DMITRI VOLKOV
O silêncio no quarto era pesado.
Dmitri estava sentado na maca, sentindo a tensão pulsar no próprio corpo. O ferimento ainda ardia sob os pontos recém-feitos, mas ele ignorava a dor. Dor sempre foi parte da vida dele.
A chuva batia contra as janelas do hospital.
Mas Dmitri não estava olhando para a chuva, Ele observava Helena. Desde que acordou, seus olhos estavam presos nela, não de forma casual. Ele estava analisando, cada movimento, cada respiração, cada reação. Ela era diferente, qualquer outra pessoa teria chamado a polícia, corrido ou desmaiado depois do que aconteceu naquele quarto, mas Helena Carvalho ainda estava ali de pé, forte, desafiadora.
— Helena: Você precisa descansar.
Inclinei levemente a cabeça.
— Dmitri: Eu já descansei o suficiente.
percebi o leve irritamento no rosto dela, interessante.
— Helena: Você levou um tiro, perdeu sangue e entrou em uma briga com três homens armados.
Pensei por um momento, então perguntei calmamente:
— Dmitri: Eles ainda estão vivos?
Helena piscou várias vezes, confusa.
— Helena: Você realmente quer saber isso agora?
— Dmitri: Sim.
Eu precisava saber, se algum deles estivesse morto, o problema seria maior.
Helena suspirou.
— Helena: Um fugiu. Dois foram levados pela segurança do hospital.
Fiquei em silêncio, Isso era r**m, muito r**m. O homem que fugiu avisaria o resto.
— Dmitri: Isso é… problemático.
— Helena: Para você ou para mim?
A observei novamente.
— Dmitri: Para todos.
Helena caminhou até a mesa e pegou uma prancheta.
— Helena: Talvez você queira me explicar por que assassinos russos estão correndo atrás de você dentro de um hospital aqui no Rio de Janeiro.
Dmitri respondeu com simplicidade:
— Dmitri: Porque querem me matar.
Respondi com simplicidade
Helena estreitou os olhos.
— Helena: Eu percebi essa parte.
Ela era sarcástica, Eu gostei disso.
Então ela disse:
— Helena: Você é criminoso.
Não respondi, o silêncio foi suficiente.
Helena passou a mão pelos cabelos.
— Helena: Ótimo… salvei um mafioso.
Um pequeno sorriso apareceu nos lábios dele.
— Dmitri: Mafioso é uma palavra exagerada.
— Helena: Claro. E aqueles homens eram escoteiros?
Soltei uma pequena risada rouca, era raro de eu rir. Mas Helena tinha uma coragem quase absurda. Então meu celular vibrou, peguei
O nome na tela era claro.
Viktor
Atendi imediatamente.
— Dmitri: Да. — “Sim.”
Helena observava sem entender nada.
Ivan falava rápido do outro lado.
— Dmitri: Я жив. — “Eu estou vivo.”
Uma pausa.
— Dmitri: Нет. Они уже здесь были. — “Não. Eles já estiveram aqui.”
Olhei para Helena por um segundo., e disse:
— Dmitri: Приезжай. — “Venha.”
Desliguei.
HELENA CARVALHO
Coloquei as mãos na cintura.
— Helena: Eu deveria estar preocupada?
— Dmitri: Provavelmente.
— Helena: Ótimo.
— Dmitri: Meus homens estão vindo. — me Explicando
— Helena: Aqueles que você chamou de amigos ou os que tentaram te matar?
— Dmitri: Os amigos.
Respirei fundo.
— Helena: Eu definitivamente vou perder minha licença médica.
— Dmitri: Eu posso garantir que isso não aconteça. — respondendo com uma calma absoluta.
Eu ri.
— Helena: Claro. O mafioso russo vai proteger minha carreira.
— Dmitri: Sim.
A resposta simples me pegou desprevenida.
Então suspirei e caminhei em direção à porta.
— Helena: Eu preciso continuar meu plantão. — saí de seu quarto.
Do outro lado da cidade… Três carros pretos arrancaram imediatamente.
A Bratva havia encontrado seu líder, mas também havia encontrado algo mais, a mulher que poderia se tornar… A maior fraqueza de Dmitri Volkov. Minutos depois
Caminhando pelo corredor do hospital com a mente inquieta.
Havia algo naquele homem, algo perigoso, algo que me deixava curiosa… e irritada ao mesmo tempo. Quando cheguei ao final do corredor, vi três homens enormes entrando pela porta principal.
Todos vestidos de preto, olhares frios, passos firmes.
O hospital inteiro pareceu silencioso.
Um deles se aproximou da recepção.
— Homem: Procuramos um homem. Alto. Ruivo.
Congelei na hora, meu coração começou a bater mais rápido, eles estavam procurando Dmitri. Dei meia-volta imediatamente, precisava voltar ao quarto antes que eles chegassem. Quando abriu a porta…
Dmitri estava sentado na cama, tentando levantar.
