SEIS MESES ANTES
Hoje é o meu aniversário de 19 anos. Sabe o quanto esperei por essa data? O quanto quis que ela chegasse?
Com certeza, John sabe desse meu desejo tanto quanto eu então desde a semana passada que ele está fazendo de tudo pra que meu dia seja perfeito. Quando queria ajudar alguém, John não media esforços. Principalmente quando se tratava de mim, então se meu aniversário era dia 20, um mês antes ele já me lembrava com toda empolgação.
— Quero saber se vai comemorar quando eu estiver velha e com medo da morte. — Falei em certa ocasião.
Ele sorriu.
— Por acaso não tenho motivos para comemorar a vida?
Eu dei os ombros.
Eu não gostava muito de aniversários, mas senti que precisava celebrar este de alguma forma especial. John disse que me levaria para a balada pela primeira vez. Quando eu fiz dezoito fiquei muito atarefada com a faculdade, e no meu tempo de lazer eu preferia dormir ou fazer qualquer outra coisa, menos ir para uma festa lotada de gente bêbada e s*******o. John sempre gostou de curtir a vida do jeito mais extravagante possível, junto com meu irmão Drake. Desta vez, ele disse que eu precisava fazer isso.
— Nossa, mas a gente não pode fazer isso no seu aniversário? — Indaguei.
Ele se rendeu.
— Então o que você quer fazer? — Questionou, confuso.
— Não sei. Não gosto de comemorar aniversário.
— Achei que a gente já tinha passado dessa fase, Julie.
— E passamos. — Reforcei. — Eu quero muito ser adolescente hoje. Já estou quase ficando adulta. — Afirmei e ele comemorou.
Eu fiquei olhando as roupas no meu guarda roupa enquanto John estava deitado na cama.
— Já decidiu para onde nós vamos? — Perguntei, enquanto decidia o que vestir.
Ele sorriu e ergueu as sobrancelhas.
— Por acaso há alguma coisa que eu não sei? — Brincou.
Mas era meio verdade. Haviam poucas coisas que John não tinha uma resposta, e isso geralmente envolviam coisas banais. Mas ele vai te dar uma resposta convincente seja falando de amor ou da vida. Mesmo que não faça ideia do que esteja falando.
Mais tarde, ele me contou que me levaria a uma boate. Eu me animei, nunca tinha ido em uma, e pelo que vejo em filmes deve ser divertido. Depois ele disse que levaria o Drake com a gente e eu desanimei.
— Por que ele precisa ir? — Perguntei, emburrada.
— Ele não precisa ficar com a gente. — John rebateu.
— Não, cara. Tá tudo bem. É o aniversário dela, não quero estragar isso. Semana que vem nós vamos, pode ser? — Drake interviu.
Eu fiquei com pena, mas logo desfiz isso quando percebi que era exatamente o que ele queria, que eu ficasse me sentindo m*l. Mas se o Drake fosse ele com certeza ia sugar toda a atenção só para ele e não me deixaria curtir a festa por causa de ciúme.
— Obrigada. — Respondo, dando os ombros.
As horas se passaram e logo chegou a hora. Confesso que me esforcei para estar perfeita, e quando John chegou, eu juro que eu não cheguei aos pés da beleza dele. Além de estar muito cheiroso também. Quando ele me viu, abriu um sorriso gigante, deu um cheiro no meu cangote e segurou minha cintura.
— Você está muito gata!
— Você é que está.
Finalmente seguimos para a festa. Estava lotada quando chegamos, e de alguma forma, pareceu ficar mais lotada depois que o tempo se passou. Precisamos de muitas bebidas para esquecer que estava muito calor. Eu já estava perdendo os sentidos, e ficamos um pouco tonta, quando o relógio apontou as meia noite, John me segurou pela cintura e me ergueu no alto. Quando pousei, toquei seu rosto suado com minhas mãos e ele continuou com as suas segurando minha cintura.
Nos aproximamos um pouco mais e a distância já parecia mínima, a música parecia ter desaparecido, mas de alguma forma intensificou o que quer que tenha acontecido.
Quando dei por mim, já estávamos nos beijando. Nunca senti nada parecido na minha vida. As coisas esquentaram, ele me puxou para um lugar mais escondido dos outros, me colocou em cima de um balcão, e deslizou suas mãos em mim.
Permanecemos assim até eu ficar muito enjoada de repente a ponto de me afastar e sair correndo para o banheiro. John me seguiu, desorientado.
— Foi algo que eu fiz? — Indagou, enquanto me esperava do lado de fora do box.
— Não! — Gritei, enquanto forçava vomitar. — Só estou muito enjoada.
— Olha só, isso não precisa significar nada, tudo bem? Não se preocupa.
Quando ouvi essas palavras destranquei a porta e sai. Ele demonstrou alívio nos olhos e me abraçou.
— Está melhor?
Eu fiz que sim com a cabeça.
— Me desculpa, eu não quis...
— Não precisa se desculpar, John. Estamos bêbados, provavelmente nem vamos lembrar de nada disso amanhã. E como você mesmo disse, isso não precisa significar nada. — Interrompo.
Ele concordou, ainda que cabisbaixo.
— Você não gostou? Foi muito r**m?
Foi a primeira vez que eu vi John se importando com o que alguém acha ou deixa de achar do seu beijo.
— Indiferente. — Menti. Havia sido o melhor em muitos anos.
John não respondeu mais nada, e no dia seguinte fingiu não se lembrar de nada. Eu tentei retornar o assunto, mas ele se fez de maluco e mudou o rumo da conversa. Eu respeitei sua decisão, mas eu não podia retirar o que eu disse. John podia ter a mulher que ele quisesse em um piscar de olhos. Ele sempre me viu como uma irmã, não posso arriscar perder isso por causa do que eu senti durante um beijo. Era pouco demais para isso.
A gente precisou de algumas semanas para superar isso, mas acabou que um dia nós simplesmente decidimos deixar tudo para trás. Afinal, somos bons amigos e essas coisas podem acontecer. Nunca havia acontecido antes, nem depois e eu acredito que nunca mais irá acontecer. O clima ficou estranho e eu não tenho vontade de repetir a dose. Não posso arriscar perder o John para sempre.