. "Conta aí, sobre o que era?"
Soltei um suspiro. "É só… coisa de compensação. Do acidente."
"Compensação?" Os olhos dela brilharam de curiosidade. "Que compensação é essa? Ele atropelou seu cachorro por acaso?"
Hesitei. Como eu podia explicar que tinha pedido ao Aiden, o empresário mais poderoso da cidade, pra fingir ser meu marido? A absurda ideia que propus passou novamente pela minha cabeça.
Lillian interpretou meu silêncio de outra maneira. "Olha, Aria, não fica com peso na consciência por pedir dinheiro. O Aiden praticamente nada em dinheiro. Problema que se resolve com grana não é problema pra ele." Ela sorriu de forma travessa. "E aí, quanto você pediu? Me conta pra eu ficar feliz!"
"Não pedi dinheiro," admiti. "Fiz um pedido diferente."
A curiosidade dela cresceu ainda mais. "Que pedido?"
Respirei fundo, pronta pra confessar minha proposta impulsiva—
quando a porta se abriu, e Martha, uma das empregadas, entrou no quarto.