Saímos, subimos em nosso carro, m*l havíamos andado dois quarteirões, Matheus deu o alarme.
_ Senhora, estamos sendo seguidos.
_ Matheus, por quantos carros?
_ Senhora, o que vi são dois, acho bom a senhora ligar para Júlio mandar reforços, não sabemos em quantos estão.
Liguei para Júlio, mas como combinado, não me atendeu. Eu já entendi que meu sequestro acontecerá.
_ Matheus, eu não estou conseguindo falar com Júlio, fique calmo e nos tire daqui. Carlos, se prepare, se eles conseguirem interceptar nosso carro, vá embora, me deixe que depois Júlio me acha.
_ Não vou te deixar, lutarei até o final, só vão levar você se eu morrer.
_ Não morra, não arrisque sua vida por mim, eu ficarei bem.
_ Nineta só se abaixa e deixa que vamos te proteger.
Matheus tentou fugir de nossos perseguidores, mas foi em vão. Em certa altura da estrada, fomos cercados por três carros e vários homens desceram, mas Júlio falou em cinco, aqui tem bem mais que cinco. Vi Carlos se preparando e Matheus também, não estou conseguindo entender, estou quase acreditando que o sequestro é verdadeiro, deixarei acontecer. Eles sabiam do risco, quando aceitaram esta missão. Nosso carro é blindado, eles chegaram e começaram a mandar meu motorista abrir a porta.
_ Matheus, nós não faremos nada contra você, nos entregue a Nineta e você pode ir embora.
_ E se eu não entregar?
_ Levaremos a sua patroa de qualquer jeito, temos ordens bem claras, ela deve estar viva, os outros só se não derem trabalho.
Matheus virou para trás e falou para Carlos.
_ Não sei se você é bom ou não, mas fiz uma promessa de sangue e morrerei defendendo a senhora Nineta.
_ Estou com você, Matheus, o que você tem em mente?
_Eles vão arrebentar a minha porta porque ela é a fraqueza do carro, se eles abrirem ela, as outras se abrem. Tenho uma escopeta e mais duas armas, atirarei para matar, não deve sobrar nenhum para contar a história.
_ Meninos, eu tenho mais duas armas comigo e mais duas cartelas de balas. Carlos, como eu ainda não tinha te dado uma arma, vou te emprestar uma minha e não morra, se sairmos vivos disso, deixo você dormir comigo.
_ Você também se cuida e derrubaremos alguns marginais.
Me puxou e me deu um beijo e assim nos preparamos e esperamos, eles vieram com um aparelho para desligar a segurança do carro e quando abriram a porta Matheus deu um tiro de escopeta no primeiro, o segundo desviou e veio do meu lado abriu a porta, eu dei um tiro no meio da testa dele, e do outro que estava atrás também.
Carlos desceu do outro lado e matou mais dois, Matheus desceu e se posicionou para me proteger, Carlos veio pelo outro lado, eu fiquei no meio dos dois, só se ouviam barulho dos tiros zunindo em nossos ouvidos, logo estávamos conseguindo acabar com os traidores, mas parou outro carro e quem saiu de dentro atingiu Matheus no ombro, Carlos me pegou e puxou tentando me tirar dali, ouvi outro tiro e Carlos gemeu e ajoelhou no chão.
O Raffaele se aproximou, pegou uma arma e colocou na cabeça do meu lobo solitário.
_ Você achou mesmo que eu ia deixar este cara impune após ter me humilhado na sua frente? Vou matá-lo para que você entenda que me pertence e a partir de hoje quem manda nos seus movimentos sou eu.
Tive vontade de implorar pela vida de Carlos, mas sei que se fizer isso, ele vai matá-lo mais rápido ainda só para me ver sofrer.
_ Ou será que levo ele conosco, para que ele veja eu transando com você? O que você acha?
Carlos aproveitou um momento em que ele desviou o olhar e deu um soco no nariz dele e tomou a arma, pegou-o em uma mata leão e falou para o capanga.
_ Solta Nineta agora, ou matarei seu patrão.
_ Se você matar o Consiglieri da máfia, você nunca mais terá paz.
_ Você está com o Don sob sua mira, quem de nós você acha que terá paz?
_ Estou seguindo ordens e você?
_ Desculpa, eu também.
Me olhou nos olhos e atirou, sangue voou por todo lado e senti as mãos do homem me soltando, corri até Carlos e abracei.
_ Calma, querida, está tudo sob controle.
Mas o Consiglieri tinha uma faca com ele e enfiou na perna do Carlos, levantou e me pegou pelos cabelos. Eu tentei reagir e ele me deu uma bofetada. Carlos arrancou a faca da coxa e enfiou no pescoço de Raffaele, caiu no chão e já foi perdendo os sentidos.
Fomos até Matheus, que está sangrando, mas está melhor que Carlos, que tem um ferimento de tiro na cintura e uma facada na coxa. Sentamos no chão e Matheus nos informa que a cavalaria já está chegando. Carlos não me solta e não relaxa, ainda fica preocupado com outro ataque.
_ Carlos relaxa, já estão todos mortos, e Júlio vem chegando com mais homens.
_ Nineta não abaixe a guarda, sua cunhada continua por aí, eu desmaiarei, mas promete que vai se cuidar, e se acontecer alguma coisa, não pense em mim, fuja, proteja sua vida.
_ Prometo, lobo solitário, eu cuidarei de mim e de você.
Júlio chegou e, assustado, veio até mim, tentou falar comigo, mas não temos tempo para isso. Carlos está perdendo muito sangue.
Se Carlos morrer, aí, sim, você terá que se explicar.
_ Eu não morrerei, minha rainha.
_ Vamos! Levem-no para o hospital, inventem qualquer coisa, mas façam-no ser atendido. Ele tem uma bala na cintura e um corte na coxa.
_ E Matheus? Senhora.
_ Matheus levou um tiro no ombro, nosso médico conseguirá resolver, vão fazer o que mandei, estão esperando o quê?