No dia seguinte na faculdade, fui surpreendida por um abraço do John. Demorei um pouco para reconhece-lo. O cabelo dele estava completamente loiro, fato que fez seus olhos ficarem ainda mais marcantes.
Ele colocou um sorriso de orelha a orelha no rosto e disse:
— E aí?
— Oi, John! — Exclamei. — Você sumiu ontem...
— Desculpa. — Falou.
— Tudo bem. — Disse fechando o armário.
— E o meu cabelo? — Questionou apontando.
— Tá lindo, diferente... — Observei. — Não sabia que estava querendo mudar.
— Pois, é, não estava. A Amanda que fez isso, acredita?
Eu franzi a testa. Quem é Amanda?
— Amanda? — Indaguei.
— Você não sabe o nome dela ainda! Eu esqueci de apresentar vocês. Ela se chama Amanda, a menina que eu conheci. — John explicou.
— Nossa... então parece que é sério.
— Ela é diferente. Quero que vocês se conheçam.
Eu fiz que sim com a cabeça mesmo querendo dizer não. Não gostava nada dessa ideia.
Mas o que seria isso que eu estou sentindo? Porque estou me importando tanto de repente? Por que não posso simplesmente seguir a minha vida?
— Eu ainda vou falar com ela, mas gostaria muito de trazer você para jantar com a gente ainda essa semana. O que você acha? Você é minha melhor amiga e se eu tiver algo sério com ela quero que você não só saiba, mas seja a primeira.
Me rendi naquele instante. Qual seja o motivo daquele ciúme bobo que estava sentindo teria que esperar um pouco, neste momento eu precisava ficar feliz pelo meu melhor amigo.
— Estou orgulhosa por você estar buscando algo sério com alguém, John. Fico feliz de estar se sentindo pronto para isso.
Ele deu os ombros.
— Não sei disso ainda, mas estou perto de descobrir...
— Quando vai ser o jantar? — Questionei.
— Pode ser hoje? Tem algo para fazer hoje?
— Você me conhece, eu sempre tenho algo para fazer. Mas eu dou um jeito, me manda o endereço depois e eu estarei lá. — Depositei um beijo na bochecha dele e sai.
— Não seja boba. Eu passo pra te buscar. — Concluiu.
A noite, tentei parecer bonita o suficiente. Mas eu estava insegura, desanimada, e de tpm. Queria muito estar feliz e reluzente pelo John, mas algo não me deixava me sentir assim, talvez fosse ciúme, talvez só egoísmo, mas de qualquer jeito eu precisava enfrentar isso.
Quando John chegou para me buscar, tentei não ser inconveniente e fui direto para o banco de trás. Ele me impediu, me puxando pelo braço e disse:
— O que está fazendo?
Eu arregalei os olhos.
— Achei que a Amanda fosse querer ir na frente quando a gente buscar ela. — Expliquei, fechando a porta do carro.
— Não quero que fique atrás, Ju. — John falou e me deu um beijo na bochecha. — Amanda é uma garota incrível, ela não vai ligar.
Eu sorri e mesmo com certa insegurança, me sentei na frente. Quando chegamos na casa da tal garota e ela finalmente deu as caras, meu queixo despencou. Ela parecia que tivera saído de uma revista. Seus olhos eram tão azuis que qualquer pessoas gostaria de mergulhar neles, sua pele era tão suave e aparentemente tão macia, seu cabelo sedoso, a boca vermelhinha, carnuda e um sorriso tão branco que chamava atenção. Não me surpreende o John ter se encantado por ela.
Quando ela entrou no carro no banco de trás pude perceber também que além de muito bonita por fora, ela também era muito gentil e amigável. Sentou no banco de trás sem pestanejar e me deu um beijo na bochecha na maior alegria.
— Estou feliz que finalmente nos conhecemos! John não para de falar de você — Ela afirmou, sorrindo.
John sorriu e concordou. Seguimos viagem. Quando chegamos ao destino é descemos do carro, inventei uma desculpa que tinha esquecido algo dentro do carro quando já estávamos no restaurante. Quando me distanciei o suficiente, encarei aquela cena perfeita dos dois sorrindo e conversando, como se fossem perfeitos uma para o outro e naquele momento, eu desejei não estar ali.