Capítulo 6

1040 Words
  Virei-me para ela, franzindo ligeiramente a testa. "O que foi, Martha?"   Ela fez um aceno educado. "Senhorita Jones, o Sr. White está aqui para vê-la. Ele trouxe a Srta. Clarke com ele."   Meu corpo ficou tenso imediatamente. "Diga que não estou disponível."   Lillian endireitou a postura, de repente alerta. "Sophia também está aqui? Ah, isso eu preciso ver." Ela se virou para Martha. "Mostre eles para dentro."   "Lillian—" protestei, mas ela já estava alisando o vestido.   "Confie em mim, Aria. Quero ver o que esses dois têm a dizer."   Minutos depois, Liam e Sophia entraram na sala de estar. Liam parecia desconfortável, enquanto Sophia mantinha sua aparência habitual de fragilidade, agarrando-se ao braço de Liam como se fosse desmoronar sem o apoio dele.   "Aria," Liam começou, sua voz tensa. "Eu vim me desculpar novamente pelo que aconteceu. Eu sei que te magoei—"   Lillian o interrompeu com uma risada seca. "Só isso?."   Os olhos de Sophia se arregalaram, carregando sua costumeira expressão de inocência forçada. "Nós realmente não queríamos que as coisas acontecessem desse jeito. Eu tenho me sentido horrível com tudo isso. Eu entendo que você esteja aborrecida por causa da Aria," Sophia disse suavemente, com os olhos lacrimejando. "Mas você não sabe o quão complicado tudo foi. Eu estava em um estado tão sombrio com minha depressão—"   "Guarde a encenação para quem vai acreditar nisso," Lillian cortou rapidamente. "Usar uma doença mental como desculpa para suas manipulações é nojento."   O rosto de Liam ficou rígido. "Chega. A condição de Sophia é real, e você não tem o direito de falar com ela desse jeito."   "E você não tinha o direito de humilhar Aria como fez," rebateu Lillian. "Primeiro você protegeu essa mulher em vez da sua noiva durante o tiroteio, depois abandonou Aria no que deveria ter sido o dia mais feliz da vida dela!"   "Eu cometi erros," Liam admitiu, "mas Sophia estava vulnerável—"   "E Aria não estava?" Lillian já estava praticamente gritando. "Ela foi baleada, Liam! Enquanto você estava ocupado bancando o herói para a sua amante!"   As lágrimas de Sophia agora escorriam livremente. "Por favor, parem," ela murmurou, com a voz trêmula. "É exatamente por isso que eu não queria vir. Eu sabia que todos me culpariam."   Liam a apertou mais perto. "Isso não é culpa de Sophia. Se há alguém a quem culpar, sou eu." Ele olhou para mim, seu olhar endurecendo. "Além disso, sua atitude com Sophia é terrível. Você não entende que ela realmente sofre de—"   "De quê, Liam?" interrompi, finalmente encontrando minha voz. "De uma incapacidade de encontrar um homem pra ela? De uma necessidade desesperada de tomar o que pertence aos outros?"   Os olhos de Sophia se encheram de lágrimas novamente. "Aria, por favor. Eu sei que você está magoada, mas eu não estou fingindo minha doença. Isso... isso é cruel."   "c***l é aparecer na minha casa depois do que vocês dois fizeram!" retruquei de imediato.   "Aria," disse Liam firmemente, agora com o braço envolto protetoramente em Sophia, "eu sei que te machuquei, mas você precisa parar de atacar Sophia. Isso não é bom para a condição dela."   "Atacar?" Soltei uma risada fria. "Você acha que isso é atacar?"   Olhei para Liam, e sem um segundo de hesitação, virei-me e dei um tapa forte em Sophia.   "Saia. Vocês dois. Esse par patético e traiçoeiro."   A expressão de Liam escureceu imediatamente. "Por que você bateu em Sophia? Ela está tendo uma crise! Isso não é algo que ela pode controlar! Aria, você está me decepcionando de verdade."   Sophia puxou a manga dele, desempenhando perfeitamente o papel de vítima. "Não a culpe, Liam. Eu mereço isso. A culpa é toda minha por seu casamento não ter acontecido. É tudo culpa minha!"   Lillian cuspiu de desgosto diante daquela cena patética. "Ah, você não fez nada de errado, né? Você tem depressão, então o mundo todo deve se curvar diante de você!"   Não me dei ao trabalho de assistir à performance de Sophia por mais tempo.   Virei-me para o segurança. "Tire eles da minha casa."   ---   Ponto de Vista de Sophia   Eu não conseguia controlar as lágrimas enquanto Liam me conduzia para fora da casa de Aria. Minha bochecha ainda ardia pelo tapa que levei, e fiz questão de que Liam percebesse meu tremor.   "Você está bem?" Sua voz era terna enquanto ele me ajudava a entrar no carro. "Não acredito que ela fez isso com você."   Aproveitei sua preocupação, permitindo que um soluço suave escapasse. "Eu só queria consertar as coisas. Nunca quis machucar ninguém."   A mandíbula de Liam se endureceu com raiva. "Você não fez nada de errado. Vamos, vou te levar a algum lugar para te animar."   Ele me levou ao shopping mais exclusivo da cidade, comprando joias e roupas de grife para acalmar meus "nervos frágeis."   Quando cheguei em casa naquela noite, decidi que ainda não tinha terminado com Aria. Liguei para ela, sabendo exatamente como irritar ela.   "Aria?" fingi surpresa quando ela atendeu. "Eu só queria lembrar que amanhã seria o aniversário de 4 anos de vocês dois. Ou teria sido. Você deveria casar com ele no civil amanhã, né?" acrescentei docemente. "Estou planejando algo especial."   Eu esperava lágrimas, suplicas ou raiva. Em vez disso, Aria riu.   "Isso era pra me machucar, Sophia?" Sua voz estava diferente—mais firme, mais fria. "Comemore o quanto quiser. Você me salvou de uma vida com um homem que nem conseguiu me proteger quando era mais importante."   Sua resposta me pegou desprevenida. "Você está só dizendo isso. Eu sei que você ainda o ama."   "Você não sabe nada sobre mim," ela respondeu calmamente. "Aproveite sua vida com um homem que nem consegue ser honesto com a mulher que deveria se casar. Me pergunto quando ele fará o mesmo com você."   A ligação foi encerrada antes que eu pudesse responder. Não era a reação que eu esperava, e a frustração borbulhou em meu peito.   A bochecha que ela havia estapeado ardeu novamente, como se suas palavras tivessem reacendido o golpe.   "Ahhh!" gritei, jogando o celular na cama antes de pegá-lo novamente para ligar para Liam.   Eu ia descobrir por quanto tempo Aria conseguiria manter aquela fachada.   Porque, mais cedo ou mais tarde, ela iria desmoronar.
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