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ENTRE A SOMBRA E A CHAMA.

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Blurb

Ele foi enviado para destruir o mundo dela. Acabou se tornando o único monstro capaz de salvá-la.

Damian Vance é uma arma perfeita: frio, implacável, treinado para desaparecer. A missão? Infiltrar-se no coração da máfia italiana como guarda-costas pessoal da herdeira Romano — e reunir provas para derrubar o império por dentro.

Mas para destruir uma dinastia, ele precisará primeiro dominar a mulher que deveria proteger.

Aria Romano cresceu entre muros de ouro e olhares vigilantes. E sabe: o homem à sua porta não é um protetor comum. Demais brutal, demais controlado, perigoso até para as regras do submundo. Encurralada e alvo de facções rivais, ela decide testar cada limite do homem que comanda seus passos.

Num jogo claustrofóbico de sedução, controle e mentiras, o dever se transforma em obsessão sombria. Damian foi treinado para não deixar rastros — mas a única regra que não consegue cumprir é manter as mãos longe dela.

Quando os segredos vêm à tona e a máfia exige sangue, a linha entre espião e protetor desaparece. Agora, para mantê-la viva, Damian está disposto a incendiar a agência que o criou, o império que o contratou e qualquer um que ouse interpor-se entre ele e o que é seu.

— Minha missão era destruir o seu mundo, Aria. Meu único erro foi decidir que você seria o meu prêmio de guerra.