DMITRI VOLKOV
— Helena: Você deveria estar deitado!
Observei calmamente.
— Dmitri: Eles chegaram.
Helena arregalou os olhos.
— Helena: Como você sabe?
Eu apontou para a janela.
— Dmitri: Eu conheço os passos deles.
Segundos depois…
A porta se abriu.
Um homem alto entrou primeiro, cabelo escuro, olhar extremamente sério.
Ele parou quando viu Dmitri.
— Viktor: Boss.
Respondi:
— Виктор. — “Viktor”.
Helena olhou confusa.
— Helena: O que está acontecendo aqui?
Viktor virou o olhar para ela.
— Viktor: Você salvou a vida dele?
—Helena: Sou médica.— falou com os braços cruzados
Falei calmamente:
— Dmitri: Helena… este é Viktor.
—Viktor: Obrigado por salvar nosso chefe. —inclinando levemente a cabeça.
Foi naquele momento que Helena percebeu algo.
Ela olhou novamente para mim.
— Helena: Quem exatamente é você?
Apenas sorri, mas não respondi
Minutos depois, Viktor me explicava rapidamente a situação em russo.
Helena observava em silêncio, ela não entendia nada , mas conseguia sentir a tensão no ar.
De repente disse:
— Dmitri: Helena.
Ela levantou os olhos.
—Helena: Sim?
—Dmitri: Você quer saber quem eu sou?.
— Helena: Sim.
Fiquei em silêncio por alguns segundos. Então respondi:
—Dmitri: Eu comando uma organização.
—Helena: Que tipo de organização?
— Viktor: Máfia russa. — respondendo diretamente.
O silêncio tomou conta do quarto.
Helena piscou algumas vezes.
— Helena: Isso é alguma piada?
Eu apenas a observava, ela começou a rir nervosamente.
—Helena: Espera… vocês estão falando sério?
—Viktor: Muito sério — disse.
—Helena: Eu salvei um mafioso. — colocando as mãos na cabeça.
Inclinei a cabeça.
—Dmitri: Sim.
Ela apontou para ele.
—Helena: Você levou um tiro porque alguém tentou te matar?
— Dmitri: Sim.
— Helena: E esses homens trabalham para você?
— Dmitri: Sim.
— Helena: Ótimo. Perfeito. Maravilhoso. — respirando fundo.
Ela caminhou até a porta.
—Helena: Então você já pode ir embora.
Respondi calmamente:
— Dmitri: Não posso.
— Helena: Por quê?
Sorri levemente.
— Dmitri: Porque ainda não estou totalmente recuperado.
— Helena: Você está se aproveitando da situação. — disse estreitando os olhos.
— Dmitri: Talvez.
*EM OUTRO LUGAR
Na mesma noite, em um prédio luxuoso no centro da cidade.
Um homem observava uma foto sobre a mesa.
A foto de Helena.
Ele sorriu lentamente.
— ???: Então foi ela.
Um dos homens perguntou:
—??: O que fazemos?
Ele respondeu friamente:
— ???: Se ela salvou Dmitri Volkov…
Então ela é importante para ele.
Ele pegou um copo de whisky.
— ???: E todo mundo tem uma fraqueza.
Ele olhou novamente para a foto.
— ???: Vamos descobrir o quanto ela vale.
*No Hospital
Horas depois, Helena voltou ao quarto.
Dmitri estava acordado.
Observando a chuva pela janela.
Ela entrou.
— Helena: Você ainda está aqui.
— Dmitri: Você parece decepcionada.
— Helena: Só surpresa.
Ela sentou na cadeira.
Então perguntou diretamente:
— Helena: Quantas pessoas você já matou?
Dmitri virou lentamente o olhar para ela.
— Dmitri: Essa é uma pergunta perigosa.
— Helena: Então responda.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, depois disse:
— Dmitri: Muitas.
Helena sentiu um arrepio, mas não desviou o olhar.
— Helena: Você não parece arrependido.
Ele respondeu calmamente:
— Dmitri: No meu mundo… arrependimento é fraqueza.
Ela inclinou a cabeça.
— Helena: E no meu mundo… matar pessoas é crime.
Ele deu um pequeno sorriso.
— Dmitri: Dois mundos diferentes.
O silêncio ficou pesado entre os dois.
— Dmitri: Posso fazer uma pergunta? — disse.
—Helena: Pode.
— Dmitri: Por que você me salvou?
— Helena: Porque alguém precisava salvar você. —respondendo sem pensar
Ele a observou por longos segundos.
Depois disse em russo:
— Ты необычная женщина. — “Você é uma mulher incomum.”
Helena suspirou.
— Helena: Lá vem você falando russo de novo.:
— Dmitri: Eu disse que você é uma mulher incomum. — respondendo.
Ela riu.
— Helena: Isso foi um elogio?
—Dmitri: Sim.
E pela primeira vez…
Helena viu algo diferente no olhar dele, algo que não parecia frio. Parecia… Interesse.