Helena se esforçava para manter o foco no curativo, mas o clima entre ela e Chacal era intenso, quase palpável. A cada toque, a cada troca de olhares, parecia que um abismo invisível era coberto por uma ponte tênue de curiosidade e respeito mútuo. — Você cresceu aqui no morro? — perguntou ela, mais para quebrar o silêncio do que por esperar uma resposta. Chacal manteve o olhar fixo no horizonte, mas seus olhos vacilaram por um segundo. O morro se estendia abaixo deles, iluminado pelas luzes precárias das casas, criando uma paisagem que ele conhecia tão bem. Depois de um tempo, ele assentiu devagar, ainda sem olhar diretamente para ela. — Nasci e cresci aqui. Mas não foi exatamente fácil — disse ele, as palavras saindo como se fossem uma confissão. — Minha mãe... ela tem alguns problemas