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A Gaiola de Ouro e o Instinto de Presa
A maioria das pessoas acorda com o som de um despertador ou com o canto dos pássaros. Eu acordo com o som do silêncio metálico de uma tranca eletrônica sendo desativada. Abri os olhos, a seda dos lençóis importados acariciando minha pele, um contraste brutal com a realidade da minha vida. Eu sou Aria Romano. E este é o meu castelo. Minha prisão. Caminhei até o espelho de corpo inteiro. A imagem que me devolveu o reflexo não parecia a de uma "Princesa da Máfia", como os tablóides gostavam de especular se soubessem da minha existência. Com meus 1,60m de altura, eu parecia pequena demais para o peso do sobrenome que carregava. Pequena e frágil. Duas mentiras que eu cultivava com cuidado. Meus olhos escuros, no entanto, traíam a fachada. Eles tinham visto coisas que nenhuma garota de vinte e dois anos deveria ver. — Bom dia, Donna Aria — disse a voz abafada de Rosa, a governanta velha que estava na família desde antes de eu nascer, através da porta agora aberta. Rosa era a única pessoa na face da Terra que eu tolerava... e, em dias bons, quase confiava. Mas "quase" era a palavra-chave. Em nosso mundo, a confiança não era uma virtude; era uma sentença de morte. Eu desconfiava de todos. E tinha motivos de sobra. Meu pai, Don Lorenzo Romano, era o chefe. Um homem cujo coração era feito do mesmo mármore frio que decorava nossa villa em Nápoles. Para ele, eu não era uma filha; eu era um ativo. Um peão valioso em um tabuleiro de xadrez sangrento, esperando o momento certo para ser casada com algum aliado estratégico ou usada como moeda de troca. Ele sorria para mim, mas eu sabia que, por trás daquele sorriso, ele estava calculando meu valor de mercado. Minha mãe? Bom, a Mamma era uma lição de cautela. Uma mulher bonita que se tornou uma sombra silenciosa, anestesiada por pílulas e negação, fingindo não ver o sangue nas mãos do marido. Dela, eu aprendi que amar um homem neste mundo era o caminho mais rápido para a aniquilação pessoal. E havia os "tios" e "primos". Os generais do exército do meu pai. Homens que me tratavam com uma reverência bajuladora enquanto seus olhos cobiçavam o poder que eu herdaria se não tivessem sucesso em me eliminar primeiro. Eu sabia que cada um deles me venderia para a facção rival se o preço fosse alto o suficiente. Por isso, eu me escondia em plena vista. Oficialmente, eu estava estudando História da Arte em uma facção privada e exclusiva da universidade — cercada por seguranças, claro. Era uma "profissão" segura para uma herdeira. Decorativa. Inofensiva. Mas, longe dos olhos vigilantes do meu pai e de seus capangas, eu tinha minha própria vida. Eu gostava de desenhar, mas não paisagens ou naturezas-mortas. Eu desenhava plantas baixas. Sistemas de segurança. Mapas de rotas de fuga. Eu era uma arquiteta das sombras, obcecada por encontrar fissuras na fortaleza que me cercava. Eu também amava a noite. A liberdade ilusória que a escuridão trazia. Nas raras noites em que conseguia escapar da vigilância ferrenha — um talento que eu aprimorava a cada dia —, eu frequentava clubes de luta underground na periferia de Nápoles. Ninguém sabia quem eu era ali. Eu não era uma Romano; eu era apenas mais um par de olhos assistindo à violência nua e crua. Eu não lutava, mas observar o caos me dava uma sensação de controle estranha, uma dose de realidade em um mundo de luxo sufocante. Fui até a janela e olhei para o pátio lá embaixo. Homens de terno preto, com volumes nada sutis sob os paletós, patrulhavam o perímetro. Eu estava no topo da cadeia alimentar, mas nunca me senti tão parecida com uma presa. E foi naquele momento, enquanto observava o nascer do sol sobre a baía, que uma figura nova apareceu no portão principal. Um homem alto, de ombros largos, com uma postura que gritava perigo de uma forma que os capangas do meu pai só podiam sonhar. Ele não andava; ele se movia como um predador avaliando o território. Meus dedos coçaram para pegar meu caderno de esboços, não para traçar uma rota de fuga, mas para captar a tensão naquelas costas. A porta do meu quarto se abriu novamente, e Rosa parecia mais pálida que o normal. — Donna Aria... o Don mandou chamá-la no escritório. Ele disse que é sobre a sua nova... segurança. Um calafrio percorreu minha espinha. Terminei de me arrumar rapidamente e desci os lances de escada com a postura impecável que me foi ensinada desde a infância, o salto alto estalando contra o piso de mármore. O escritório do meu pai cheirava a charuto caro, uísque envelhecido e decisões tomadas à custa da vida de outras pessoas. A porta de carvalho pesado se fechou atrás de mim com um baque abafado. Meu pai, Don Lorenzo Romano, estava sentado atrás da imensa mesa de madeira entalhada, os olhos frios fixos em um relatório. Mas não foi ele quem prendeu minha atenção. Ajoelhado em um dos cantos da sala, de costas para a porta, o homem que eu tinha visto do alto da minha janela terminava de ajustar a bainha de uma lâmina tática em sua bota. Quando ele se levantou, a sensação foi de que o espaço na sala diminuiu drasticamente. Ele era uma muralha. Tinha facilmente mais de 1,90m de altura, ombros largos sob um terno escuro feito sob medida que m*l conseguia disfarçar o volume de um colete velado e a presença de armas ocultas. O cabelo escuro estava levemente desalinhado, e havia uma cicatriz fina cortando a linha de seu maxilar rigorosamente feito. Quando ele se virou e me encarou, me deparei com olhos cinzentos. Não um cinza quente, mas o tom exato de aço tempestuoso. Frios. Calculistas. Sem um pingo do medo ou do respeito servil que os outros homens demonstravam ao olhar para mim. Ele não estava me vendo como a herdeira do império Romano. Ele estava me analisando como um alvo. Ou como um fardo. — Aria — a voz do meu pai cortou o silêncio pesado. Ele sequer se deu ao trabalho de levantar o olhar. — A facção dos Valenti tentou interceptar um dos nossos carregamentos ontem à noite no porto. O nível de ameaça subiu. Não posso me dar ao luxo de ter você exposta. — Eu já tenho seguranças, Papa — respondi, mantendo a voz firme e desprovida de emoção. — Três carros me seguem onde quer que eu vá. — Incompetentes — rosnou meu pai, finalmente me encarando. — Homens que morreriam por dinheiro, não por dever. A partir de hoje, a sua segurança é responsabilidade exclusiva dele. O homem deu um passo à frente. Seus movimentos eram assustadoramente silenciosos para alguém do seu tamanho. A cada passo dele, um alarme invisível apitava na minha mente: Perigo. Perigo real. — Este é Damian Vance — apresentou meu pai. — Um especialista autônomo. Ex-mercenário. Ele não responde a nenhum dos meus capangas. Ele responde apenas a mim... e sua única função é manter você viva. Damian Vance. O nome soava tão pesado quanto a presença dele. — Ele me acompanhará até a faculdade? — perguntei, cruzando os braços. — Ele acompanhará você a todos os lugares, Aria — o Don enfatizou a palavra com uma calmaria assustadora. — Na universidade, nas suas saídas, no corredor da sua casa. Ele dormirá no quarto adjacente ao seu. A porta comunicante permanecerá destrancada. Senti o ar faltar por um milissegundo, mas forcei meu rosto a não trair nenhuma reação. Minha privacidade estava sendo completamente aniquilada. Devagar, virei o rosto para encarar meu novo carrasco. Damian deu mais um passo, parando a poucos centímetros de mim. O cheiro dele me envolveu — uma mistura de amadeirado, couro e o toque sutil de pólvora. A diferença de altura era ridícula; eu precisei inclinar a cabeça para encarar seus olhos cinzentos. — Você fala, Vance? — provoquei, baixando o tom de voz, testando-o. — Ou é só um cão de guarda silencioso do meu pai? A sombra de um sorriso frio e sombrio surgiu no canto dos lábios dele. Ele se inclinou ligeiramente em minha direção, abaixando a voz para que apenas eu pudesse ouvir. — Eu falo quando é necessário, Donna Aria — a voz dele era um sussurro grave, áspero, que fez um arrepio percorrer toda a minha espinha. — E meu trabalho não é ser seu amigo. É garantir que você continue respirando, mesmo que eu precise trancá-la em uma gaiola para isso. Nenhum homem no império do meu pai ousava falar comigo daquele jeito. A audácia dele era fascinante e aterrorizante na mesma proporção. — Tente me trancar em uma gaiola, Vance — murmurei, sustentando o olhar dele, a teimosia falando mais alto que o meu instinto de sobrevivência. — E você vai descobrir do que eu sou capaz. Damian não piscou. Seus olhos desceram para os meus lábios por uma fração de segundo antes de voltarem para os meus olhos, com um brilho possessivo e perigoso que fez meu coração disparar no peito. Ele não sabia, e meu pai tampouco. Mas aquele homem não era apenas um mercenário. Por trás daqueles olhos de aço, Damian Vance estava memorizando cada canto daquela sala, as entradas, as saídas... e a mulher rebelde que ele havia sido enviado para proteger e, no fim, destruir. O jogo de xadrez tinha começado. E pela primeira vez na vida, eu não tinha certeza de quem era o peão e quem era o predador.

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