Dentro do carro do senhor brutamontes fico a roer as minhas unhas,estava ficando cada vez mais desesperada e com o coração aflito,e ele me encarava de minuto a minuto,Henrique parecia bem nervoso e notei que deixou aquelas papeladas espalhadas no banco de trás.
-Por quê você quer pegar a guarda do Adriel se nem parece importar se ele está vivo?
-Elise por Deus! Quer mesmo falar de guarda em um momento tão delicado?! O Adriel tem um tumor cerebral e está sangrando,pode me dizer nesse exato momento aonde está a ferida após uma batida de carro?! -Eu o encaro e ele me devolve um olhar matador.-Pelo visto acho que não,então fica quieta!
Sinto que de toda forma,o momento exigia o menor das brigas bobas possíveis,e mesmo querendo retrucar por não gostar de ser repreendida,fico em silêncio.
Suspiro de indignação.
-Começo sim!Se você é o pai,se você se importa-se com ele,se soubesse a luta que estou para encontrar um bom cirurgião para trata o mesmo problema que minha irmã tevê,talvez tudo fosse diferente!-Exclamo deixando lágrimas escorrerem derrepente e escondo meu rosto.
Ele ficou calado,e naquele momento tudo que eu queria era recorrer ao passado para entender os motivos do papai aqui não ter feito nada pelo seu filho,eu queria brigar,eu necessitava colocar a culpa em alguém...mas seria tão infantil da minha parte,eu queria morrer diante aquela situação.
-Fala alguma coisa sr.Henrique Sánchez!-Berro batendo minhas mãos em meu colo.
-Primeiro Elise,não estamos em nosso ramo de trabalho,então me chame apenas de Henrique,e segundo não vou discutir com você,então pare de fazer pirraça e fica quieta,essa conversa desnecessária me faz ter vontade de meter muitos tapas em você,tantos que a marca seria impossível de contar!
Rosno de raiva.
-Não posso Henrique!não posso ficar quieta!não posso ficar em silêncio!é a vida do meu menino!da minha melhor amiga!das filhas dela!eu não posso ficar quieta por quê eles são tudo que eu tenho agora!-Sinto ele parar o carro violentamente e com uma mão segurar em meu maxilar com total força possível.
-Cala a boca Elise!-Ele grita olhando para meus olhos e em seguida para minha boca,sua raiva era tão descarada que uma veia em sua testa pulsa denotando isto.
Ele me dá um beijo feroz,com um impacto de um homem soltando sua magnificência masculina sobre mim com toda potência possível na língua, o que me abalou,porém foi rápido e ele se afastou e ficou me olhando nos olhos enquanto eu ficava tomando fôlego.
Era medo ou excitação aquele momento?
-Elise,vamos ser pais responsáveis,fica calma,Adriel precisa que seus pais estejam prontos pra ajuda-lo e eu quero te pedir para ficar quieta que vai dar tudo certo,porque neste momento eu não sei se me enfuresso pelo meu filho ou por você que me deixa louco de raiva.-Após ele dizer isso eu apenas confirmo com a cabeça e voltamos a ficar em silêncio.
Fiquei quieta,não dava para pirraçar mais depois daquilo,não demorou muito e descobrimos que eles estavam no hospital pois já haviam sido socorridos,e não pensei duas vezes para ir direto para lá.
[...]
Chegamos até lá e já queria vê-los de imediato mais não foi permitido,perguntei por Adriel e me disseram que bateu a cabeça com força ele precisaria ficar em observação para saber se nada de grave ocorreu no tumor,era o hospital da central onde Henrique trabalha então ele foi cuidar do caso de Adriel.
Adriel é de fato tudo para mim,e não quero perde-lo da mesma forma que eu perdi Valentina...não denovo...e então após um longo tempo que parecia um pesadelo ele voltou e se sentou ao meu lado tomando ar e tirando do rosto a máscara azul.
-Como você se sente perto de perder outra pessoa que é especial para você?-Pergunto e ele suspira,era como se espera-se que a pergunta não tivesse sido referente a ele.
-Não sei,eu nunca perdi alguém especial para mim.-Eu franzo a testa com sua frieza.-Eu não tenho muito carisma com as pessoas,por isso não sofro com isso.-Ele termina e sinto ficar mais pra baixo.
Mexo minha cabeça negativamente,como ele pode ser tão frio?tão sem sentimento?é o filho dele,era a minha irmã...
-Que tipo de pessoa fria como você vai querer cuidar de uma criança doce como Adriel?que necessita de carinho,afeto,cuidados e amor maternal.-Falo cruzando meus braços e ele gira os olhos e me olha de um jeito estranho.
-Elise,eu não nasci pra amar ninguém,fazer o que se aqui em vez de um coração tem uma pedra fria.-Ele brinca,as Henrique não amenizava meu nojo por ele tentando ser simpático que inclusive não era seu forte.
Não dava para discutir.
Passa cerca de meia hora depois e a mesma enfermeira avisa que vai ficar tudo bem e que infelizmente ainda não poderia haver visistas e que o melhor a fazer era ir para casa e descansar,e mais uma vez dentro do carro daquele infeliz.
Meus olhos estavam inchados,não esperava muito depois da seção de choro que tive,realmente eu era dramática e pirracenta,admito.
Henrique ficou calado concentrado na estrada e eu olhava para o meu celular,vendo as fotos que tirei a muito tempo ao lado de Darik.
-Já mandei colocar o cinto de segurança.-Ele diz e eu me viro de uma vez para ele.
-E se eu não quiser?!-Pergunto e ele me encara mas desvia.
-Estou te aguentando dês de o acidente,o mínimo é obedecer já que está no meu carro!-Ele fala olhando firme para a estrada.
-Primeiro o beijo,o coração de pedra e agora isso?!-Ele gira os olhos.
-Você reclamando no meu ouvido me dá vontade de fazer você calar com meu p*u intalado na sua garganta!-Ele exclama em alto bom som e gelo.
Senti meu corpo todo formigar,todo meu corpo se agitou com as suas palavras,sua voz grossa me atacou com tudo e fiquei sem reação no momento,eu estava petrificada com o Henrique que acabei de conhecer,o problema era que a todo tempo eu conheço um novo Henrique Sánchez,um frio,um que não se importa com ninguém,um chato,um safado deliciosamente safado...
-Você escolheu o jeito difícil não é Elise?-Ele pergunta e eu franzo a testa.-Então querendo ou não querendo,vou levar Adriel comigo,ainda mais com essa sua falta de responsabilidade!
-Nunca!-Berro e ele solta uma gargalhada maldosa.
-Sim eu vou,ou você aceita ou você vem morar com a gente e eu te garanto mamãe sua vida será um inferno!-Ele diz alto e algo eletrizante passa por todo o meu ser.
-Esquece!o Adriel eu nunca vou abandonar!Ele é meu filho e não seu!-Exclamo e ele suspira.
-Pensa com a razão,quando menos esperar eu vou levar ele,e se não quiser ficar sem vê-lo vai ter que vim na bagagem-Ele diz e me olha no fundo dos olhos.-Querendo ou não Lise.
Obrigado pela leitura!