Capítulo 1 - Clare
PARTE I
Brooklin, Distrito de Nova York.
Olho impaciente o teste de gravidez em minha mão, sentada na privada mordo o lábio inferior, quando aparece a primeira listra.
Obrigado, penso, após alguns minutos quando apenas uma listra permanece.
Deixo o banheiro, pegando na velha cômoda ao lado uma tigela de cereal, na qual dou uma colherada, observando Blake ler o jornal.
– Adivinha quem não está grávida? – pergunto engatinhando sobre ele e colocando a tigela sobre sua cabeça.
– Espero que não seja você – diz rude, sem tirar os olhos do jornal – Odiaria que destruísse seu corpo – Blake vira a página do jornal.
Meus olhos vagam pela milésima vez pelas tatuagens que cobriam o pescoço e os braços fortes. O cabelo cortado rente ao couro cabeludo, dando a impressão que era careca, os lábios carnudos e a pele morena.
Eram características que conhecia de cor, que me excitavam na maioria das vezes só de olhar.
Sento do seu lado, dando mais uma colherada no cereal.
– Alguma coisa sobre nós?
– Não.
Já fazia pelo menos quinze dias que havíamos roubado uma joalheria, por alguns dias éramos manchetes de todos os jornais, mesmo encapuzados; até que caíamos no esquecimento.
Batidas na porta me fazem desviar a atenção.
Blake olha para mim, antes de pegar uma arma em baixo do travesseiro.
Caminho até a porta, olhando pelo olho mágico.
– É o Johnny – murmuro, Blake revira os olhos, guardando a arma na cintura.
Abro a porta, Johnny passa por mim esbarrando em meu ombro.
Ele um dia já tivera um corpo atlético, depois do uso constante de cocaína o deixará magro o bastante, para contarmos suas costelas.
Concluo que já estava chapado de cocaína, pela sua agitação.
– O que foi, Johnny? – Blake pergunta.
– O Coroa quer ver vocês – Ele olha para mim – Agora.
Deixamos o apartamento seguindo Johnny, crianças brincavam nas escadarias. Sorrio para uma, sendo puxada pelo braço por Johnny.
Andamos pelo menos três quadras, até chegarmos em uma casa no nível do subsolo.
Há pelo menos dez homens numa pequena sala, ambos ficam em silêncio quando entramos.
Felizmente éramos considerados importantes naquela quadrilha, talvez pelo fato de sermos bons no que fazemos, mesmo já tendo ido parar atrás das grades algumas vezes.
Blake era visto como o Coringa, alguns acreditavam que se baseava nas atitudes do palhaço, enquanto outros afirmavam que se tratava de uma personalidade forte. Mas apenas eu o conhecia de verdade e, sabia que poderia ser pior do que o Coringa quando queria e amável em momentos raros.
Já eu, era considerada a Harleen Quinzel. Não apenas pelo fato de apoiar Blake em seus planos, mas por conseguir chegar no mesmo patamar do crime que ele.
– Que bom que chegaram – diz Coroa, sentado numa parte escura da sala – Estávamos repassando os últimos detalhes do assalto de amanhã.
– Mais verdinhas – diz Johnny, esfregando uma mão na outra.
– Então, qual é o plano? – Blake pergunta por fim.
Cruzo os braços quando calmamente, Coroa explica detalhadamente o plano do assaltado ao banco central.
Voltamos para o apartamento duas horas depois, após ter repassado o que cada um faria, principalmente eu.
Paro em frente a janela, observando às pessoas transitarem de um lado para o outro.
Ouço Blake caminhar até a geladeira, pegando uma cerveja. Ele a abre, tomando boa parte do líquido.
Ele se aproxima, segurando meu cabelo, puxando minha cabeça para trás; seu hálito quente e com odor de álcool acaricia minha pele.
– Que tal brincarmos um pouco? – Sussurra.
– Blake.
– Qual é, Clare. Você vai gostar – Beija meu pescoço até a clavícula, enquanto suas mãos amassam meus s***s.
Ele vira meu corpo para si, não hesitando em tirar minha blusa e desabotoar mina calça jeans. Apressando– se em se despir, pegando na cômoda ao lado um preservativo, me entregando com um sorriso que conhecia muito bem.
Abro a embalagem, colocando na minha boca, segurando seu m****o na base, o coloco em minha boca de forma em que a camisinha deslize sob ele.
Olho para Blake passando a língua no lábio inferior, antes de me erguer pelo cabelo me empurrando sobre a cama, puxando minha calcinha até os tornozelos.
Se colocando sobre mim, abre minhas pernas, penetrando com força no meu interior.
Um gemido escapa dos meus lábios, Blake continua com os movimentos bruscos, segurando minhas mãos sobre minha cabeça.
Passo ás unhas na extensão de suas costas, cravando– a em certos pontos, enquanto nossas línguas travavam uma batalha.
Blake solta meus pulsos, colocando uma das mãos em meu pescoço e apertando. Sorrio, tendo seu sorriso como resposta.
Não era muito fã deste tipo de coisa na cama, mas com Blake passei a ver com outros olhos e até gostei do que vi.
Laço sua cintura com minhas pernas, mudando de posição facilmente, beijando de forma quase machucando seus lábios.
Começo a rebolar em seu m****o, envolvida nos gemidos de Blake, que com as mãos traçava às curvas do meu corpo.
Fecho meus olhos gemendo junto com ele, sentindo meu corpo perto do g**o, enquanto os braços dele me envolvem trocando novamente de posição.
A cama range com seus movimentos, anunciando cada vez mais o clímax.
Ele dá uma última estocada, gemendo alto e apertando meus punhos. g**o no último instante, aproveitando a sensação que havia tomado meu corpo.
Blake desmorona ao meu lado, virando de barriga para baixo, suspirando profundamente, antes de pegar no sono.
Levanto entrando no banheiro, demorando mais do que o necessário no banho. Observo a água morna descer pelo ralo com meus pensamentos.
Paro em frente ao espelho embaçado, passando a mão pelo vidro e encarando eu reflexo.
Fazia questão há alguns anos de manter meu cabelo castanho na base do queixo e a franja acima dos olhos. Era mais fácil em todos os requisitos, até para lavar.
Minutos depois me deito ao lado de Blake, vestida apenas em uma camiseta.
Olho para ele roncando ao meu lado, voltando a fitar o teto branco.
Fazia pelo menos cinco anos que estava com ele. Cinco anos repletos de crimes e assaltos que, não meu caso não tive escapatória. Não havia outra opção e Blake havia sido encarregado de “mostrar” como ganhar na vida.
No começo com o passar do tempo me apaixonei, pelo modo protetor e por não deixar ninguém me machucar; mas depois vejo as brigas, as agressões e as expressões dele de culpa, que descarregava em longas horas fora de casa com outras mulheres.
Na maioria das vezes ele se sentia culpado em me agredir, como mesmo diz hoje em dia: “era necessário para se tornar quem é hoje”.
Já havia perdido a conta de quantas vezes havia sido presa, tudo em nome do amor.
Amor, penso adormecendo.
Qual era seu real significado?