Falei mais um pouco com a Miriam e fui para casa pensando em como resolver, estava tão concentrada em meus pensamentos que me assustei quando Carlos falou comigo.
_ Nineta você está bem? Precisa de ajuda para resolver algum problema?
_ Por enquanto você não pode me ajudar, mas quem sabe mais para frente. Agora preciso arrumar alguém de confiança para tocar a boate.
_ Se você precisar estou aqui para você.
_ Ok.
“Carlos”
Tentei me aproximar mas Nineta é arisca, se fecha e quando se trata dos negócios então aí ela é quase um cofre sem chave, difícil de abrir
Chegamos e Júlio veio de encontro.
_ Senhora, nosso hóspede está na suíte.
_ Júlio leva Carlos com você e dá o tratamento vip para o homem, mais tarde eu vou lá falar com ele.
_ Sim senhora, vamos Carlos.
“Carlos”
O que será tratamento vip? Acho melhor não perguntar.
Cheguei acompanhando o Júlio e o homem está amarrado em uma cadeira, pelo jeito já apanhou bastante, quando percebe que chegamos começa a chorar.
_ Pelo amor de Deus, eu já disse tudo o que eu sabia.
_ Quem foi que mandou matar o capo?
_ Eu já te disse, não existe outra resposta, por favor fala pra ela que eu não quero morrer.
_ Daqui a pouco ela vai vir falar com você e é melhor falar a verdade.
Júlio desferiu dois socos no rosto do homem vi um dente dele voar no chão, tem sangue por todo lado, eu resolvi tentar falar com o homem.
_ Homem me fala porque você não fala o que eles querem saber?
_ Eu não posso, eu vou morrer de um jeito ou de outro.
_ Como assim, me dá uma explicação para que eu tenha como te salvar.
_ Se eu falar o que ela quer saber vão me matar e também minha família, se eu morrer em silêncio tem uma chance de minha família viver.
_ Estão ameaçando sua família?
Não deu tempo de eu perguntar mais nada Nineta chegou, foi até o homem e perguntou.
_ Você tem alguma coisa para me dizer?
_ Senhora eu já disse tudo o que eu sabia, por favor não me mate.
_ Eu sei que você sabe mais do que está falando, me diz a verdade e eu deixo você viver.
_ Senhora eu não tenho mais nada a dizer.
“Carlos”
Vi Nineta esticar a mão esperando a arma de Júlio, eu vou tentar salvar a vida do homem, não posso deixar ele morrer desse jeito, quando Júlio colocou a arma na mão dela, eu segurei o braço impedindo que ela atirasse na cabeça do homem.
_ Senhora me escuta, não mate o homem.
Ela ficou um momento me olhando, virou o corpo me deu um chute no meio das pernas que acho que nunca mais vou poder ter filhos, torceu meu braço para trás e chutou na junta do meu joelho me fazendo ajoelhar no chão, a arma que estava apontada para a cabeça do homem agora está apontada para mim, eu resolvi falar para tentar salvar a minha vida.
_ Senhora, estão ameaçando a família dele por isso ele não fala.
Ela olhou para mim e engatilhou a arma, eu fechei os olhos esperando a morte, só ouvi os tiros e abri os olhos e ela tinha atirado para cima.
_ Nunca mais questione uma decisão minha, agora o homem é responsabilidade sua, se realmente a família dele está sendo ameaçada e ele vai me contar o que quero saber, vou garantir a segurança da família dele, mas para isso preciso de uma prova que ele está falando a verdade. Você tem até amanhã para me dar essa prova senão eu vou enterrar os dois juntos para que morram abraçados. Júlio faça cumprir minha ordem.
_Sim senhora.
Júlio virou para mim e disse
_ Espero que você saiba o que fez, porque senão vou ter que te enterrar vivo.
_ Vou resolver isso Júlio.
_ Tomara.
Júlio saiu e me deixou sozinho com o homem, eu fui até ele e tirei as cordas.
_ Como você se chama?
_ Antônio, o senhor não devia ter se metido, agora vamos morrer os dois.
_ Me conta e que você sabe e vamos ver se consigo provar para ela que você fala a verdade.
_ Eu sei que ela é poderosa mas o homem que matou o marido dela também é, nós vamos morrer de um jeito ou de outro, e agora condenei minha família também.
_Quem é o mandante? Quem foi?
_ O Consiglieri dela, o senhor entendeu porque não vai adiantar falar ela não vai acreditar que o cunhado dela mandou matar o irmão.
_ E porque ele fez isso?
_ Porque ele achou que ia dominar a senhora e ia mandar em tudo.
_ Pelo poder, ele matou o próprio irmão, como vou fazer ela acreditar em mim?
“Nineta”
Saí dali e fui vigiar meu lobo solitário pelas câmeras, vamos ver o que você vai fazer agora, a prova da lealdade você quebrou, não me respeitou, no final sua parte policial falou mais alto, vamos ver se consegue pelo menos descobrir o que eles me escondem, eu ouvi a confissão só tem uma coisa errada meu cunhado não é irmão do meu marido, será que existe a possibilidade do nosso hóspede estar tentando enganar a todos, se for isso meu lobo morreu, não vou poder voltar atrás de uma palavra dada. Vou lá vamos ver o que dá.
Cheguei no galpão o homem já se encolheu todo.
_ Calma homem eu só vim conversar, você falou que foi meu cunhado quem mandou matar meu marido.
Carlos levantou com tudo e me encarou nervoso.
_ Você estava nos escutando? Não confia em mim.
_ Você achou mesmo que eu ia sair daqui e deixar você sozinho com meu hóspede sem nenhum monitoramento? E não, eu não confio em você.
_ Seu cunhado matou o próprio irmão para chegar ao poder, foi isso.
_ Quem falou para o senhor que meu cunhado e meu marido são irmãos?
Vi o homem abaixar a cabeça.
_ Fala logo que a minha paciência é bem curta.
_ Eu sei que não são senhora, mas seu capanga falou tão confiante que achei que poderia estar errado.
_ O que mais você sabe, e onde está sua família agora?
_ Eu só sei que o senhor Raffaele achou que ia conseguir controlar a senhora por intermédio de sua cunhada, ela achou que a vossa amizade ia manter a senhora controlada e ele ia conseguir controlar a máfia.
_ Então ele não tinha intenção de me tirar do poder, sempre foi essa a intenção era dominar a mulher fraca e o menino ia me manter no poder para mandar através de mim, pena que não sou tão fraca quanto ele imaginou.